Danças Circulares Sagradas

Atividade permanente - DEA/UMAPAZ

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A Dança Circular tem como objetivo resgatar passos tradicionais dos povos, somados aos passos trazidos pela contemporaneidade para reconectar os indivíduos com eles mesmos, com os outros e com o meio ambiente. Trabalha a convivência harmoniosa, atenção plena no presente, percepção corporal, cooperação, respeito, diversidade, acolhimento, além de sensibilizar para as questões socioambientais. Desde o início da pandemia do COVID-19 estamos realizando o círculo aberto na forma on-line através da plataforma zoom, todas às quartas-feiras de manhã, esta atividade faz parte do Programa de Metodologias Integrativas da UMAPAZ Formação. 

 Coordenação:
Estela Gomes

Público: Aberto

 A atividade encerra o ano em 14/12/2022. Estaremos em período de recesso de 15/12/2022 a 31/01/2023. Reinício em 01/02/2023.

Modo-online:

Dias: Quartas-feiras, no modo-online, somente na primeira quarta de cada mês (03/08; 14/09; 05/10; 09/11; 07/12/2022).

Horário: 10h às 11h (abertura da sala virtual às 9h50).

Local: Zoom
https://us02web.zoom.us/j/88907792065?pwd=NFpaK2k4QUsrblU0MHRGMjV4K0lHQT09

ID da reunião: 889 0779 2065
Senha de acesso: 766599

 

Presencial:

Dias: Quartas-feiras, no modo presencial, demais quartas do mês. 

Horário: 9h30 às 11h.

Local: Espaço da Serraria do Parque Ibirapuera (próximo ao portão 7), acesso na Av. República do Líbano ou no Espaço da UMAPAZ.

Não é necessário realizar inscrição. Atividade gratuita.

 

CICLOS
Por Estela Gomes

O CICLO é o círculo em movimento.
É o decorrer da transição, da transformação.
É a certeza de que tudo muda e nada é permanente.
É a fluidez na qual o tempo e o espaço estão inseridos.
É a roda que gira infinitamente e cada um de seus pontos passa por todo e qualquer lado.
É a ausência de polos, picos e bases.
É a água, a terra, o nitrogênio, o carbono.
É a Lua, o Sol, os planetas, o Universo.
É a cadeia alimentar.
É todo, completo.
É a natureza em si.
É a vida.
É o corpo, as pessoas, as relações, as sociedades, os sistemas.
É o compasso da nossa dança.
Somos nós.
E, ainda sim, tudo.

(Aline Belintani)

Nos últimos dois anos vivemos um tempo inesperado... que jamais imaginávamos viver em toda a nossa história! A crise sanitária provocada pelo COVID-19 nos retirou totalmente do ritmo frenético que vivíamos, dos grandes círculos de mãos dadas onde dançávamos e nos sentíamos tão felizes e confortáveis, das aglomerações e de tantas atividades e grupos que pertencíamos. Afinal não respeitamos o descanso e a regeneração como fazendo parte de um ciclo natural e saudável de vida... a humanidade toda foi convidada a se recolher e literalmente voltar para casa.
Com todos os desafios e perdas que sofremos (de amigos e entes queridos, de trabalhos, de grupos, de formas de viver...) o círculo da Dança Circular seguiu sendo realizado de forma on-line, em pequenos espaços recriados em nossas próprias casas e espaços particulares. Os grandes círculos se transformaram em círculos bem pequenos e muitas vezes imaginários, no passado ou no futuro. Mas aprendemos juntos que mesmo sem darmos as mãos, podíamos seguir dançando em nossos próprios espaços pessoais, com os corações unidos com o grupo. Isso nos nutriu e fortaleceu. Nos aproximou de novas maneiras e possibilidades de encontro. Esperançamos podermos nos encontrar para dançar.
Nos reunimos com dançantes de outras cidades, estados e países com uma frequência muito maior e celebramos nossa linguagem comum: o movimento! Estes círculos também nos apoiaram para enfrentarmos os desafios deste tempo.
Aos poucos vimos as coisas se transformando. Alguns de nós se encontraram em 2021 para dançar de novas formas, dançando juntos no espaço circular, de máscaras e sem darmos as mãos. Outras pessoas ainda não se aventuraram por não se sentirem seguras, mas aos poucos vamos buscando novos ajustes e estruturações para seguirmos dançando juntos.
O convite para este ano de 2022 é dançarmos os CICLOS.
Um tema bem amplo e assim muito pertinente para dançarmos e construirmos novos sentidos para nossa dança. Podemos nos reconectar com a ciclicidade da vida. Podemos nos reconectar ao Meio Ambiente. Podemos nos reconectar com os valores que sustentam a Cultura de Paz.
Tudo é cíclico. Tudo está em constante transformação. Toda a nossa vida é guiada por ciclos dentro de ciclos, ciclos de dentro e ciclos de fora, cada qual em seu tempo e espaço sagrados. A todo momento estamos experenciando o ciclo vida-morte-renascimento. O dia se torna noite, a noite se torna dia. O verão se torna outono, depois inverno e primavera.
Para que o novo dia possa nascer, somos a cada dia convidados simbolicamente a deixar algo morrer. A noite morre para que o amanhecer possa acontecer.
Ieve e Naíla, na Mandala Lunar, dizem que “ao longo de milhões de anos, nosso corpo foi interagindo e se adaptando ao mundo natural. Somos interdependentes e conectados aos ritmos da vida. Precisamos de oxigênio para respirar, da luz do Sol para ativar nossos processos biológicos, dos alimentos (frutos da terra) para nos nutrir e da escuridão para nosso corpo descansar e se regenerar. Estamos vivos e conectados à vida. A natureza não está fora de nós porque nós somos a natureza.”
Se olharmos tanto para fora como para dentro de nós, podemos observar que tudo funciona em ciclos: dia e noite, fases da lua, ciclo da água, do oxigênio, do carbono e nitrogênio e até nosso próprio ciclo respiratório, renovando a vida e movendo tudo na dança entre expansão e recolhimento. E todos estes ciclos sendo como voltas, eles nunca retornam ao mesmo lugar. São parecidos com espirais, onde um dia não é igual ao outro e podemos observar que uma árvore floresce de forma diferente a cada primavera.
Muitas vezes queremos comer as mesmas frutas durante o ano todo, não respeitando a ciclicidade das estações. Assim também nossa sociedade celebra a juventude, a alegria ou o casamento e não nos prepara para entrar em contato com o envelhecimento, a tristeza e as separações. Mas ao nos desconectarmos ou não aceitarmos os ciclos naturais, acabamos por nos desconectar também de nossa origem, história e natureza selvagem. Quanto mais observamos e conhecemos nossos próprios ciclos e os ciclos à nossa volta, podemos fazer escolhas mais adequadas para nossos corpos, saúde, buscas e ações.
A Dança Circular se realiza em círculo, esta forma geométrica que simboliza a Unidade, a totalidade, o que não tem começo nem fim. Caminhamos na linha do círculo, para o centro, para fora e retornamos a ele. Passamos muitas vezes pelo mesmo ponto, mas que não pode ser percebido e sentido da mesma maneira, pois a cada instante já não somos os mesmos. Ciclos dentro de ciclos.
A Dança Circular é uma bênção, um oásis de oportunidades de nos reconectarmos com o sentir de diferentes formas: alegria, serenidade, desconforto, melancolia, saudade, incômodo, fluidez, amor...Por meio da música, dos passos, dos movimentos e gestos nos auxilia a acolher em nós o que sentimos e nos convida ao reequilíbrio dinâmico das energias yin e yang. Desta forma vamos nos fortalecendo para seguirmos com fluidez em nosso cotidiano.
Que este novo ano seja repleto de novas conexões com os ciclos! Vamos dançar!

Referência bibliográfica:
Holthausen, I. e Andrade, N. Mandala lunar: um caminho de autoconhecimento feminino, 2021
https://www.mandalalunar.com.br/

 

 DANÇA CIRCULAR EM TEMPOS DE PANDEMIA DO COVID-19

por Estela Gomes

A dança sempre fez parte da história da humanidade e as Danças Circulares (DC) ou Danças Circulares Sagradas (DCS) têm como origem as Danças dos Povos realizadas nas diversas comunidades que dançavam para celebrar a vida nas suas mais diversas dimensões: cultural, artística, social, educacional, terapêutica. Os povos tradicionais dançavam para honrar o sol, a lua, os animais, as plantas, os ciclos, dançavam as mudanças de estação, o plantio, a colheita, as festividades, nascimento, puberdade, casamento, morte, o trabalho comunitário e a conexão com o grande mistério da vida.

Com a formação da UMAPAZ – Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de São Paulo no ano de 2006, tendo como missão fomentar e facilitar a formação de pessoas, em todas as regiões de São Paulo e ao longo de suas vidas, para a convivência socioambiental sustentável e pacífica; as Danças Circulares (DC) passaram a integrar a metodologia de aulas unindo educação ambiental e cultura de paz. Foram implantados a partir de 2006 um círculo aberto semanal, cursos de formação para profissionais da rede da Saúde do Município de São Paulo em parceria com a Secretaria da Saúde e para Educadores Ambientais usando as danças como recurso de trabalho com a ecologia interior, social e ambiental (WEIL,1993) e ao longo dos anos outros cursos e atividades foram sendo construídos e implementados.

O círculo aberto semanal configura-se como espaço fértil para vivência de temas relacionados ao meio ambiente e cultura de paz tais como: respeito, inclusão, diversidade, cultivo da amorosidade, autoconhecimento, tolerância, cooperação e por ser uma atividade aberta, qualquer pessoa ou pequenos grupos que estejam presentes no dia e local onde ocorre a roda, podem saborear o encontro e vivenciar a força do círculo através da prática das danças e das reflexões propostas.

Em 2006 o círculo começou com 8 a 12 pessoas e com o passar do tempo foi crescendo, sendo que em fevereiro de 2020 contava com uma média de 60 participantes por encontro, formando belos desenhos circulares, espirais, duas a três rodas compondo o espaço do auditório da sede da UMAPAZ ou os espaços livres na área da serraria do Parque Ibirapuera. Observamos que o grupo é formado por uma maioria de pessoas que participa com frequência, mas a cada encontro as pessoas novas são facilmente acolhidas pelos que participam há mais tempo, se integrando ao círculo sendo auxiliadas pelos que já participam da atividade.

Com a pandemia do COVID-19 a partir de março de 2020 na cidade de São Paulo, o círculo aberto passou a ser realizado de forma on-line pela plataforma Google Meet e posteriormente pelo Zoom. Houve aderência do público participante das atividades presenciais que logo migrou para o on-line como uma forma de se encontrar para dançar, estar juntos, conviver, aprender e se fortalecer por meio do encontro. Pessoas de outras cidades, estados e países, que nunca tiveram oportunidade de participar das atividades da UMAPAZ, passaram a frequentar o espaço semanal do círculo on-line e contribuir com suas reflexões, levar para seus espaços e círculos o que vivenciavam neste espaço educador e serem multiplicadores de nossas ações, valores e forma de atuarmos com as Danças Circulares.

O tema trabalhado durante 2020 e 2021 no espaço do círculo aberto de DC foi DANÇANDO A NATUREZA, tendo a natureza como grande fonte de inspiração para o gesto dançante, todos os passos e movimentos da nossa dança e aprendizado de novas formas de ser e habitar o planeta. Dançamos a natureza como um grande convite para o mergulho em nossas próprias casas e espaços habitados, nosso próprio corpo, sentimentos e pensamentos durante a grande crise planetária e tempos de incerteza.

Dançamos a natureza interior e exterior, dançamos as transformações das relações com nossos próprios espaços e formas de viver, buscamos outras formas de consumir, de preparar o alimento, de cuidar da casa e do corpo, dançamos novos cotidianos e aprendemos a nos mover buscando harmonia diante dos inúmeros desafios.

Não pudemos nos encontrar presencialmente e dar as mãos nos anos de 2020 e 2021, mas mantivemos os olhos dados (termo cunhado pela dançante Regina Baldin Saponara) e os corações conectados. O círculo aberto e os cursos de DC promovidos de forma on-line têm sido ricos espaços de encontro, troca, sustentação e nutrição dos participantes, inspirando novas formas de nos transformarmos em pessoas melhores e atuarmos pelo bem comum.

 

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