Leishmaniose Tegumentar Americana

 

 

Formas amastigotas de Leishmania sp
(Fonte: Atlas de parasitologia Clínica Viqar Zaman, 1979)

 


 

 

O que é?

 

Doença polimorfa da pele e das mucosas, caracterizada pela presença de lesões ulcerativas que podem ser simples e auto limitadas (forma cutânea simples) ou lesões múltiplas nodulares (forma cutânea difusa). Podem ou não ocorrer metástases nasobucofaringeanas (forma muco-cutânea). É causada por protozoários do gênero Leishmania, sendo que as três principais espécies causadoras de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) no Brasil são: Leishmania (Viannia) braziliensis, Leishmania (V.) guyanensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis. Acomete o homem, mamíferos domésticos e silvestres.

 

Transmissão

 

Através da picada de várias espécies de flebotomíneos do gênero Lutzomyia. A fêmea, ao exercer o hematofagismo, inocula as formas promastigotas.

 

Tratamento

 

A infecção humana pode regredir espontaneamente e, nos casos de evolução, há tratamento para o homem.

 

Diagnóstico Laboratorial

1. Pesquisa de anticorpos em soro

 

  • Humano
    • o Imunofluorescência Indireta (IFI): detecta anticorpos da classe IgG e IgM. Não distingue as duas leishmanioses (visceral e tegumentar)
  • Animal
    • o  Imunofluorescência Indireta (IFI): detecta anticorpos totais. Não distingue as duas leishmanioses (visceral e tegumentar)

Resultado: 24 a 48 horas.

 

2. Demonstração do Parasita:

 

  •   Exame Microscópico Direto: detecta a presença de formas amastigotas do parasita nas lesões em amostras humana e animal.
    • Resultado: 24 a 48 horas.

 

  •   Isolamento: através de cultura em meio acelular permite a confirmação do parasita na lesão de amostras humana e animal. e posteriormente sua identificação e caracterização.
    • Resultado: 30 dias.

 

3. PCR:

 

  •  Detecta a presença de DNA de Leishmania spp. em biópsia de lesão de amostra humana e animal e em espécimes de flebotomíneos.
    • Resultado: 07 dias.

 

Interpretação

 

O diagnóstico da LTA deve ser clínico, epidemiológico e laboratorial. Na sorologia, títulos até 80 não podem ser considerados reagentes, devido à ocorrência de reações cruzadas, devendo-se colher nova amostra de sangue do paciente após intervalo de 10 dias. O isolamento de formas promastigotas do protozoário na cultura confirma casos de leishmaniose. No caso de PCR positivo será realizado sequenciamento para identificação da espécie de Leishmania.

 

Prevenção

Uso de mecanismos de proteção individual (repelentes telas em portas e janelas, camisas de mangas compridas e calças, meias e sapatos);
controle vetorial nas áreas do intra e peridomicílio; medidas educativas (por ex: acondicionamento e destino adequado do lixo orgânico).
 

 

Envio Correto de Material

  • Material
    • Soro (1ml);
    • Sangue (5ml);
    • Exsudato da borda da lesão;
    • Biópsia da borda da lesão;
    • Fêmeas de flebotomíneos

 

  • Conservação/Transporte
    • Soro: refrigerado ou congelado;
    • Sangue: refrigerado;
    • Exsudato: manter a lâmina à temperatura ambiente;
    • Biópsia: solução fisiológica estéril refrigerada, até 24 horas após coleta;
    • Espécimes: pool de até 50 fêmeas de mesma espécie capturadas no mesmo local e período, imersas em álcool 70%.

Observação: Os parasitas encontrados na biópsia são mais abundantes em lesões mais recentes.