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Visita guiada no Cemitério Consolação

O Serviço Funerário instituiu a visita guiada no cemitério da Consolação, criando um roteiro para conhecer os túmulos de personalidades ilustres e as obras de arte instaladas nos túmulos. A visitação é aberta para estudantes, professores, pesquisadores, turistas, entre outros.


O cemitério da Consolação é um verdadeiro museu a céu aberto. Fundado em 15 de agosto de 1858, possui túmulos de personalidades como Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral, Ramos de Azevedo, Antoninho da Rocha Marmo, Mário e Oswald de Andrade, além de obras de importantes escultores, tais como Victor Brecheret, Nicola Rolo, Luigi Brizzolara, entre outros.

As visitas são gratuitas e  acontecem todas as terças e sextas-feiras para o público em geral, das 9:30 às 11:00 horas e das 14 às 15:30 horas.
Para as visitas escolares, atendemos às quartas-feiras em quatro horários diferentes: Período da manhã: 8 e 10hs   Período da tarde: 13 e 15hs

Para agendar, envie solicitação para assessoriaimprensa@prefeitura.sp.gov.br com seu nome completo, horário e dia desejado e o número de acompanhantes.

 

Conheça um pouco sobre o Popó, recepcionista do Consolação

Francivaldo Almeida Gomes nasceu no dia 23 de setembro de 1967, na cidade de Crateus, Ceará, lugar onde passou a infância ao lado de seus quatro irmãos e três irmãs. Francivaldo, como muitos brasileiros, abandonou os estudos na quinta série do então ensino fundamental e foi trabalhar para ajudar sua família. Desde então, passou pela construção civil e pelo comércio ambulante até que um primo o chamou para trabalhar de garçom numa churrascaria em Brasília. Animado, aceitou o convite e para comprar a passagem vendeu seu único bem, um relógio de pulso.
Por quatro anos permaneceu em Brasília e, em 1986, veio para São Paulo e aqui na cidade, voltou para o ramo da construção civil, trabalhando na construção do prédio do Citibank na avenida Paulista.
Em 1987, Francivaldo casou-se com Josane, garota baiana que conheceu no parque do Ibirapuera e tiveram três filhos: Felipe, Herbert e Patrick e até hoje seguem casados. Ainda em 1987, trabalhando como porteiro no edifício onde, lembra, morava a ex-ministra Zélia Cardoso, Francivaldo viu no jornal que haveria um concurso público para sepultador do Serviço Funerário Municipal e fez a inscrição. Em 1989, já aprovado, escolheu o cemitério Consolação para exercer a função.
Onze anos depois, uma nova oportunidade fez mudar sua vida. O então administrador do cemitério Consolação, o professor e historiador Délio Freire dos Santos, criador do roteiro da visita guiada, observando o interesse de Francivaldo pela arte e história do Consolação, começou a ensiná-lo sobre a história do cemitério, dos sepultados e sobre a arte tumular ali presente.
Demonstrando grande interesse, Francivaldo, além de acompanhar as visitas no cemitério guiadas pelo historiador, passou a frequentar a Biblioteca Mario de Andrade para se aprofundar na história das personalidades sepultadas. Estimulado pela busca de conhecimento, agarrou a oportunidade e retomou seus estudos até a conclusão do segundo grau. Na mesma época, participou do curso de Arte Tumular com exposição itinerante no Shopping Light, ministrado pelo professor Délio Freire.
Foi nesta mesma época que ganhou o apelido de Popó. Ele conta que o cantor sertanejo Marcelo Costa, em visita ao cemitério, olhou para ele e disse: sabe que você é muito parecido com o pugilista Popó, vou te chamar assim, posso? O apelido pegou e hoje sou mais conhecido como Popó, que é mais fácil mesmo de guardar do que o meu próprio nome.
Em abril de 2002, com a morte do professor Délio, Popó assumiu a administração do cemitério Consolação e, também, a posição de guia das visitas.
Nesses mais de 13 anos, Popó estima já ter recebido mais de oito mil pessoas para a visita guiada, com públicos que vão desde alunos do ensino fundamental e turistas até acadêmicos especialistas em arquitetura.
Hoje, acredita que todas as suas escolhas o levaram ao trabalho de sepultador, administrador e guia do cemitério Consolação e afirma, enfaticamente, que cumpre suas funções não por obrigação, mas por verdadeira paixão. Popó finaliza sua história dizendo “eu estudo a morte para melhor compreender a vida”.