Prefeitura investe em ações para conscientização ambiental

Criação das sacolinhas verdes, das duas centrais de triagem mecanizadas e a ampliação da coleta seletiva para mais dez distritos da capital seguem uma agenda pioneira para o tratamento de resíduos recicláveis na cidade

 

Com o intuito de estimular e ampliar o plano de coleta seletiva, a Prefeitura de São Paulo investe em uma série de medidas para atingir a meta de aumentar o percentual de reciclagem dos atuais 3% para 10%, até 2016.

A adoção das "sacolinhas verdes" é apenas uma entre várias medidas adotadas pela Prefeitura para alavancar a coleta seletiva em São Paulo e reduzir a quantidade de resíduos que são encaminhados para os aterros. Desde o início da gestão, com a criação das duas centrais de triagem mecanizadas (em Santo Amaro e na Ponte Pequena), além da ampliação da coleta seletiva para mais dez distritos da capital, a cidade possui uma agenda pioneira para o tratamento dos resíduos recicláveis.

As diretrizes para a gestão de resíduos na cidade estão organizadas no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Cidade de São Paulo (PGIRS), documento elaborado de maneira participativa com entidades e cooperativas. Atendendo à Política Nacional de Resíduos Sólidos, o plano lançado em abril de 2014 estabelece metas e ações na área para os próximos 20 anos.

Atualmente, a cidade de São Paulo produz diariamente cerca de 20 mil toneladas de resíduos de todos os tipos (coleta domiciliar, resíduos da construção civil, entulhos, resíduos de saúde, resíduos orgânicos das feiras). Aproximadamente 12,5 mil toneladas são de resíduos da coleta domiciliar. Desse total, São Paulo recicla cerca de 3%, que são processados pelas duas centrais mecanizadas e pelas 21 cooperativas conveniadas. Do montante dos resíduos da coleta domiciliar, aproximadamente 35% é considerado resíduo seco com possibilidade de ser reciclado. Cerca de 50% é o orgânico e o restante são rejeitos.

Sacolinhas Verdes

Desde o começo de abril, os estabelecimentos comerciais da cidade de São Paulo podem oferecer a seus clientes apenas sacolas reutilizáveis, produzidas com matéria prima renovável, considerada menos nociva ao meio ambiente. A medida não tem a intenção de criar uma “indústria de multas” ou um clima de perseguição ou constrangimento aos cidadãos, comerciantes ou consumidores. Por isso, neste momento, não haverá acompanhamento jornalístico dos trabalhos de fiscalização.

Com uma identidade visual de cunho educativo, as sacolinhas funcionam como mais um recurso de sensibilização e conscientização do cidadão na promoção da coleta seletiva. Esta medida tem o intuito de promover um clima de mudança de comportamento com relação ao lixo/resíduo ao oferecer a opção da sacola verde ou cinza para facilitar as compras e estimular a reciclagem. Todos devem se adaptar e, eventualmente, podem receber orientação ou advertência.

As medidas estão previstas na Lei Municipal 15.374, conhecida como lei das sacolinhas, que foi proclamada pelo prefeito no dia 7 de janeiro deste ano, após a justiça considerá-la constitucional. Além das cores de identificação, as novas sacolinhas ainda terão impressas orientações sobre o descarte correto de resíduos e educação ambiental.


A Prefeitura entende que a cobrança pelas sacolinhas reutilizáveis é indevida. De acordo com a lei federal 6.938/1981, o comerciante enquadra-se como poluidor e deve colaborar com iniciativas como o programa de reciclagem, inclusive custeando-as.

As novas sacolas deverão ser oferecidas em dois modelos apenas, nas cores verde e cinza. O fornecimento ou a venda de sacolas plásticas comuns ou as sacolinhas brancas utilizadas atualmente serão vetados.

Sacolinha verde - será usada pelo consumidor para carregar as compras e, posteriormente, deverá ser reutilizada para o descarte do lixo reciclável na coleta seletiva (resíduos secos, como materiais de plástico, papel, papelão, vidro e metal).

Sacolinha cinza - deverá ser usada para os resíduos orgânicos e rejeitos (fraldas, bitucas de cigarro, chicletes, absorventes femininos, lixo de banheiro e fitas adesivas). Estas poderão destinadas a coleta domiciliar

O munícipe pode consultar os dias e horários de coletas em sua região no site da própria Secretaria Municipal de Serviços.


Ampliação da coleta seletiva

Quanto a coleta seletiva de resíduos sólidos, em 2013 o serviço era realizado em 75 distritos, sendo que em 14 deles a coleta era universalizada (atingindo todas as ruas). Em setembro de 2014, a Prefeitura ampliou a coleta seletiva de lixo para mais dez distritos da cidade com a aquisição de 11 novos caminhões do programa SP Recicla. Atualmente a cidade conta com 62 caminhões que realizam o serviço de coleta seletiva de resíduos secos em 86 distritos, realizado pelas concessionárias Loga, EcoUrbis ou pelas cooperativas conveniadas com a Prefeitura, atingindo 46 distritos com coleta universalizada.

Esta ampliação possibilitou que um milhão de pessoas passassem a ser beneficiadas com o serviço na cidade, totalizando 4,7 milhões de pessoas.

Novas centrais mecanizadas
Em um processo inédito na reciclagem de resíduos sólidos, as duas primeiras centrais mecanizadas de triagem da América Latina em Santo Amaro e Ponte Pequena, na região do Bom Retiro, permitiram que capacidade de processamento de recicláveis fosse triplicada. Em conjunto com os investimentos realizados nas cooperativas, a ação fez com que a capacidade de reciclagem dos resíduos gerados na cidade chegasse a 7%, triplicando o serviço e fortalecendo as cooperativas de catadores.

Cada um dos equipamentos tem capacidade de processar 250 toneladas por dia. Para a instalação destas centrais foram investidos R$ 59 milhões, sem custo para a Prefeitura, pois as empresas concessionárias Loga e Ecourbis são responsáveis pelos empreendimentos como parte de obrigações do contrato de prestação do serviço de coleta de lixo na cidade. Clique aqui e saiba mais sobre o assunto.

Os equipamentos instalados nas centrais automatizadas de São Paulo são inéditos na América Latina e foram importados da França, da Espanha e da Alemanha. Ao longo do processamento, o maquinário tem capacidade de separar por volta de 10 tipos diferentes de resíduos. Todo o trajeto dos materiais ocorre esteiras automatizadas.

Outras duas devem ser inauguradas até 2016, na Vila Maria e em São Mateus, atingindo a marca de cerca de 1.250 toneladas diárias.

 


Inclusão social
A política pública de ampliação da coleta seletiva está acompanhada de um processo de valorização das cooperativas de reciclagem. A renda gerada pela venda da produção das quatro centrais mecanizadas será revertida para o Fundo Municipal de Coleta Seletiva, Logística Reversa e Inclusão de Catadores.

A central da Ponte Pequena emprega atualmente por volta de 50 catadores da cooperativa Coopere Centro. Com a ampliação do processamento, a quantidade de cooperados envolvidos irá dobrar, com cerca de 70 catadores em dois turnos. Os trabalhadores atuam na seleção, inspeção e controle de qualidade dos materiais.

A nova central de Santo Amaro emprega inicialmente 62 membros da Cooperativa de Coleta Seletiva de Capela do Socorro (Coopercaps), que atualmente trabalham no processo de calibragem das máquinas.


Ecopontos:
A cidade conta com 80 Ecopontos em operação. Os equipamentos funcionam como locais de entrega voluntária de pequenos volumes de resíduos onde o munícipe pode depositar gratuitamente até um metro cúbico por dia, quantidade equivalente a uma caixa d’água de mil litros ou a 25% de uma caçamba de entulho.

As unidades não recebem orgânicos, materiais industriais (graxa e tinta, por exemplo), telhas de amianto, lâmpadas fluorescentes, resíduos hospitalares e eletroeletrônicos.

Endereços de todas as unidades e mais orientações estão disponíveis na página da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana. Mais informações também podem ser obtidas pelo telefone 0800-7777156.

A meta da atual gestão é que até 2016, a cidade tenha 140 ecopontos, conforme o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS), aumentando a oferta de áreas para a deposição regular dos resíduos.


Composteiras domésticas:
Na agenda ambiental da cidade está ainda a reutilização dos resíduos orgânicos por compostagem, para redução da quantidade de materiais enviados aos aterros sanitários. Um projeto-piloto distribuiu 2.000 composteiras domésticas, com o objetivo também de levantar informações para a ampliação dessa política. Os avanços no manejo adequado do lixo integram um conjunto de ações de melhoria do meio ambiente da cidade, que inclui ainda a implantação de 400 quilômetros de ciclovias até 2015, a qualificação do transporte público e a adoção das lâmpadas de LED para a iluminação pública.


Contribua:
Para que a reciclagem avance na cidade, é necessário que toda a população contribua com as ações.

A empresa Ecourbis também oferece busca online na internet e pelo telefone 0800-772 7979. A concessionária é responsável pelas subprefeituras de Aricanduva / Formosa, Campo Limpo, Capela do Socorro, Cidade Ademar, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Guaianases, Ipiranga, Itaim Paulista, Itaquera, Jabaquara, M’Boi Mirim, Parelheiros, Santo Amaro, São Mateus, São Miguel, Vila Mariana e Vila Prudente.

Para contribuir com a reciclagem, são importantes alguns cuidados no descarte do lixo, principalmente a separação dos resíduos recicláveis, como latas e garrafas, dos resíduos orgânicos, como restos de comida e cascas de frutas. Recicláveis com restos de alimentos devem ser enxaguados para não contaminarem outros materiais.