Cooperação entre França e São Paulo pode ser ampliada

Delegação francesa visita a cidade


Transportes, Desenvolvimento e Segurança Urbana. Essas são algumas das áreas nas quais São Paulo poderá ampliar a cooperação bilateral com a França. Nesta quinta-feira, dia 25, uma delegação francesa esteve em São Paulo, onde visitou uma favela e se reuniu com prefeito da cidade, os secretários municipais de Relações Internacionais; Segurança Urbana; adjunto de Relações Internacionais e adjunto de Desenvolvimento Urbano.

Prefeito de São Paulo agradeceu a visita da delegação. “Queremos fortalecer as relações bilaterais. Temos uma equipe muito competente comandada pelo secretário de Relações Internacionais e vamos trabalhar para fortalecer os laços entre São Paulo e a França”, afirmou.

Secretário Geral do Ministério do Interior, do Ultra-Mar e das Coletividades Territoriais, Henri-Michel Comet, agradeceu ao prefeito e disse que ambos os lados tem áreas de interesse que podem ser objeto de cooperação. Se referindo à visita que o grupo fez pela manhã à favela Jardim São Francisco Global, Comet disse que o projeto de reurbanização implementado pela Prefeitura paulistana é um exemplo a ser estudado. “Somos países diferentes, mas temos alguns problemas semelhantes”.

Ele informou que presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu à delegação que fosse visitar e conhecer projetos e experiências em vários países. “Somos representantes do Estado Nacional em várias regiões da França e coordenamos as parcerias entre prefeituras e governo federal para a melhor eficácia das decisões governamentais”, disse ele, explicando as funções de um ‘préfet’. “Viemos ao Brasil para verificarmos como vocês atuam e o que descobrimos é que as ações de urbanização e inclusão social desenvolvidas aqui podem nos ajudar lá”.

O secretário de Relações Internacionais lembrou que a França é um parceiro prioritário para São Paulo, não só pela história, cultura e comércio, mas pelas relações humanas. “Visitas de delegações são fundamentais para a troca de informações e expertise. Gostaríamos de mostrar o trabalho que fazemos na cidade. São Paulo é uma cidade complexa e com potencial muito grande, mas com grandes problemas. É uma cidade que impressiona e que tem como característica acolher os estrangeiros que vem para cá”, afirmou.

A delegação identificou os setores de transporte público e urbanização, que são questões sensíveis às duas cidades, como potenciais áreas para parcerias entre São Paulo e França. O préfet de Saône-et-Loire, Michel Lalande, quis saber quais os critérios para estabelecer que a propriedade é o fator estratégico de inserção social, dentro do projeto de reurbanização. “É uma singularidade”, disse ele. O secretário de Relações Internacionais explicou que a moradia é sinônimo de cidadania. “A pessoa só ganha cidadania se tiver uma moradia. Um dos grandes problemas é o fato do cidadão não se sentir dentro do sistema. Daí a a importância da inclusão social”.

O secretário de Segurança Urbana, que já foi secretário nacional de habitação explicou que a experiência de São Paulo mostrou a necessidade de priorizar áreas de vulnerabilidade. “Com cerca de mil favelas, era preciso definir critérios em função da vulnerabilidade, levando em consideração também dados sobre a segurança pública”, segundo ele a atuação deve abranger política urbana, política social e política de segurança. “Além disso, o trabalho envolve ainda obras públicas, saneamento e recuperação ambiental”, esclareceu.

Préfet da região de Île-de-France, préfet de Paris, Daniel Ferey, informou que a capital francesa enfrenta o desafio da segunda etapa do projeto de ampliação do sistema de transporte público. O objetivo, de acordo com ele, é fazer com que as pessoas trabalhem cada vez mais perto do trabalho. A ideia é desafogar o sistema reduzindo os deslocamentos. O secretário-adjunto de Desenvolvimento Urbano, disse que em São Paulo existe o mesmo desafio. “É um desafio permanente”

O Préfet de Île-de-France e préfet de Paris, Daniel Canepa, lembrou que no final dos anos 60 início dos anos 70, a capital francesa enfrentou o problema de favelas. “Hoje, volto a ver um grupo de pessoas sem moradia”, informou ele acrescentando que o projeto que visitaram na capital paulista servirá de exemplo para implementar ações semelhantes.

O secretário de Segurança Urbana informou que atualmente, o Brasil tem um déficit habitacional de sete milhões de moradias. “Nosso maior problema é encontrar um equilíbrio entre a renda do trabalhador e o valor das habitações. As políticas de financiamento e de subsídios para moradias na França são um bom exemplo para o Brasil”, destacou. Ele explicou ainda que a Constituição brasileira determina que a questão da moradia é de responsabilidade das três esferas de poder público (municipal, estadual e federal).

O secretário-adjunto de Relações Internacionais reafirmou o interesse da cidade de São Paulo de fortalecer a cooperação internacional. “Queremos ampliar as relações bilaterais. Esperamos contar com o apoio dos préfets em suas respectivas cidades e regiões para que transmitam às diferentes esferas do poder público o desejo de São Paulo se engajar em novas ações de cooperação”, ressaltou.

Henri-Michel agradeceu a visita e a acolhida da equipe da PMSP. “É nosso dever ampliar a cooperação. Daremos amplitude diferente às iniciativas de São Paulo e também esperamos aumentar as relações bilaterais”. O secretário de Relações Internacionais encerrou o encontro reiterando que os laços que unem a França e São Paulo estarão cada vez mais fortes.