Esporotricose Humana

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ESPOROTRICOSE é uma infecção fúngica causada por um fungo dimórfico, descrito, a princípio, por Benjamin Schenck, nos Estados Unidos em 1898. Nesse período, a ocorrência dos casos de esporotricose em animais e humanos foi relatada por meio de surtos em diversos países. A transmissão estava associada a ambientes, plantas e solo, material orgânico contaminados pelo Sporothrix schenkii, classificada como transmissão clássica.

No final dos anos 1990, foi possível identificar novos isolados fúngicos por meio de novas técnicas sorológicas e moleculares, e tal identificação foi baseada na detecção do DNA das amostras fúngicas. A partir dessa técnica, verificou-se que o complexo Sporothrix schenkii é formado por alguns agentes, destacamos, Sporothrix brasiliensis, Sporothrix globosa, Sporothrix mexicana, Sporothrix schenkii.

Desde os anos 1980, os gatos domésticos ganharam relevância na transmissão zoonótica, especialmente no Brasil. Antes de 1990, não havia transmissão zoonótica endêmica em nosso país. A partir desse período, houve um aumento no número de casos e uma distribuição da transmissão para os estados do sudeste e o estado do Rio de Janeiro evoluiu para uma hiperendemia. A partir de 2018, tivemos o estabelecimento da transmissão em Pernambuco, Rio Grande do Norte e, a partir de 2021, no Amazonas.

A disseminação da transmissão entre municípios, estados e países vizinhos se dá pelo deslocamento por regiões que não apresentam barreiras geográficas.

VIA DE TRANSMISSÃO: A principal via é cutânea, por meio de trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas de madeira, contato com vegetais em decomposição e arranhadura ou mordedura de animais doentes.  A transmissão por via inalatória é mais rara de ocorrer.

MANISFESTAÇÃO CLÍNICA: as manifestações clínicas em pacientes com esporotricose são lesões localizadas no subcutâneo, local de inoculação do agente (formas fixas ou localizadas, formas linfocutâneas e disseminadas), e geralmente acometem os membros superiores, principalmente por serem mais expostos a traumas. Em indivíduos imunossuprimidos, podem ter agravamento do quadro clínico por comprometimento de alguns órgãos.

DIAGNÓSTICO é realizado por meio do isolamento do fungo obtido de material de biópsia ou aspirado de lesões.

TRATAMENTO deve ser prescrito após a avaliação clínica, com orientação e acompanhamento médico. Os antifúngicos são as drogas de escolha são de acordo com as lesões e a gravidade do quadro clínico. O prognóstico está associado com o diagnóstico e tratamento em tempo oportuno.

Não interromper o tratamento antes do período estipulado, apesar da cicatrização das lesões. Todas as pessoas com lesões suspeitas ou nódulos e/ou úlceras que não cicatrizam, com ou sem comprometimento linfático, e que tenha tido contato nos últimos 6 meses com gatos, cães ou outros animais com lesões nodulares e/ou ulceradas, e/ou diagnóstico de esporotricose ou manipulação de matéria orgânica (solo, terra, jardim, plantas), devem procurar atendimento médico.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA Instituiu-se, em 1º de dezembro de 2020, por meio da Portaria mº 470/2020 – SMS.G., a notificação compulsória de Esporotricose Humana e Animal, no Município de São Paulo, visto que muitos casos são identificados por meio das ações de busca ativa desencadeadas a partir de um caso de esporotricose em animal, permitindo a detecção precoce em pessoas.

A adoção de abordagens “Saúde Única” e de políticas públicas efetivas de prevenção e controle da disseminação da doença garante o bem estar das populações.

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