O QUE VOCÊ VÊ DA JANELA DA SALA DE SEU TRABALHO?

“Quem faz um poema abre uma janela. Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas têm ritmo - para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado” – Mário Quintana

Texto: Assessoria de Comunicação - SMADS
Fotos: Acervo SMADS

Pôr do sol visto da janela do 35º. andar onde funciona a SMADS

Um ano novo se aproxima, um novo recomeço está por vir, mas também a continuidade de trajetória de vidas se avizinha. Passando o distanciamento social mais severo, em que os encontros ficaram suspensos, agora com melhor controle da população imunizada, os paulistanos sentem-se mais seguros para as celebrações e inclusive conseguem imaginar um futuro pela frente.

Existem várias situações que ainda será necessário superar. Não foram anos fáceis para ninguém. As famílias precisaram lidar com tantas perdas de pessoas e de significados; de histórias interrompidas e sonhos apagados. Foram mais de 619 mil mortes por Covid-19 e segundo o IBGE, no último terceiro trimestre de 2021, o Brasil estava com 14,2% de taxa de desemprego. Uma pesquisa da Serasa mostrou que 75% dos brasileiros estão endividados, e o número de inadimplentes no Brasil atingiu 63,4 milhões, o maior índice registrado desde julho de 2020 (63,5 milhões). Ou seja, a população continua preocupada, mas também com a esperança de que com os desafios postos novamente, será necessário achar um novo caminho para tudo ficar bem.

Em matéria especial de final de ano, funcionários públicos e trabalhadores sociais contam como foi este ano, os desafios de trabalhar mesmo na pandemia e os sonhos e desejos para o próximo ano que está por vir.

Palavras de ordem: coragem e perseverança


“Um horizonte denominado superação. Confesso que tenho uma posição sempre positiva quanto ao futuro, embora 2020/2021 tenham sido períodos desafiadores e nos quais vivenciamos literalmente “testes” de resiliência profissional e pessoal. Reconheço o esforço de nossa Secretaria na construção de estratégias para reduzir os resultados causados pela pandemia”. A declaração é de Egle Mora, supervisora da SAS (Supervisão de Assistência Social) Vila Mariana, ao parar o olhar pela janela do trabalho.

A supervisora ainda conta que os dilemas, perdas, e choros foram enfrentados com muita perseverança para criar um ambiente favorável para continuar trabalhando, “arregaçamos as mangas e mesmo com medo seguimos lutando corajosamente, não como um ato heroico ou para ser exaltado, mas por compromisso com o usuário. Este momento vai demandar uma análise profunda de alguns processos de trabalho, no sentido de buscar inovação e a prática de uma gestão horizontal que corrobore com a participação dos trabalhadores e da sociedade civil, na promoção de ações que visem a redução da vulnerabilidade social”.

Mulher sentada, de óculos, cabelos soltos, blusa escura florida, concentrada olhando para o seu computador apoiado na mesa de escritório. Pela janela é possível ver algumas árvores, casas e prédios.

Egle Mora no local de trabalho na SAS Vila Mariana


Pequenos atos, grandes avanços

“O que vejo da minha janela é uma visão lindíssima, principalmente à noite. É a maior cidade da América Latina; a cidade que nunca dorme”. Ricardo Gil de Souza, supervisor do Departamento de Tráfego da SMADS define desta forma o olhar pela janela do trabalho. Entre suas atividades do dia a dia, ele observa que os arranha-céus de alto padrão formam um contraste com áreas onde é possível avistar moradores em situação de rua dormindo debaixo de marquises de prédios.

Mesmo diante de uma imagem que parece às vezes caótica, Ricardo sente-se uma pessoa esperançosa: “Eu prefiro crer que o bem sempre vence! Que iremos imunizar todas as pessoas contra a Covid 19 (inclusive as crianças), e creio, que um dia, em um futuro não muito distante, teremos mais solidariedade entre nós”.

Homem de camiseta escura, de máscara, sentado a frente de seu computador de trabalho. Vista da janela para os prédios de São Paulo.

Ricardo Gil de Souza em momento de trabalho na sala do Departamento de Tráfego da SMADS


Sensação de paz

“Olho sempre para a paisagem, vejo os prédios, vejo as casas, e me dá uma certa sensação de paz “. Enquanto faz as tarefas de limpeza dos andares da SMADS, Juliana Carvalho gosta de pensar nos planos que tem para a vida. O sonho sempre foi cursar Medicina. “Em 2022, vou tentar todos os meus sonhos adiados, quero melhorar minha colocação no emprego e vou conquistar tudo que estou planejando. Quero dar melhores condições para meus filhos.“

O final de ano também pode ser um momento de introspecção, de revisão e de mudar a rota para traçar novas propostas de vida. É no que Juliana aposta.

Mulher de cabelos curtos, de máscara, com o saco de lixo ao seu lado, olhando a vista da cidade de São Paulo da janela do prédio. Está vestida com camiseta de uniforme de trabalho, calça jeans e tênis rosa.

Juliana observando os prédios, pensando nos projetos para a vida


Olhar para frente, respirar, espairecer

“Todos os dias quando anoitece, eu vejo as pessoas acendendo as luzes dos apartamentos, estão chegando nas suas casas. Acho interessante, algumas pessoas seguem o mesmo ritmo, a mesma rotina, chegam pontualmente no mesmo horário. Eu sei disso porque é o horário que noto que preciso arrumar minhas coisas, acabou o meu expediente.” O olhar observador é de Roberto Carlos Zanelatto , assistente de gestão de políticas públicas, e que conta que está com medo do próximo ano por não fazer ideia daquilo que se desenha para o futuro.

“Eu não me programo muito, então eu consigo realizar as coisas conforme a vida vai trazendo informações para eu me movimentar. A esperança é subjetiva e ela se renova”. Desta forma, para Roberto, experimentar o ano que chega sem planos e sem expectativas, é uma forma de desejar que o novo chegue.

Homem de blusa escura, óculos e máscara, olhando a vista da janela, a qual se da por vários edifícios, algumas árvores e telhados de casas.

No trabalho da SAS Santana, Roberto usa a janela para respirar entre uma atividade e outra


De norte a sul, de leste a oeste, observação atenta

“Quando estamos nas ruas, vemos de tudo um pouco. Certa vez, eu vi uma pessoa parando o carro, abrindo o porta-malas para dar um calçado para uma senhora que estava descalça”. Patrícia Barros é motorista na SMADS há mais de dois anos, e ela está na torcida para que a situação no pós-pandemia, mude.

Ela está ansiosa para chegar a véspera do Ano Novo, porque quer entrar viajando. “Viajar é uma das coisas que mais gosto na vida. Pretendo viajar mais em 2022.”

Mulher com máscara, blusa escura com detalhes floridos, no banco do motorista de um carro branco estacionado, olhando a frente, com uma mão localizada no volante e a outra no câmbio. Adiante se vê a rua vazia e alguns comércios na outra calçada com outro carro estacionado na porta.

Patrícia Barros em um momento de trabalho


Por um tempo de esperanças

Cinco mulheres posando para o retrato, todas com máscara, ao lado da parede azul de uma casa. Três delas utilizando óculos. Ao fundo casas e o céu com algumas nuvens.

Equipe do NPJ Freguesia usa a área externa para aliviar as tensões


“A janela aberta trazendo a brisa funciona como se fosse uma evasão.” A definição é feita por Thais Mariano, assistente social que compõe com Bárbara Brito e Janaína Machado, psicólogas, Daniela Gonçalves, assistente administrativa, e Carolina Baggio, assistente social, a equipe que trabalha no Núcleo de Proteção Jurídico Social e Apoio Psicológico – NPJ* Freguesia do Ó/Brasilândia.

Para a Bárbara, “a passagem de ano carrega alguns símbolos como o fato de ser o momento de encerrar etapas e dar chances para começar novos períodos". Para todas elas, a esperança está na vida que vai continuar e novas possibilidades podem surgir.

“Demonstrações de afeto no meio da avenida, perseverança de comerciantes que tentam atrair a clientela, a crescente verticalização das moradias na cidade’ é o resumo do que veem pela janela a equipe do NPJ Santana, formada por Daniela Dias Santanna, gerente, Joyce Cristina Vieira de Almeida, auxiliar administrativo, Vanessa Pereira e Patrick Chiali, assistentes sociais, Jefferson Viana e Ane Carvalho da Silva, psicólogos, Beatriz Chistoni, advogada.

Eles reforçam que desejam que dias melhores cheguem, “dias em que não precisaremos mais nos preocupar com uma pandemia, dias que poderemos caminhar e respirar aliviados, sem medo”.

Talvez este seja o maior presente que todos esperam de 2022. Um caminho difícil, mas sem medo.

Núcleo de Proteção Jurídico Social e Apoio Psicológico - NPJ

Serviço referenciado ao Centro de Referência Especializado da Assistência Social – CREAS, com a finalidade de assegurar atendimento especializado para apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais de seus membros em situação de ameaça ou violação de direitos.