Cidade de São Paulo inaugura Hub Green Sampa, primeiro centro voltado para startups de tecnologias verdes e sustentabilidade

Equipamento está instalado na Praça Victor Civita, Pinheiros, que está sendo revitalizada



A Prefeitura de São Paulo inaugurou neste sábado, 5 de junho, data em que se é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Centro de Inovação Verde Bruno Covas - Hub Green Sampa, primeiro espaço com a temática na Capital. O espaço tem como objetivo incentivar o desenvolvimento de startups que atuam no setor de tecnologias sustentáveis, por meio de residência, mentorias e acelerações.

O Hub Green Sampa é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, operado pela agência Ade Sampa, e está instalado no histórico prédio do Incinerador, onde antigamente era realizada queima de lixo na Capital e agora passa a ser um local de sustentabilidade, localizado na Praça Victor Civita, zona oeste, que também está sendo revitalizada pelo Instituto Idemas por meio de parceria com a Farah Service, referência em recuperação de áreas verdes, públicas e melhorias urbanas em geral.

O prédio, que já foi sede do Museu da Sustentabilidade, agora está pronto para ser reutilizado como um grande centro de inovação para o desenvolvimento de negócios ambientais e tecnologias verdes. O hub começa a funcionar a partir de 7 de junho, das 10h às 14h, mediante agendamento durante o período de pandemia pelo site www.bit.ly/greensampaagendamento.

“Este espaço era um dos sonhos do prefeito Bruno Covas, que tinha como prioridade a sustentabilidade ambiental da cidade e enxergava a economia verde como um os vetores da economia do futuro”, declara a secretária de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Aline Cardoso. “A partir de agora as startups verdes da cidade contam com um espaço para alavancar seus projetos, contribuindo com uma cidade mais verde, limpa, renovável e sustentável”, complementa.

 

O hub, que conta com três pavimentos, recebeu investimento de R$ 1,7 milhão para uma grande reforma de adequação do prédio, que durou 17 meses, além da compra de equipamentos. O espaço térreo conta com 25 posições de trabalho, uma área de eventos para 50 pessoas, além de comedoria e espaço de interação. O primeiro andar oferece 50 estações de trabalho, sala de reuniões para 16 pessoas, uma varanda para realização de eventos com linda vista para a Praça, um estúdio para produção de materiais de áudio e três phone booths - áreas reservadas dentro do escritório, com o objetivo de criar um ambiente privativo e garantir o sigilo de conversas e informações.

No segundo andar os empreendedores terão 40 posições de trabalho, três phone booths, uma sala de reuniões com capacidade para oito pessoas e a segunda varanda para a realização de eventos.

O complexo conta também com um Teia, coworking gratuito da Prefeitura de São Paulo, que apoiará empreendedores com posições fixas e livres de trabalho, computadores com internet, wi-fi, networking com empresas de grande porte e participação em eventos, além de conteúdos de apoio ao empreendedorismo. O espaço também inicia o funcionamento em 7 de junho, mediante agendamento pelo site www.bit.ly/greensampaagendamento.

O local promoverá também ações para a incubação e a aceleração de 20 negócios sustentáveis e tecnologias verdes levando em conta especialmente a inovação e modelos colaborativos. “Criamos o Hub Green Sampa para que ele seja o centro de desenvolvimento de uma nova economia, mais sustentável e geradora de emprego e renda”, declara o presidente da Ade Sampa, Frederico Celentano. “Nosso propósito é apoiar o ecossistema de tecnologias verdes, criando sinergia entre os diferentes atores, gerando a conexão entre grandes empresas e startups verdes, aproximando-os de centros de pesquisas, universidades, aceleradoras e fundos de investimento, convergindo para a criação de uma cidade e um país mais sustentável”, complementa.

O Hub Green Sampa está com o seu plano de atividades em fase de desenvolvimento onde serão executadas, com o apoio de parceiros, desafios de inovação aberta envolvendo tanto grandes empresas quanto o poder público na área de governança ambiental, webinars e workshops com foco em atração de investimentos de impacto, dentre outros. Também serão realizados encontros de mercado para debater temas que envolvem a sustentabilidade, cenários futuros e novas tecnologias, além de promover o networking entre o ecossistema de inovação verde de São Paulo.

Para ser uma das 20 residentes fixas, que utilizarão toda a infraestrutura do local de forma gratuita por um ano, as startups que produzem tecnologias verdes aplicáveis às demandas das grandes empresas e concessionárias que fornecem serviços para São Paulo puderam se inscrever até esta sexta-feira, 4 de junho.

Ao todo, 50 startups se inscreveram para participar do programa de residências. Destes, 32% fazem parte do eixo de resíduos sólidos, 22% de Indústria Limpa e Reversa, 14% de Ecoagricultura e Segurança Alimentar, 10% de Parques e Áreas Verdes, 8% de Mobilidade Urbana e Transporte, 6% de Qualidade de Água e Saneamento, 4% de Eficiência Energética e Energia Limpa e 2% de Eficiência e Clean Web e Qualidade do Ar.

Em relação a raça e cor, 64% se declararam brancos, 16 % pardos, 10% amarelos, 3 6% negros e 2% indígenas. Já no quesito gênero, 52% são homens e 48% mulheres. A faixa etária entre os inscritos varia, 84% têm 30 anos ou mais, 14% entre 24 a 29 e 2% tem entre 18 e 23 anos. Quando se fala de grau de escolaridade, 48% tem pós graduação completa, 28% com superior completo, 12% tem superior incompleto, 6% conta com pós graduação incompleta, 4% ensino médio completo e 2% com ensino médio incompleto. Com relação a renda per capita dos inscritos, 28% tem renda de 2 a 4 salários mínimos (28%), 20% de 4 a 6 salários mínimos, 16% de até 1 salário, 14% acima de 6 salários mínimos, 12% de 1 até 2 salários mínimos e 10% não declararam.

Uma banca de especialistas selecionará os projetos dentro de nove eixos: água e saneamento; ecoagricultura e segurança alimentar; eficiência e clean web; eficiência energética, energias limpas e armazenamento energético; indústria limpa e logística reversa; mobilidade urbana e transportes; parques e áreas verdes; qualidade do ar e resíduos sólidos. A banca é composta por representantes do poder público municipal e estadual, além dos parceiros do setor privado, e o resultado final dos vencedores será divulgado em 24 de junho.

As 20 startups serão selecionadas considerando a maturidade de cada negócio. Na Ideação, participam negócios que estão em fase inicial de seus projetos, construindo e levantando hipóteses, identificando o problema e a lacuna de mercado, com foco em empresas já existentes no mercado que querem desenvolver um produto ou serviço novo. A Validação é para iniciativas existentes, cujo produto e modelo estão em experimentação, testados e com MVP - Produto Viável Mínimo, pronto ou em construção. A Tração tem como objetivo acelerar negócios existentes que contam com clientes e geram receita, mas que estão em fase de identificação de áreas para crescer. E a Escala é para negócios estruturados, com espaço no mercado, com desafios de crescimento constante e investimento para expandir e replicar.

Histórico
Entre 1949 e 1989, o local onde está localizada a Praça Victor Civita contou com o funcionamento de um incinerador de lixo que queimava, entre outros resíduos, material hospitalar. Ele foi desativado devido ao desenvolvimento do bairro. Após esse período, cooperativas de reciclagem deram um novo uso ao local, utilizando como depósito de lixo. O contato prolongado do solo com esse tipo de resíduo fez com que a superfície da terra ficasse contaminada.

Em 2008 por meio de uma parceria público-privada entre a Prefeitura de São Paulo, Grupo Abril, Itaú, Even e Petrobrás, a Praça foi reinaugurada. Na época, a ideia era recuperar o terreno de 13.648 m² que estava abandonado e criar um espaço de convivência, além de contribuir para a revitalização da região. O local esteve ativo até 2014, atraindo mais de 200 mil pessoas por ano, mas foi gradualmente desativado.

Anteriormente, funcionava ali uma associação de catadores de lixo e o incinerador Pinheiros, conhecido como Sumidouro. Diante desse histórico, o local apresentava focos de contaminação, o que tornou a revitalização um desafio para os profissionais envolvidos.

Em 2020, a Prefeitura de São Paulo anunciou a instalação do Hub Green Sampa na Praça Victor Civita, através da assinatura de um acordo de cooperação entre a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e o Instituto Idemas e do termo de parceria para a cessão do prédio do incinerador para a Ade Sampa - Agência São Paulo de Desenvolvimento, agência vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, para a gestão do Hub.

A revitalização da Praça Victor Civita, conduzida pelo Instituto Idemas, por meio de parceria com a Farah Service e apoio do Carrefour e da Sabesp, está na fase final do projeto e tem reinauguração prevista para o segundo semestre deste ano.

Green Sampa
O programa Green Sampa foi lançado em 2019 pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, com o mapeamento de empresas, startups verdes e stakeholders, analisando o ecossistema e aproximando startups das ações do programa. Durante o evento, a Prefeitura de São Paulo assinou um protocolo de intenções com a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, que tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento sustentável do Estado de São Paulo, por meio do Green Sampa.

Anualmente, o programa oferta chamadas para aceleração de empresas de tecnologias verdes, oferecendo qualificação em temas de gestão por meio de oficinas, mentorias coletivas e individuais, rodadas de negócio e demodays. Além disso, o programa oferece também encontros de mercado, eventos de desafios lançados por empresas que desejam patrocinar soluções tecnológicas para seus processos e exposições de tecnologias verdes.

Desde sua criação, o programa já promoveu o mapeamento com mais de 400 stakeholders e diagnósticos de empresas de acordo com os eixos de atuação, implementou uma plataforma de mentorias on-line e criou uma rede de mentores especializados. Em 2020, 100 startups verdes receberam orientações individuais e coletivas na plataforma on-line. Em 2019, 24 startups foram aceleradas e tracionadas.

Durante o mapeamento de negócios ambientais, o programa Green Sampa identificou que este ecossistema é jovem, composto por 17% das empresas criadas em 2018 e 31% em 2019, e mesmo com o início da pandemia, 15% das startups verdes iniciaram suas atividades em 2020. Das 115 iniciativas participantes, 37% das soluções se identificaram com o eixo de resíduos sólidos e 30% com o eixo de indústria limpa e logística reversa.

Neste mapeamento também foi possível observar que 82% dos negócios indicaram possuir entre 1 e 10 funcionários, 10% entre 11 e 20 e apenas 8% entre 21 e 50 pessoas. Em relação à maturidade e estágio de desenvolvimento dos negócios mapeados, 37% dos respondentes se autodeclararam em MVP - Mínimo Produto Viável, 29% em fase de tração e 12% ainda estão na fase de ideação do negócio.

Serviço
Hub Green Sampa

Data: de segunda a sexta-feira
Horário: 10h às 14h
Agendamento pelo link: www.bit.ly/greensampaagendamento

Por: Damaris Rodrigues

 

 

 

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