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Piolin

 

Piolin nasceu Abelardo Pinto em 27 de março de 1897, em Ribeirão Preto, interior paulista, em pleno circo, e que pertencia a seus pais, o empresário Galdino Pinto e a artista circense Clotilde Farnesi, especializada em tiro ao alvo. Irmão de Anchises e Raul, casou-se com Benedita França, com quem teve os filhos Aylor, Áurea, Ayola (casada com Nelson Garcia, o Figurinha), Albertina e Ariel (que se tornou atriz de televisão). Abelardo foi contorcionista, acrobata, ciclista, músico (tocava violino e bandolim) e, por volta de 1917, passou a fazer o palhaço Careca. Mas logo mudou para Piolin, “barbante” em espanhol, nome surgido numa brincadeira com suas pernas finas; em 1929 Abelardo incorporou-o a seu nome de batismo, tornando-se Abelardo Pinto Piolin.

Piolin começou a fazer sucesso no Circo Irmãos Queirolo, no início dos anos 20, quando, substituindo Chicharrão, passou a fazer as cenas cômicas com Harrys e Chic-Chic. Depois, e m 1925, associou-se a Alcebíades Pereira, e com ele, no Largo do Paissandu, viveu sua fase de glória. O presidente Washington Luiz era seu fã e tinha cadeira cativa todas as quintas-feiras no seu circo, e os modernistas, seus fãs assíduos, escreviam frequentemente sobre ele em jornais e revistas. Em 1929, no dia do seu aniversário, os modernistas homenagearam Piolin com um almoço que chamaram de Festim Antropofágico. Considerando que os antropófagos comiam o inimigo para adquirir suas qualidades, o ato simbólico de “comer Piolin” constituiu-se numa verdadeira consagração ao palhaço.

Durante mais de 30 anos, Piolin teve seu circo armado em São Paulo, no Paissandu e depois nos bairros do Brás, Paraíso e Marechal Deodoro e, por fim, na Avenida General Osório da Silveira (em local onde hoje funciona um bingo) onde permaneceu por 18 anos, até ser despejado, no final de 1961, pelo IAPC, antigo INPS. O motivo alegado na época foi a construção de um hospital, mas nada no local – nada - foi erguido até o início da década de 80. O despejo de Piolin tornou-se, assim, símbolo do descaso dos poderes públicos para com o circo.

Em 1972, numa iniciativa de Pietro e Lina Bo Bardi, organizadores da exposição do cinquentenário da Semana de Arte Moderna, o Circo Piolin foi armado no Belvedere do MASP. Nesse mesmo ano, 27 de março, data do aniversário de Piolin, foi declarado oficialmente como o Dia do Circo. As homenagens animaram Piolin, que comprou um circo e começou a viajar, mas teve de parar por problemas de saúde.

Abelardo Pinto Piolin morreu em 4 de setembro de 1973, de insuficiência cardíaca, engasgado com uma bala. Uma multidão se aglomerou nas alamedas do Cemitério da Quarta Parada para acompanhar o seu enterro.

Em 1975, a Travessa do Paissandu, onde os circos eram armados, passou a se chamar Rua Abelardo Pinto Piolin. E em 1978 tornou-se realidade o grande sonho de Piolin: a criação da primeira escola de circo no Brasil, que, numa justa homenagem, recebeu o nome de Academia Piolin de Artes Circenses. Sem apoio dos poderes públicos, encerrou suas atividades em 1983. Mas serviu de exemplo e inspiração para a criação das muitas escolas de circo que hoje existem no Brasil. E, atualmente, o Dia do Circo, 27 de março,é comemorado em todo o país. Do Amazonas ao Prata.