Lesões por Esforços Repetitivos e/ou Distúrbios Osteomusculares LER/DORT

DVISAT - COVISA

Definição

As lesões por esforços repetitivos (LER) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) abrangem quadros clínicos do sistema musculoesquelético adquiridos pelo trabalhador submetido a determinadas condições de trabalho.

São considerados sinônimos lesões por esforços repetitivos (LER), distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), síndrome cervicobraquial ocupacional, afecções musculoesqueléticos relacionados ao trabalho (AMERT) e lesões por traumas cumulativos (LTC).

Deverá ser considerado relacionado ao trabalho o caso que apresentar quadro clínico característico; anamnese evidenciar fatores de risco para a ocorrência de LER/DORT e/ou ramo ou atividade forem reconhecidos como fatores de risco.


Descrição

Diante da utilização excessiva imposta ao sistema musculoesquelético podem surgir vários sintomas, concomitantes ou não, de aparecimento insidioso, geralmente nos membros superiores, tais como dor, parestesia, sensação de peso e fadiga. Entidades neuro-ortopédicas definidas como tenossinovites, sinovites e compressões de nervos periféricos podem ser identificadas ou não. São comuns a ocorrência de mais de uma dessas entidades nosológicas e a concomitância com quadros inespecíficos, como a síndrome miofascial. Frequentemente são causas de incapacidade laboral temporária ou permanente.


Causas

As LER/DORT são danos decorrentes da utilização excessiva e da falta de tempo para recuperação do sistema musculoesquelético. O ritmo de trabalho imposto ao trabalhador, bem como longas jornadas de trabalho, falta de pausa, o estabelecimento de metas de produtividade, carga mecânica e estática, vibração, pressão mecânica localizada, exposição ao frio e postura antinatural são fatores desencadeantes das síndromes musculoesqueléticas.

Os fatores de risco interagem entre si e devem ser analisados de forma integrada. Envolvem aspectos biomecânicos, cognitivos, sensoriais, afetivos de organização do trabalho. Com frequência, são agravados após períodos de maior quantidade de trabalho ou jornada prolongadas e, em geral, o trabalhador busca formas de manter o desenvolvimento do seu trabalho, mesmo que às custa da dor.


Sinais e Sintomas

As queixas mais comuns são dor localizada, irradiada ou generalizada, desconforto, fadiga e sensação de peso. Muitos pacientes relatam formigamento, dormência, sensação de diminuição de força e fadiga, edema e enrijecimento muscular, choque e falta de firmeza nas mãos.

Nos casos mais crônicos e graves, podem ocorrer sudorese excessiva nas mãos e alodínea (sensação de dor como resposta a estímulos não nocivos em pele normal).

Sintomas possuem evolução insidiosa até ser claramente percebido. A redução da capacidade de trabalho passa a ser percebida no trabalho e fora dele, nas atividades cotidianas.


Diagnóstico

Deve ser realizado de acordo com as queixas do paciente, história clínica, anamnese ocupacional, exame clínico, exames complementares (exame laboratorial, radiografia, ultrassonografia, ressonância magnética, eletroneuromiografia) e análise do posto e/ou atividade de trabalho in loco, se necessário. Essas etapas possibilitarão o estabelecimento do nexo causal (estabelecimento da relação de causa e/ou agravamento entre o trabalho e o quadro clínico).


Tratamento

O tratamento deve ser realizado com equipe multiprofissional composta por fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeiro, assistente social, psicólogo, profissional de terapias complementares e terapeuta corporal, com uso de técnicas diversificadas para se obter efetividade no tratamento.

Os medicamentos devem ser prescritos de maneira cautelosa. Os medicamentos analgésicos e antiinflamatórios são úteis no combate à dor aguda e à inflamação, mas, se usados isoladamente, não são efetivos no combate à dor crônica. Nesse caso, é necessária associação dos psicotrópicos que proporcionam efeito analgésico e ansiolítico, estabilizam o humor e promovem alteração na simbologia da dor.

A fisioterapia é o tratamento primordial, tendo por objetivo o alívio da dor, o relaxamento muscular e a prevenção de deformidades, proporcionando uma melhoria da capacidade funcional. Deve ser realizada avaliação contínua da evolução do caso e mudanças de técnicas ao longo do tratamento.

A psicoterapia individual ou em grupo é essencial para os pacientes de LER/DORT, para que se sintam amparados em sua insegurança e temor em relação aos conflitos no trabalho, às consequências do adoecimento e às perspectivas de futuro e reinserção profissional.

A terapia ocupacional tem se mostrado útil na conquista da autonomia dos pacientes adoecidos, levando-os a se reapropriar de suas capacidades. As terapias complementares, como acupuntura, do-in , shiatsu, entre outras, têm se mostrado pertinentes ao tratamento.

As atividades em grupo possuem caráter terapêutico, educativo, e propicia momentos de reflexão do processo de adoecimento, discussão de dúvidas e dificuldades, estabelecimento de limites e o resgate da cidadania.

Procedimentos cirúrgicos não têm se mostra úteis, podendo evoluir para dor crônica de difícil controle.

O afastamento do trabalho e a reorganização do trabalho podem ser recomendados.


Notificação

Os casos diagnosticados devem ser notificados:

  • Ao SUS, na Ficha de Notificação do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação);
  • À Previdência Social, por meio da CAT (Comunicação da Previdência Social);


Fonte

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolos de Complexidade Diferenciada: Dor Relacionada ao Trabalho, nº 10 . Brasília, 2006

 

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