48 - Imigrantes no Cadastro Único: Perfil dos cadastrados e dos beneficiários

Mais de 60% dos imigrantes inscritos no CadÚnico estão desempregados. Dos que trabalham, 80% atuam por conta própria. Publicação aponta as principais características desse grupo social fortemente impactado pela pandemia do novo coronavírus

 A cada 10 imigrantes cadastrados e beneficiários do Cadastro Único (CadÚnico), 6 estão desempregados. Esse é um dos resultados de um amplo estudo elaborado pela Prefeitura de São Paulo, por meio das secretarias municipais de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC).

O objetivo da análise é, ao mesmo tempo, refletir sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus aos imigrantes, marginalizados a situações de forte vulnerabilidade social, e servir como subsídio para a continuidade das políticas de inclusão dos imigrantes na cidade de São Paulo, qualificando as já implantadas e planejando as futuras ações, sempre em prol de uma cidade diversa e inclusiva. Acesse o estudo na íntegra.

Para o estudo foi utilizado o banco de dados do CadÚnico da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS). O CadÚnico é a porta de entrada para o recebimento de uma série de benefícios socioassistenciais, sejam eles municipais, estaduais e/ou federais. No munícipio de São Paulo cabe a SMADS garantir o contínuo cadastro, a atualização e a consistência dos dados.

Há 42.212 imigrantes inscritos no CadÚnico, de acordo com cadastro de agosto de 2020. Apesar de representar apenas 1,3% do total dos 3.345.467 inscritos no Cadastro, esse número se torna relevante ao considerar que ele corresponde a 12% do total da população imigrante residente da cidade de São Paulo.

Os imigrantes que integram o CadÚnico moram, em sua maioria, na região central da cidade, são do sexo feminino (54,9%) e se declaram pardos (41,6%). Vale o destaque também para aqueles que se consideram pretos (21,9%), número três vezes maior registrado para os não imigrantes.

Bolívia (34,8%), Haiti (13,0%), Angola (8,8%) e Venezuela (7,7%) são os principais países de origem desses imigrantes. Em termos continentais, a América Latina (61,6%) lidera com ampla vantagem.

A maior parte dos imigrantes (61,4%) concentra-se nas faixas de idade com potencial para o mercado de trabalho, isto é, dos 15 aos 59 anos. Mesmo apresentando um maior grau de escolaridade em relação aos não-imigrantes, o desemprego é frequente a esse grupo: 61,3% deles declaram estar desempregados. Já para aqueles que trabalham, a informalidade é evidente, visto que 80% atuam por conta própria. Os resultados podem ser explicados por conta das barreiras que os imigrantes enfrentam, como diferença linguística, regularização migratória, revalidação de diplomas e até xenofobia.

O estudo do Município também abordou as características das famílias dos imigrantes inscritos no CadÚnico. A vulnerabilidade social também apareceu com veemência, visto que 51,8% das famílias estão na faixa de extrema pobreza (renda familiar até R$ 89) ou pobreza (R$ 89,01 a R$ 178,00), conforme dados de setembro de 2020.

Com relação aos benefícios assistenciais permitidos a partir da inscrição do CadÚnico, o Bolsa Família e o Auxílio Aluguel ganham destaque e são recebidos, ao mesmo tempo, pela maior parte das famílias imigrantes.

O novo estudo é resultado de uma parceria firmada entre SMUL e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania – SMDHC, que já rendeu outros Informes Urbanos, como “Violência contra a mulher na cidade de São Paulo”, “Retrato da pessoa idosa na cidade de São Paulo” e “Imigrantes na cidade de São Paulo: cinco anos de atendimento do Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes – CRAI”.

Acesse o estudo na íntegra.