PAIR

Programa de Atenção ao Idoso em situação de Risco pessoal e social para acidentes e violências

Os problemas relativos à violência contra a pessoa idosa tem se tornado uma questão importante para Saúde Pública. A compreensão da complexidade deste tema exige uma abordagem interdisciplinar na formulação de políticas públicas integradas.

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo vem implementando a rede de cuidado de atenção integral às pessoas em situação de violência, articulada com outras redes sociais, que possam oferecer uma atenção de qualidade a estes idosos, além de um sistema de informação que possibilite a produção de dados para o conhecimento das diversas formas de violência e do impacto na vida dessas pessoas e no sistema de saúde. É de fundamental importância que o HSPM participe deste propósito de reconhecer o idoso em situação de vulnerabilidade e violência, acolha os idosos e familiares que necessitam de abordagem psicossocial e médica, notifique os casos de idosos em vulnerabilidade à Promotoria do Idoso e denuncie os casos de violência.

A violência contra a pessoa idosa é uma violação aos direitos humanos. A ênfase na proteção aos direitos humanos das pessoas idosas deve superar as desvantagens existentes e evitar que perpetuem as discriminações e as situações de inferioridade dadas socialmente e culturalmente aos idosos. A violência que os idosos sofrem, em todo o mundo, caracteriza-se por ser generalizada, habitualmente não se denuncia, isto é, é subnotificada e os custos são elevados. Os custos podem ser diretos associados à prevenção e intervenção, como prestação de serviços, processo jurídicos, assistência institucional e programas de prevenção e educação; e indiretos relacionados a menor produtividade, baixa qualidade de vida, sofrimento emocional, incapacidades e morte prematura.

A dificuldade para definir e reconhecer a violência contra a pessoa idosa não deve ser obstáculo para continuar investigando e intervindo. O conhecimento das manifestações dos diferentes tipos de violência é crucial para a intervenção. A avaliação deve ser completa e realizada por vários membros da equipe interdisciplinar, que devem estar preparados para a entrevista e avaliação.

Quando se fala em violência contra as pessoas idosas, pensa-se imediatamente na violência física, mas esta não é a única forma de violência, existem formas veladas e mascaradas, na qual a equipe interdisciplinar tem papel importante na identificação delas, como a violência psicológica, moral, sexual, social, institucional, estrutural e as que resultam de atos de omissão e negligência.
O aumento da expectativa de vida da população brasileira possibilitou o aumento dos percentuais de nonagenários e centenários, a população de idosos com mais de 80 anos, proporcionalmente, é a que mais cresce. Estes idosos, porém, na sua maioria, apresentam algum grau de comprometimento cognitivo e da capacidade funcional, exigindo dessa forma cuidados especiais, mais freqüentemente em domicílio ou em Instituições de Longa Permanência.

E neste cenário surge a necessidade de um novo personagem; cuidador doméstico. O cuidador geralmente é um familiar pouco preparado para essa função, que é assumida em decorrência dos arranjos familiares estabelecidos a partir da situação de dependência a ser enfrentada. Estudos mostram que os cuidadores são na sua maioria mulheres, filhas, de meia-idade, sem filhos, com dependência financeira do idoso, dedicando muitas horas do seu dia para o cuidado e poucas têm revezamento com outra pessoa na função de cuidar, por isso apresentam grande sobrecarga e “estresse do cuidador”, situação esta que se enquadra nos fatores de risco para violência a particularmente para as situações de negligência doméstica. Desta forma, a implantação de programas de orientação e apoio ao cuidador faz parte também da prevenção das diversas formas de violência, principalmente a negligência doméstica.

A violência à pessoa idosa ocorre na sua grande maioria no contexto familiar, praticada por um membro da família. Muitas vezes, em defesa do agressor (filho, filha, neto, neta...) o idoso se cala, omite e muitas vezes, somente a morte sua ou do opressor, cessará a cadeia dos abusos e maus tratos sofridos. É muito difícil penetrar na intimidade da família. Se para algumas mulheres em situação de violência, é difícil denunciar o marido agressor, para as pessoas idosas a dificuldade acentua-se muito mais em denunciar ou declarar que seus filhos são os agressores. Muitas pessoas idosas se culpabilizam pela violência sofrida ou então acham que é normal da idade sofrer a violência. Agrava esta situação a crença existente nos próprios idosos de que a violência sofrida é conseqüência da educação mal-sucedida que eles promoveram a seus filhos, e,portanto, eles são também os responsáveis pelo desrespeito, agressões, abusos e negligências sofridas.

Referência Bibliográfica: Caderno de Violência contra a Pessoas idosa – Secretaria Municipal de Saúde, São Paulo, 2007.