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Prefeitura Regional Penha


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Histórico

Conheça a história da Penha e também da Subprefeitura


Em 2 de agosto de 2002, a antiga Administração Regional, passou a ser denominada Subprefeitura Penha, em função da Lei 13.339 de 01/18/2002 que criou as Subprefeituras no Município. A partir dessa Lei, a Subprefeitura Penha passou a abranger apenas quatro distritos: Penha, Cangaiba, Vila Matilde e Artur Alvim.

 

Origem do povoado

Lancemos um olhar retrospectivo à época da fundação do Colégio de Anchieta e talvez divisemos a remota origem da Penha.
Os inacianos, sob a esclarecida orientação do padre Manuel da Nóbrega, havia pouco tinham erguido a escola e a capela de taipa e algumas palhoças, no planalto de Piratininga.

A cidade nascera humildemente, a exemplo do Menino Jesus, numa manjedoura de palha, mas o seu destino, grandioso, já estava traçado. 
No recém-criado núcleo, se estabeleceram os descendentes de Tibiriçá e Caiubi. Todavia, ninguém se sentia tranqüilo no nascente povoado, pois todos temiam ataques de surpresa.

Por sua vez, os moradores de Santo André da Borda do Campo vieram para São Paulo de Piratininga, por sugestão de Nóbrega e Mem de Sá.
Os goianos, os carijós e os tamoios, coligados, ameaçavam atacar a qualquer momento a paliçada planaltina.

Porém, os previdentes jesuítas instalaram vários aldeamentos até três léguas "por água e por terra" em pontos estratégicos da Vila, como: Guarulhos, Ururai, Barueri, Pinheiros, Carapicuíba, Itaquaquecetuba, Embu, Itapecerica, etc, que funcionariam como linhas de resistência.

O ataque previsto aconteceu em 9 de julho de 1562. João Ramalho, capitão defensor da Vila, seu sogro Tibiriçá, os guaianases e os portugueses repeliram corajosamente a investida, levando os adversários de vencida.
Sucederam, ainda, outros ataques, como o de 1593 e o último de 1596, sendo novamente os inimigos vencidos. Entre os aldeamentos anchietanos, estava o de Ururai, datando mais ou menos de 1560 e que nasceu como um fortim.

Os silvícolas dessa tribo, subordinados ao cacique Piquerobi, eram guaianases e pertenciam à grande nação tupi. Eram arregimentados em aldeias. Tinham áreas primitivas. Possuíam títulos concessionários.

Habitavam toda a margem esquerda do Rio Grande, ou seja, Tatuapé, Penha e São Miguel. Portanto, uma das versões é de que o primitivo arraial da Penha, tenha se originado desse aldeamento. Também é apontada a hipótese de ter sido a trilha por onde os altivos filhos de Tibiriçá teriam acesso à Bertioga.

Outra, seria a de ter sido um pouso ameno, aprazível, de onde se descortinava toda a Vila e onde acampavam os bandeirantes que demandavam as "Minas Gerais dos Cataguás". Por ali alcançavam o vale do Paraíba, através da Serra da Mantiqueira, na altura de Lorena.
Seria, ainda, o carreador onde tropas de burros ou boiadas transitavam a caminho das feiras de gado.

Devemos salientar que, nessa época, nas estradas, havia paradas ou pousos obrigatórios, onde os ranchos de tropas se instalavam. Os itinerantes repousavam. As cavalgaduras eram descarregadas e saciadas. Geralmente, esses locais se situavam à beira dos córregos, para dessedentar os tropeiros e seus animais.

Poderia, ainda, justificar a origem do núcleo penhense, a corrida do ouro, no fim do século 16, nos arredores de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, um dos primeiros aldeamentos criados pelos congregados de Santo Inácio de Loiola.

Muitos outros exploradores sucederam a Afonso Sardinha e seu filho, mediante Cartas de Sesmarias e essas propriedades se estendiam até a Penha, onde, perto do riacho Ticoatira, segundo a tradição, existiu ouro.

São hipóteses que poderiam ser aventadas no tocante à formação do povoado.
Mas, a versão rigorosamente histórica sobre a origem da Penha, é a seguinte:
Desde o Tatuapé às divisas de Guarulhos e São Miguel, estendia-se uma imensa "fazenda com ermida e curral de gado" de propriedade do licenciado Mateus Nunes de Siqueira, adquirida dos sucessores de Francisco Jorge.

A Casa Grande foi construída em 1650, junto ao Córrego do Tatuapé na várzea do Tiête. Constava de um pavimento de chão socado, paredes de taipa de barro, forro de esteiras de taquara e telhas. Rebocada e caiada. Aí se iniciou a fazenda e ao seu redor foram construídas as casas dos colonos. É um dos raros documentos arquitetônicos da história paulistana. Autêntica relíquia do século 17, já tombada pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Subprefeituratístico Nacional. Poderá ser apreciada à rua Guabijú nº 49, Tatuapé.

Consta que Mateus mandou erguer uma capela no topo da colina, no local onde hoje se situa o Santuário de Nossa Senhora da Penha de França.

O povoado, oficialmente, teve começo na segunda metade do século 17, o que é confirmado pela petição abaixo transcrita, que serviu de fundamento à concessão de uma sesmaria feita a 5 de setembro de 1668, pelo capitão-mor Agostinho de Figueiredo.

"Diz o licenciado Mateus Nunes de Siqueira, morador na Vila de São Paulo, que ele suplicante tem uma fazenda com ermida e curral de gado légua e meia desta Vila, na paragem chamada Tatuapé, terras que houve dos herdeiros do defunto Francisco Jorge, e por quanto não tem terras para lavrar e na testada destas terras para o Rio Grande em uma volta que faz o rio tem um pedaço de terra, dentro do qual há algumas campinas, brejais e restingas de mato que se pode lavrar, por isso pede a Vossa Mercê que, como procurador bastante donatário, lha faça mercê dar por sesmaria a terra que pede para maior aumento da capela, havendo também respeito ser o suplicante filho e neto de povoadores e não ter até agora carta de sesmaria; a qual terra correrá de umas Campinas que partem da banda de baixo do ribeirão do Tatuapé, correndo pelo Rio Grande e pela volta que o mesmo faz por uma campina que chamam Itacurutiba até uma aguada que foi o defunto João Leite. E.R.M. Cartório da Tesouraria da Fazenda de São Paulo, Livro 11 de Sesmarias antigas."

Esse é o registro oficial, a certidão de nascimento do bairro da Penha, que dista uma légua e meia ou 8,3 quilômetros do centro da cidade.

Contribuiu notavelmente para esse histórico acontecimento a devoção à Nossa Senhora da Penha de França, que registrada oficialmente um ano antes, já despertara o interesse geral para o lugarejo que se desenvolvia em torno da ermida como casas residenciais, de comércio e pouso.

 

A Padroeira da Cidade

As tradicionais festas de Nossa Senhora da Penha, sempre constituíram um dos grandes atrativos do pitoresco bairro, tanto no passado como no presente.
Ninguém pintou com colorido tão expressivo os festejos penhenses em homenagem à Nossa Senhora, como Jacob Penteado.
Na Avenida Celso Garcia, havia o interminável desfile de carros de todos os tipos, que passavam apinhados de gente rumo ao Santuário de Nossa Senhora da Penha de França.

Os caminhões enfeitados de bambus, onde estavam presas bandeirolas multicores, lanternas venezianas e chinesas que, ao regressar dos romeiros, à noite, voltavam acesas, iluminando os veículos.
A comemoração realizava-se no dia 8 de setembro, dia da Natividade de Nossa Senhora.

Além dos caminhões, passavam carroças e carros de boi, coberto com folhagens, colchas e estandartes, de gente que vinha de longe, viajando dias e dias, pousando nos próprios veículos fazendo mil sacrifícios, para não perder a festa.

Da cidade mesmo, de bairros longínquos, muitos iam a pé em cumprimento a promessas. Os romeiros passavam cantando alegremente, tocando sanfona, viola, cavaquinho e instrumentos de percussão.
Nos arredores da Igreja se situavam as barracas de guloseimas, desde pastéis, empadas e sanduíches até paçoca, pipoca, espiga, batata doce assada e uma infinidade de doces caipiras. A quermesse era bem movimentada e grande era a procura de santinhos e medalhas que, depois, os devotos levavam para o vigário benzer.

Até hoje é revivida, anualmente, essa piedosa tradição, cessando, todavia, o lado profano, pitoresco ou quiçá grotesco, destacando-se evidentemente o caráter religioso da festiva efeméride. A imagem era transladada com suas jóias e alfaias, com grande acompanhamento popular desde a Penha até a Catedral.

O velho costume português da visita de Nossa Senhora da Penha de França à Catedral da Sé foi regularmente mantido até 1875, quando foi interrompido.
Embora Nossa Senhora da Penha de França não tenha sido oficialmente declarada pela Santa Sé, nossa Padroeira, indiscutivelmente, pela tradição secular e pela devoção popular, é cognominada até pelas autoridades eclesiásticas - Padroeira da Cidade de São Paulo.
 


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