Biblioteca Mário de Andrade - Programação de Dezembro

Dezembro 2019

LITERATURA

Histórias Brasileiras: diálogos africanos em documentos coloniais, com Aldair Rodrigues e Mariza Soares; mediação de Guilherme Tauil e Rosane Borges
Os Diálogos Makii foram escritos em 1786 por Francisco Alves de Souza, ex-escravo africano natural da Costa da Mina, no Golfo da Guiné. Souza pertencia à Congregação Makii, irmandade católica fundada por africanos Mina-Makii na cidade do Rio de Janeiro, cujos principais objetivos eram enterrar dignamente seus membros e cuidar de enfermos e necessitados. Em 1783, a morte do rei da congregação desencadeou um conflito sucessório, e Souza foi eleito novo rei. A pedido dos congregados, ele escreveu este longo texto, composto de dois diálogos. O primeiro trata da conversão de escravos africanos ao catolicismo e do conflito sucessório que o elegeu. O segundo narra a conquista da Costa da Mina por portugueses e holandeses. A historiadora Mariza de Carvalho Soares pesquisa esse manuscrito e os documentos a ele relacionados há mais de vinte anos. O também historiador Aldair Rodrigues pesquisa a relação dos Makii com a Inquisição no Brasil. O encontro será mediado pela jornalista Rosane Borges e pelo editor Guilherme Tauil.
Data e horário: 03 de dezembro, às 19h
Local: Espaço Tula Pilar Ferreira

Lançamento da Coleção Grua Guarda, com bate-papo entre Paulo Rodrigues e Carlos Eduardo de Magalhães, com mediação de Bruno Gambarotto.
Os romances À margem da linha e Os Jacarés tiveram sua primeira edição publicada pela editora CosacNaify em 2001. As moças, peça icônica da contracultura do final dos anos 60, teve sua primeira montagem em 1969. Os livros são os primeiros títulos publicados da coleção GRUA Guarda, uma coleção de literatura brasileira que traz à luz livros publicados há pelo menos 10 anos e que estavam fora de catálogo. Livros que dialogam com o presente, mantêm a atualidade e, sobretudo, o prazer da leitura.
Data e horário: 03 de dezembro, às 19h
Local: Terraço - 3º andar

Uma aula: Amara Moira sobre Ulysses, de James Joyce
Experimento literário dos mais radicais no século XX, mas também um dos mais desafiadores, o Ulysses de James Joyce é um livro que assusta mesmo antes de ser aberto e que, sem a devida orientação, raros leitores conseguem chegar até sua última página. Para desfazer essa sensação de dificuldade intransponível, a palestrante irá trabalhar fragmentos da obra que sirvam tanto como preparação a uma primeira leitura quanto como reflexão sobre o que língua e literatura são capazes. Amara Moira é travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp (com tese sobre as indeterminações de sentido no Ulysses de James Joyce e a traduzibilidade dessas indeterminações) e autora do livro autobiográfico E se eu fosse puta (hoo editora, 2016) e do monólogo em pajubá Neca, publicado na antologia A Resistência dos Vagalumes (Nós, 2019).
Data e horário: 05 de dezembro, às 19h
Local: Espaço Tula Pilar Ferreira

Clube de Leitura Leia Mulheres São Paulo discute Sobre os ossos dos mortos, de Olga Tokarczuk.
No dia 7/12, o clube de leitura Leia Mulheres se reúne na Mário para discutir Sobre os ossos dos mortos, de Olga Tokarczuk. Em uma remota região da Polônia, uma professora de inglês aposentada costuma se dedicar ao estudo da astrologia, à poesia de William Blake, à manutenção de casas para alugar e a sabotar armadilhas para impedir a caça de animais silvestres. Sua excentricidade é amplificada por sua preferência pela companhia dos animais aos humanos e pela crença na sabedoria advinda do estudo dos astros. Subversivo, macabro e discutindo temas como mundo natural e civilização, este livro parte de uma história de crime e investigação convencional para se converter numa espécie de suspense existencial.
Olga Tokarczuk oferece um romance instigante sobre temas como loucura, injustiça e direitos dos animais. Olga Tokarczuk (1962), é o nome mais premiado da literatura polonesa contemporânea. Seus livros já receberam as principais distinções de seu país, além de importantes prêmios para tradução na língua inglesa, como o Man Booker Prize. Em 2019, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
Data e horário: 07 de dezembro, às 16h
Local: Espaço Tula Pilar Ferreira

Lançamento de Corpos, de Arthur Lungov, e bate-papo com o autor
Corpos é um livro de poemas ilustrados que explora o corpo humano enquanto signo poético, objeto de leituras e releituras que não partem propriamente da fisiologia, mas dos campos de significação (construção de memória, de personalidade, de narrativa) implicados no corpo. No dia 05 de dezembro, o livro será lançado após uma apresentação do volume pelo poeta Arthur Lungov.
Data e horário: 05 de dezembro, às 19h
Local: Terraço - 3º andar

Leituras e Lançamentos de Quadro de força, livro de poemas de Fabio Weintraub, e Gravata lavada, romance de estreia de Pádua Fernandes
Lançamento conjunto de obras que, a despeito da diferença no tocante ao gênero literário (poesia e romance), têm como ponto de contato a tematização da transfobia. Os autores farão uma breve apresentação de suas obras, entremeada pela leitura comentada de trechos dos livros, ao que se seguirá uma sessão de autógrafos.
Data e horário: 09 de dezembro, às 19h
Local: Auditório e saguão

ALGARAVIA! Homenageia Cecília Meireles, com os poetas Edimilson de Almeida Pereira, Ismar Tirelli Neto e Veronica Stigger, e o músico Rodrigo Prado
Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 1901 e faleceu em 1964. Foi poeta, ensaísta, cronista, folclorista, tradutora e educadora. Em 1919, publicou o seu primeiro livro de poemas, Espectros, e, daí em diante, escreveu algumas das principais obras da poesia de língua portuguesa de todos os tempos. De sua extensa obra, pode-se destacar Viagem (1937), Vaga Música (1942), Mar Absoluto (1945), Retrato Natural (1949), Romanceiro da Inconfidência (1953) e Ou Isto Ou Aquilo (1965).
Data e horário: 10 de dezembro, às 19h
Local: Espaço Tula Pilar Ferreira.

Escritor na Biblioteca: João Silvério Trevisan conversa com Cristina Judar e Robson Borges
A última edição do Escritor na biblioteca de 2019 recebe o autor de A idade de ouro do Brasil (2019), Pai, Pai (2017) e Devassos no Paraíso (2000), entre outros, para falar da sua trajetória na arte e na militância. Trevisan responde a perguntas de Cristina Judar, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura em 2018 e organizadora da antologia A resistência dos vagalumes, que homenageia João Silvério, e do jornalista Robinson Borges, editor de cultura do Jornal Valor.
Data e horário: 12 de dezembro, às 19h
Local: Auditório

CLUBES DE LEITURA
44º Café literário discute O livro do desassossego, de Fernando Pessoa

No último encontro de 2019 do Café Literário, mediado por Janaína Soggia, discute-se O livro do desassossego, de Fernando Pessoa. A obra, composta de centenas de fragmentos, dos quais Fernando Pessoa publicou apenas doze, tem o semi-heterônimo Bernardo Soares como narrador principal. Oscilando entre temas como as variações de seu estado psíquico, a paixão, a moral e o conhecimento, o livro não apresenta uma narrativa linear; antes é composto de diversos trechos e partes que se articulam de maneira mais ou menos aberta. Ainda assim, é a obra de Pessoa que mais se aproxima do romance.
Data e horário: 01 de dezembro, às 15h
Local: Auditório

A mulher e o tempo discute A arte de ser leve, de Leila Ferreira
Nessa jornada das mulher pelos livros, vamos conhecer algumas escritoras que olham para o nosso presente para discutir temas caros ao desafio do cotidiano feminino. Dentre eles, destacam-se: a beleza (im)possível, amizades e vínculos criados, o amor desejado, filhos e a maternidade, a maturidade conquistada, o envelhecimento desafiante, a ilusão construída, a depressão, o papel da família, a morte e a redescoberta de si e dos novos caminhos possíveis.
Data e horário: 08 de dezembro, às 15h
Local: Auditório Rubens Borba de Moraes

Clube de Prosa discute As meninas, de Lygia Fagundes Telles
No encontro de dezembro, o Clube de Prosa, mediado por Heitor Botan, discute As meninas, de Lygia Fagundes Telles. Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso. As meninas colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.
Data e horário: 11 de dezembro, às 19h
Local: Sala do Pátio - 3º andar


CINEMA
Em dezembro, a programação de cinema celebra o nordeste brasileiro com uma sessão dupla de Kleber Mendonça Filho. Às 16h, a Matinê exibe Aquarius, obra de 2016, com Sônia Braga, Maeve Jinkings e Irandhir Santos, em que a jornalista aposentada Clara defende seu apartamento, onde viveu a vida toda, do assédio de uma construtora. Às 19h, o Cinemario encerra o seu ciclo com Bacurau, lançamento de 2019 que angariou mais de 500 mil espectadores para conferirem as narrativas de Domingas, Lunga e da própria cidadezinha.
Aquarius
Clara (Sonia Braga) tem 65 anos, é jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos. Ela mora em um apartamento localizado na Av. Boa Viagem, no Recife, onde criou seus filhos e viveu boa parte de sua vida. Interessada em construir um novo prédio no espaço, os responsáveis por uma construtora conseguiram adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o dela. Por mais que tenha deixado bem claro que não pretende vendê-lo, Clara sofre todo tipo de assédio e ameaça para que mude de ideia.
18 anos | 2016 ? 2h 26m
16h, Auditório

Bacurau
Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.
16 anos | 2019 ? 2h 12m
19h, Auditório

TEATRO
Bispo a seco

Direção e atuação de João Miguel
Bispo a seco é um espetáculo inspirado em um dos maiores artistas brasileiros, Arthur Bispo do Rosário (1909-1988), negro, sergipano, trancafiado na Colônia Juliano Moreira, onde passou 50 anos, no Rio de Janeiro, catalogado como “esquizofrênico paranoide”.
Data e horário: 2 e 9 de dezembro, às 19h
Local: Espaço Tula Pilar Ferreira

ARTES VISUAIS
Exposição “Terra, terreno, território”, de Dani Sandrini

Terra Terreno Território dá nome à exposição da fotógrafa e artista visual Dani Sandrini, que a partir de 5 de outubro estará aberta ao público na Biblioteca Mario de Andrade, centro de São Paulo. Na exposição, Dani utiliza uma técnica do século XIX para registrar a vida nas aldeias guaranis que ainda sobrevivem nas zonas sul e oeste da capital paulista, bem como a de indígenas que migraram de aldeias de todo o país. A impressão é feita em papéis sensibilizados com o pigmento extraído do fruto jenipapo - o mesmo que muitos indígenas usam nas suas pinturas corporais - ou diretamente em folhas de plantas. Além dos guaranis, São Paulo abriga outras 53 etnias (Censo de 2010/IBGE) formadas por indígenas que moram em diversos bairros, sendo o 4º município do Brasil em população indígena.
Data e horário: de 5 de outubro a 12 de dezembro, diariamente, das 08h às 20h.
Local: Lateral do Hall da Consolação

INFANTIL
Manhãs de domingo na Mario: contação de histórias e João e Maria, com a Companhia Le plat du jour

Nas manhãs de domingo dos dias 01 e 08 de dezembro, a Mario recebe as crianças para uma contação de histórias seguida da peça João e Maria. Na contação de histórias, Ana Virgínia Ferreira Carmos e Miriã Teodoro Rocha envolvem as crianças em narrativas fantásticas e lúdicas, que nascem do mundo das histórias infantis de todos os tempos.
(Faixa-etária: crianças a partir de 04 anos). Já a peça João e Maria é oferecidas pela Companhia Plat Du Jour.
Na criativa montagem, os irmãos J.M. e M.J. são vítimas da pobreza porque o pai não sabe plantar, só cortar. A comida está acabando e a madrasta ordena ao pai que os levem para a floresta, assim eles não voltariam nunca mais. Mas as aves Bicudinha e Bicudona vão ajudar os irmãos a escapar desse destino (Faixa-etária: crianças a partir de 03 anos).
Datas e horário: 1 e 8 de dezembro, a partir das 10h
Local: Auditório

Mediação de leitura
Projeto de formação de leitores e leitoras, a mediação para crianças promove a leitura conjunta de títulos infantis a cada encontro.
Datas e horário: Quartas-feiras, às 14h
Local: Sala Infantil