Observatório Martinelli

 

A Prefeitura vai conceder à iniciativa privada os andares 25, 26 e 27 do Edifício Martinelli, além dos espaços comerciais localizados no térreo do edifício, na Avenida São João nº 11. Além do mirante, o vencedor do edital deverá manter um programa de curadoria com espaços expositivos, painéis interativos e acervos relacionados à história do edifício e da cidade e promover ações culturais. Também serão inaugurados loja, restaurante e um café.

Um núcleo de recepção e centro de informações turísticas também serão ofertados à população, que contará com, ao menos, um novo elevador para realizar a visita. O passeio será completo com acesso aos espaços cobertos existentes, incluindo o palacete do Comendador Martinelli.

 

Edital de Concessão

Em 27 de agosto de 2020, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), por meio da São Paulo Urbanismo, publicou no Diário Oficial o edital de concessão do terraço do Edifício Martinelli.

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Conheça a história do Edifício Martinelli

O Edifício Martinelli é um dos primeiros arranha-céus do Brasil e da América Latina. Localizado no centro de São Paulo, entre as ruas São Bento e Libero Badaró e a Avenida São João, o prédio foi idealizado pelo comerciante italiano Giuseppe Martinelli e projetado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger.

Sua construção foi iniciada em 1924 e se arrastou por dez anos, sendo parcialmente inaugurado em 1929, com apenas 12 andares. Devido à disputa pelo título de maior arranha-céu do Brasil com o Edifício “A Noite”, também em obras no Rio de Janeiro, o comerciante Martinelli foi acrescentando novos andares até se convencer de que havia vencido a disputa, alcançando 30 andares e 105 metros de altura. Mais de 600 operários e 90 artesãos trabalharam nas obras.

A obra gerou polêmica, visto que, apesar de reverenciada como um símbolo do progresso econômico e tecnológico da mais nova metrópole, foi criticada por seu porte e contraste em relação ao tecido urbano baixo predominante na cidade. Além disso, houve desconfiança de parte da população por conta da segurança do empreendimento. Para se contrapor a isso, o Comendador Martinelli construiu um palacete na cobertura do edifício para abrigar a residência de sua própria família.

O rico e luxuoso edifício atraiu inquilinos ilustres, como o Hotel São Bento e o Cine Rosário, além de restaurantes, clubes, partidos políticos, veículos de imprensa e boates. A partir da década de 1960, o empreendimento entrou em uma fase de degradação extrema, com precarização das habitações, ocupações por templos e prostíbulos, colapso dos elevadores, acúmulo de lixo nos poços e ocorrência de diversos crimes.

O edifício foi desapropriado e completamente remodelado entre 1975 e 1979 para abrigar órgãos municipais e lojas no piso térreo. Atualmente o edifício é sede das secretarias municipais de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), Habitação (SEHAB) e Subprefeituras (SMSUB), da Companhia Metropolitana de Habitação (COHAB) e da São Paulo Urbanismo, proprietária de alguns andares do prédio, incluindo a cobertura. Atualmente, cerca 80% do prédio pertence à Prefeitura de São Paulo e o restante é de uso privado.

A partir da década de 1980, com a regulamentação pelos órgãos de preservação do patrimônio histórico (CONPRESP e CONDEPHAAT) das diretrizes de preservação de áreas envoltórias de imóveis e espaços públicos próximos, o Edifício Martinelli teve sua volumetria e fachadas tombadas.

Em 2008, a cobertura do edifício foi restaurada e o terraço foi aberto à visitação pública em 2010, permanecendo assim até o início de 2017, quando foi fechado para receber melhorias.