13/09/2012 10h14

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São Paulo tem o segundo melhor salário do país em Economia Criativa

Novo segmento é oportunidade para criativos que contarão com projeto da Prefeitura

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Área de Moda é um dos setores que se enquadram no segmento de economia criativa

Por: Solange Borges

 

A Prefeitura de São Paulo, em sintonia com as maiores cidades do mundo, tem se empenhado na formatação de ações em um segmento pouco difundido no país: a Economia Criativa. A área é geradora de renda para muitos profissionais, que talvez desconheçam fazer parte deste ramo do mercado. Com estudo realizado pela Fundap - Fundação do Desenvolvimento Administrativo e projeto sendo desenvolvido pela Semdet - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, a administração municipal busca organizar as atividades na cidade e dar oportunidade a jovens talentos a ingressarem no mercado de trabalho, assim como tornarem-se empreendedores.

De acordo com o coordenador de Desenvolvimento Econômico da Semdet, José Alexandre Sanches, o projeto de Economia Criativa está sendo estruturado e tem como principal premissa possibilitar que o jovem possa desenvolver a própria vocação criativa. "São Paulo tem ótimos indicadores neste segmento e muitos profissionais geram renda e emprego com as atividades existentes, no entanto, ainda perdemos muitos talentos que não têm nem a oportunidade de serem despertados para a economia criativa. Certamente, temos um celeiro de criativos aguardando por ferramentas e direcionamento adequado para serem inseridos no mercado", relata.

O projeto, segundo Sanches, será nas áreas de edição e impressão, informática, publicidade e propaganda, com parceria do Senac - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de São Paulo, Secretaria Municipal de Educação e Subprefeituras.

A Semdet também dará subsídios para apoiar a gestão, organização e legalização das empresas criativas, além de promover o desenvolvimento de cadeias produtivas na área. Inicialmente, as aulas serão em Ceus da Zona Leste como Alto Alegre, Lajeado, Rosa da China, além da Casa de Cultura do Itaim Paulista.

Com pouco mais de duas décadas de discussão e ações em países desenvolvidos, a economia criativa tem se mostrado alternativa relevante para movimentar o mercado. O termo teve origem na Austrália e, apesar da complexidade em conceituá-lo, já há algumas definições como a proposta pela Unctad, agência da ONU focada no comércio e desenvolvimento entre países: "O setor das indústrias criativas está no cruzamento entre artes, negócios, e tecnologia, em um relacionamento próximo que se reforça mutuamente".


No Brasil, o segmento tem merecido atenção das esferas de governo que analisam a criação de órgãos voltados para pesquisar e apoiar o setor. São Paulo se destaca no cenário nacional e, segundo o levantamento da Fundap, não está longe de equiparar-se a cidades europeias como Londres e Nova York que possuem ações estruturadas na área.

A cidade possui mais de 17 mil empresas criativas, sendo que o país concentra mais de 63,6 mil. O município concentra 15% dos profissionais da área e o segundo maior salário do país está entre os criativos com média de R$ 2.775. A área de tecnologia, por exemplo, possui mais de 49 mil empregos formais criativos e mais de 2,9 mil empresas; publicidade tem mais de 23, 7 empregos formais.

Alguns setores que se enquadram no segmento de economia criativa são informática, publicidade e propaganda, ensino e cultura, arquitetura e design, moda, artes performáticas entre outros. Segundo levantamento da Fundap, estimativas de 2011 apontavam que a economia criativa representava entre 7 e 10% do PIB global e em relação a São Paulo representa 10% da riqueza produzida na cidade. Em 2010, as atividades criativas contribuíram com 104 bilhões de reais na economia brasileira, equivalente a 2,84% do PIB nacional.