Dicas de Leitura - Consciência Negra

Em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra em 20 de novembro, selecionamos para as Dicas de Leitura do mês algumas obras disponíveis no acervo das bibliotecas que possibilitam uma reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de novembro. Foi criado em 2003 como efeméride incluída no calendário escolar, até ser oficialmente instituído em âmbito nacional mediante a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. O Dia da Consciência Negra é considerado importante no reconhecimento dos descendentes africanos e da construção da sociedade brasileira. A data, dentre outras coisas, sucinta questões sobre racismo, discriminação, igualdade social, inclusão de negros na sociedade e a cultura afro-brasileira, assim como a promoção de fóruns, debates e outras atividades que valorizam a cultura africana.

Dicas de leitura - Consciência negra II

Carolina Maria de Jesus: uma escritora improvável. Joel Rufino dos Santos
Negra, semianalfabeta e favelada. Essa poderia ser a história de qualquer mulher brasileira das classes pobres se não fosse por um detalhe: a paixão de Carolina Maria de Jesus pela leitura e pela escrita. Joel Rufino dos Santos, que declara sempre ter tido vontade de escrever sobre Carolina, chamou de grafomania essa grande paixão que a catadora de papel possuía pelas letras. Carolina nasceu em Sacramento, Minas Gerais, e só estudou até o segundo ano primário. Já adulta, emigrou para São Paulo e foi morar na favela de Canindé. Ali começou a trabalhar como catadora de papel, função que realizou até o final de sua vida em 1977. Dividida entre catar papel, cuidar dos filhos e escrever, Carolina publicou seu primeiro livro, Quarto de despejo, em 1960.

Eu sei por que o pássaro canta na gaiola - Maya Angelou
Racismo. Abuso. Libertação. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos.

Olhos d'água - Conceição Evaristo
A autora ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.

Olhos de Azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira. Contos e crônicas.
Apresenta uma seleção com um marco temporal (final da década de 1970) com destaque para o livro de Geni Guimarães O terceiro filho, e os movimentos negros de resistência e produção literária, dos quais o coletivo Quilombhoje é o grande representante. A seleção vai até a atualidade, finalizando com a autora Taís Espírito Santo que divulga seus textos em blogs. A obra é apresentar as possibilidades inéditas ou ainda pouco exploradas de apropriação da literatura, com vistas à construção de um universo literário mediado pelas experiências de mulheres negras e suas subjetividades. As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados pelo mercado editorial brasileiro.

Pretextos de mulheres negras. Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (organização Carmen Faustino e Elizandra Souza)
Antologia que reúne a escrita poética e autobiográfica de vinte e duas jovens negras, pouco ou quase nada conhecidas – duas estrangeiras, Queen Nzinga (Costa Rica) e Tina Mucavele (Moçambique) – e as demais paulistas. Com o apoio do programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria de Cultura do Município de São Paulo) elas lançaram em 2013 a publicação, que conta também com ilustrações marcantes de Renata Felinto e o projeto gráfico de Nina Vieira, cuidadosamente elaborado e envolvente.

Romantismo brasileiro: amor e morte (um estudo sobre José de Alencar e Maria Firmina dos Reis).
O estudo de Maria de Lourdes da Conceição Cunha tem o grande mérito de, a partir de um recorte temático, revisitar nosso maior ficcionista do Romantismo, José de Alencar, e também apresentar a escritora Maria Firmina dos Reis, que representa a manifestação de um primeiro impulso da escrita feminina no Brasil. Colocar, como objeto de investigação, o romance "Úrsula" ombro a ombro com "O Guarani", de nosso romancista canônico, é uma tarefa, num só compasso, audaciosa e exata: audaciosa pela coragem de assumir atitude de dessacralização que só os críticos maduros apresentam diante de seus objetos de estudo; exata porque necessária à avaliação de autora ainda deslocada do sistema literário em que, entretanto, precisa ser inserida.

Sagrado sopro: do solo que eu renasço - Raquel Almeida
A obra contém 53 poesias com temas diversificados, trazendo a tona o feminino, o sagrado, o amor e suas facetas. O Livro é prefaciado pela escritora Miriam Alves e ilustrado pela Artista Plástica Carolzinha Teixeira. Oriunda da literatura negra/periférica, Raquel Almeida mescla linguagens dessas duas bases literárias da atualidade.

Terra fértil - Jenyffer Nascimento
Primeiro trabalho autoral de Jenyffer que fala sobre amor, cidade, diferenças sociais e orgulho da própria origem, obra que teve a organização de Carmen Faustino e Elizandra Souza, o projeto gráfico de Nina Vieira e a ilustração de Lucimara Penaforte. O livro integra o Projeto Mjiba: Espalhando Sementes e visa o fortalecimento da escrita negra e feminina e que teve inicio com o evento Mjiba em Ação e a antologia Pretextos de Mulheres Negras.
Eis então Terra Fértil, cujo título foi inspirado em uma canção do grupo Racionais MCs, mas também porque remete à fertilidade, às deusas, a Oxum. Porque gera vida e vida poética é o que a periferia precisa. “Terra Fértil porque a poesia é terreno propício para o plantio e colheita. Terra Fértil porque somos continuidade de outras mulheres negras que já havia preparado a terra para nós. Terra Fértil para que outros possam semear e espalhar novas sementes. Terra Fértil porque os astros puxam para o elemento Terra. Terra Fértil porque acredito que o coração é terra fértil sempre”.

Úrsula - Maria Firmina dos Reis
Obra inaugural da literatura afro-brasileira, Úrsula é um dos primeiros romances de autoria feminina escritos no Brasil. Maria Firmina dos Reis, mulher negra nascida no Maranhão, constrói uma narrativa ultrarromântica para falar das mazelas sociais decorrentes da escravidão. Tancredo e Úrsula são jovens, puros e altruístas. Com a vida marcada por perdas e decepções familiares, eles se apaixonam tão logo o destino os aproxima, mas se deparam com um empecilho para concretizar seu amor. Combinando esse enredo ultrarromântico com uma abordagem crítica à escravidão, Maria Firmina dos Reis compõe Úrsula, um dos primeiros romances brasileiros de autoria feminina, em 1859. Por dar voz e agência a personagens escravizados, é vista como a obra inaugural da literatura afro-brasileira. Retrata homens autoritários e cruéis, mostrando atos inimagináveis de mando patriarcal e senhorial em um sistema que não lhes impõe limites. Com rica introdução e contextualização histórica.

Mais informações sobre o Dia da Consciência Negra na Wikipedia.
 

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Dicas de Leitura - Consciência Negra no Brasil (outubro de 2011)
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Dicas de Leitura - Escritoras Africanas (abril de 2018)
As Dicas de Leitura de abril de 2018 apresentam escritoras da Nigéria, Zimbábue, Camarões, Moçambique, África do Sul e Egito.

Dicas de Leitura - Dia Internacional contra a Discriminação Racial (março de 2019)
O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas e celebra-se em 21 de março em referência ao Massacre de Sharpeville. Esta é uma importante data que reforça a luta contra o preconceito racial em todo o mundo.
 

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