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PVBB 10 anos

Integração entre Saúde e Educação já capacitou mais de 3 mil professores Programa Para Viver de Bem com os Bichos, da COVISA, completa 10 anos em 2011

 

O PVBB já passou por 2.111 escolas e contou com a participação de mais de 200 mil alunos.
Há seis meses, a rotina dos 32 alunos do 4º ano E, da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Senador Teotônio Vilela, na zona norte, mudou para a melhor, graças à iniciativa da professora Márcia Cristina Araujo, de 42 anos, e dos profissionais da Supervisão de Vigilância em Saúde (SUVIS) Freguesia do Ó.

A escola foi uma das 2.111 da capital que, em 10 anos, já participaram do programa “Para Viver de Bem com os Bichos” (PVBB), projeto idealizado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão vinculado à Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em parceria com a Secretaria Municipal da Educação (SME).

O objetivo do PVBB é capacitar professores, passando a eles conhecimentos técnicos, para que consigam transmitir aos alunos a importância sobre a posse responsável e cuidados com animais domésticos, noções de convivência em harmonia com os animais, meio ambiente saudável e controle da fauna sinantrópica. Após o curso, cada escola tem que criar um projeto que envolva a instituição de ensino e a comunidade.

 A médica veterinária Osleny Viaro, coordenadora do PVBB, conta que o já foram idealizados 1.049 projetos e que houve muita mudança nos últimos anos. “Em 2001, quando começamos, a situação era bem mais difícil. Rompemos uma barreira.”, desabafa.

 Companheiro de aventuras

 A história da professora Márcia começou em uma sexta-feira 13, em maio deste ano. Assim como fazia todos os dias, ela passou pelo Terminal de Ônibus Vila Nova Cachoeirinha, mas dois olhinhos assustados chamaram sua atenção. Era um gatinho preto abandonado.

 A educadora não teve dúvida, pegou o gato e o levou para a EMEF. Lá, as crianças escolheram dar a ele o nome de Lobinho, por ser preto e ter sido encontrado numa data simbólica. Um mês depois, a professora dedicou 20 horas ao PVBB e, no fim do curso, junto com a veterinária Marisa Benatti e outros profissionais da SUVIS Freguesia do Ó, deu início ao projeto Coexista.

 A atividade foi marcada por grandes emoções. A professora criou um gatinho de pelúcia que era levado pelos alunos para as casas deles. Eles escreviam a história o bichinho e os relatos foram batizados de “As aventuras de Lobinho”. Mas não parou por aí.

 Todas as sextas-feiras os estudantes, Márcia e uma equipe da SUVIS Freguesia do Ó caminhavam pelas ruas do Jardim Paraná, nas proximidades do Centro Educacional Unificado (CEU) Paz, para conscientizar a população e convocar os donos de animais a participarem do mutirão da castração.

 O resultado: nos dias 6 e 7 de novembro 500 cães e gatos foram castrados. A experiência dos alunos foi inesquecível. Vestidos com máscaras e aventais, eles entraram no Centro Cirúrgico e acompanharam todo o processo. Com lágrima nos olhos, a professora relata “Foi um trabalho muito gratificante, que vai terminar no próximo sábado (26), quando as crianças apresentarão uma peça de teatro contando a história de Lobinho”, comenta.

 PVBB 10 anos

  O projeto é o responsável por viabilizar o entendimento de que há somente uma única saúde, que engloba pessoas, animais e ambiente”. Com essa frase, Ana Claudia Furlan Mori, gerente do CCZ, abriu a comemoração dos 10 anos do programa ‘Para Viver de Bem com os Bichos’, que reuniu cerca de 150 pessoas na última terça-feira (22). A celebração aconteceu na Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz (UMAPAZ), da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, no Parque do Ibirapuera.

 Em uma década, o PVBB esteve em 2.111 escolas e formou mais de 3 mil educadores, com a participação de mais de 200 mil alunos. “Todos os seres vivos fazem parte do mesmo planeta e cada um tem seu papel. É uma relação de respeito ao ser vivo que compartilha o planeta, que gera equilíbrio”, opina a assistente-técnica de educação ambiental Margerete Louzano, 49 anos, da Diretoria Regional de Educação (DRE) de Itaquera. Ela trabalhou por 20 anos nas salas de aula e esta há sete na DRE.

 Júlia Akemi Higuti, de 6 anos, destoava dos participantes. Ela era a única criança no evento e foi levada pela mãe. “Quando vi que a programação contava com teatro, quis trazê-la. Desenvolvemos um trabalho muito importante na nossa região, identificando os locais com mais problemas. Nas escolas apresentamos para crianças de até oito anos, Nossa ideia é expandir o projeto e realizar palestras para os adultos, no período noturno”, explica Kátia Mendes Higuti, 36, agente da SUVIS Santo Amaro.

 A comemoração foi marcada por palestras de profissionais renomados, como a norte-americana Susan Andrews, doutora em Psicologia Transpessoal, e o médico Cesar Deveza, pesquisador do Instituto do Coração (InCor). Relatos e depoimentos, inclusive professores, além de teatros do CCZ e da equipe da Supervisão de Vigilância em Saúde (SUVIS) Campo Limpo. A coordenadora da COVISA, Inês Suarez Romano, acrescentou que a meta, agora, é envolver escolas das redes estadual e particular.

 Conteúdo do curso

Por meio de palestras e vídeos, técnicos do CCZ vão levar aos participantes do curso informações sobre o que é posse responsável de animais domésticos de estimação (cães e gatos); orientações acerca da prevenção de agressões por parte desses animais e as principais zoonoses (doenças) transmitidas. Sobre a fauna sinantrópica (baratas, aranhas, escorpiões, abelhas, vespas, ratos, pombos, morcegos), o curso vai abordar as formas de efetuar o controle e manejo ambiental adequado e prevenção de acidentes.

 Quem é o CCZ

É o órgão técnico da COVISA, da Secretaria Municipal da Saúde, que tem como atribuição o controle das zoonoses urbanas. Metrópoles como São Paulo enfrentam problemas próprios de um grande centro urbano, dentre eles o convívio com inúmeras espécies animais. São cães, gatos, roedores, pombos, morcegos e insetos que podem causar agravos à saúde humana.

O trabalho do CCZ reflete-se em ações para promoção da saúde pública e, neste tópico, a educação tem papel fundamental. As ações educativas propostas devem, necessariamente, exaltar os preceitos éticos, ecológicos, humanitários, científicos e tecnológicos da questão ambiental e preconizar o equilíbrio da relação homem - animal - meio ambiente.

 Acesse aqui a página do do CCZ.