PROJETO NA INTEGRA - OPERAÇÃO RATO FORA

PROGRAMA DE VIGILÂNCIA E CONTROLE DE ROEDORES

 

Redução das condições que facilitam a infestação
de roedores em pontos críticos da cidade

A cidade de São Paulo, nos últimos 5 anos, tem registrado um número crescente de reclamações dos munícipes sobre a presença de roedores, realizado através do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), que aumentou cerca de 600%, passando de 3.297 em 2000, para 20.129 em 2004. Nesse mesmo período, apresentou centenas de casos e dezenas de óbitos por leptospirose, de 2000 a março de 2005, ocorreram 1.411 casos e 199 óbitos.

O aumento significativo de reclamações pode ser justificado pela dispersão dos ratos de telhado, das áreas centrais para demais regiões da cidade, até recentemente livres da espécie. O rato de telhado, por ser intradomiciliar, e estar mais próximo das pessoas, vem chamando a atenção, gerando surpresa e necessidade de informações e orientações do serviço público. No entanto, o atendimento para esses casos não estava contemplado dentre as atividades da vigilância municipal, que só atua em áreas e locais públicos.

 

OBJETIVO DO PROGRAMA

Face à essa situação, a Secretaria Municipal da Saúde, através da Coordenação de Vigilância em Saúde – COVISA, elaborou um programa de controle de roedores cujo objetivo é diminuir as condições que facilitam a reprodução e permanência desses roedores em pontos críticos da cidade e, assim, reduzir a incidência dos casos de leptospirose e seus agravos, como mordeduras.

O foco do programa é trabalhar com áreas homogêneas de risco com notificação da doença, em consonância com as áreas com maior número de denúncias de presença de ratos.O programa está sendo coordenado pela Secretaria Municipal da Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal das Subprefeituras, Educação e Assistência e Desenvolvimento Social, Comunicação Social, dentre outras.

 

REGIÕES SELECIONADAS

As áreas que fazem parte do projeto piloto foram selecionadas com base no levantamento realizado no período de 1998 a 2005, utilizando-se o mapeamento do número de denúncias e coeficientes de incidência de leptospirose (número de casos/100 mil/hab). Outro elemento considerado no levantamento foi o que se refere às áreas com ocorrência de enchentes.

O processo de seleção ocorreu em cinco Distritos Administrativos (DA), sendo um de cada Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), assim definidos:

CRS Sul – DA Campo Limpo (Subprefeitura de Campo Limpo)
CRS Norte – DA Vila Maria (Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme)
CRS Leste – DA Itaquera (Subprefeitura de Itaquera)
CRS Centro-Oeste – DA Rio Pequeno (Subprefeitura do Butantã)
CRS Sudeste – DA Jabaquara (Subprefeitura do Jabaquara)

 

AÇÕES DO PROGRAMA

O programa tem como meta reduzir a população de ratos, por meio da sistematização e otimização das ações de controle, racionalizando as atividades em áreas de maior risco. Para isso, estão sendo contratados 242 agentes de apoio - zoonoses, que serão treinados e capacitados para atuarem também de forma intradomiciliar.

Paralelo às atividades técnicas, haverá um trabalho de orientação e educação, com a proposta de estimular a população a adotar práticas que dificultem a instalação e proliferação de roedores, como redução de oferta de: alimento, água e abrigo.

 

ATUAÇÃO TÉCNICA

A atividade inicial do programa será o levantamento, por amostragem, do Índice de Infestação Predial, ou seja, identificar em locais comerciais e residenciais possíveis vestígios da presença de roedores. O trabalho consiste na inspeção de lixeiras, sótãos, porões, locais de armazenagem de alimentos, locais com oferta de alimentos para animais, piso falso, material inservível acumulado entre outros.

As etapas subseqüentes estão concentradas em atividades de tratamento, podendo ser usado controle químico, que compreende de três aplicações, respeitando-se intervalos de tempo adequado para efeito do tratamento. Ao final desse procedimento, é feito novo levantamento do índice de infestação que indicará o resultado das estratégias do programa.

 

CONTROLE QUÍMICO

Produto utilizado

O veneno utilizado para tratamento químico, nos casos indicados, são os Rodenticidas (hidroxicumarínicos de dose única e dose múltipla - ingredientes ativos cumatetralila 0,75%, bromadiolona 0, 005%) que são produtos desinfestantes, destinados à aplicação em domicílios e suas áreas comuns; no interior de instalações; edifícios públicos ou coletivos e ambientes afins para controle de roedores. Os rodenticidas, ou raticidas, utilizados pela prefeitura, estão em conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA.

Com relação aos riscos do controle químico, os compostos raticidas são substâncias tóxicas sem exceção. Tem antídoto (vitamina K1) confiável e seguro e as intoxicações acidentais, seja com humanos, seja com outros animais, podem ser revertidas.

Funcionamento

Os raticidas anticoagulantes agem por inibição da síntese de protrombina, um dos fatores essenciais no mecanismo da coagulação sanguínea. Dessa forma, o sangue do rato deixa de coagular e sua morte ocorre em decorrência de hemorragias internas (pulmonares e mesentéricas). Além disso, esses compostos têm uma ação danosa sobre a parede dos vasos capilares, proporcionando o início das hemorragias.

Aplicação

Em 2004, a prefeitura utilizou cerca de 30 toneladas de raticidas para tratamento químico, com três formulações em uso:

 

  • Pó de Contato – destina-se ao polvilhamento nas tocas, caminhos e pontos de passagem dos roedores. Estes, ao passarem sobre o pó de contato, terão suas patas, cauda ou outra parte do corpo impregnadas pelo produto, que será removido por meio de lambidas que o próprio animal executa durante sua habitual limpeza corporal. Essa formulação é mais indicada no controle de ratazanas e, preferencialmente, deve ser aplicada através do uso de polvilhadeiras.

 

  • Isca Parafinada / Blocos Impermeáveis – são constituidos por cereais granulados ou integrais envoltos por uma substância impermeabilizante formando um bloco único, geralmente emprega-se parafina para essa finalidade. São indicados para utilização em locais onde o teor de umidade do ambiente é elevado, por exemplo: bueiros.

 

  • Isca Granulada – as iscas raticidas comerciais são de pronto uso e em sua maioria estão acondicionadas em saquinhos plásticos. As iscas destinam-se a atrair os roedores pelo olfato, induzindo-os a ingerir o produto, portanto devem ser dispostas de tal forma a serem facilmente encontradas pelos roedores.

 

Treinamento dos Agentes

Os raticidas serão aplicados pelos agentes de apoio-zoonoses, que foram capacitados e trabalharão no campo sob a supervisão de profissionais de nível universitário, que indicam quais as formulações a serem utilizadas e controlam o consumo do material químico.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE ROEDORES

Sem estimativa

A população de ratos na cidade de São Paulo, assim como no país, não tem "estimativa". O Programa de Controle de Roedores usará como metodologia para aferir a infestação por ratos na cidade o Índice de Infestação Predial por Roedores (% de imóveis infestados/total de imóveis inspecionados - método preconizado pelo MS e pelo CDC - Atlanta).

Casos de Mordedura

Com relação aos casos de mordedura, o que se tem apurado é que existe um registro de subnotificação muito grande desses casos nos últimos anos. No SINAN não há campo específico para registrar casos de mordedura por rato. Essa notificação é feita pela ficha de profilaxia da raiva humana e mordeduras por rato não implicam em tratamento. Um estudo junto às Supervisões de Vigilância em Saúde - SUVIS está em projeto para que as notificações sejam reimplantadas. Um exemplo dessas situações é que, em 2004, foram notificadas 1.924 mordeduras por outros animais, e só 72 notificações preencheram esse campo e nenhuma citou mordedura por rato.

Letalidade

A letalidade de leptospirose no município de São Paulo é elevada, estando ao redor de 14%. Ainda não há vacina humana contra a doença.