Dia Mundial de Prevenção de Quedas de Idosos

Dia 24 de Junho

O dia 24 de junho é a data para conscientização sobre a Prevenção de Quedas de Idosos, realizado anualmente pela ONG britânica Help The Aged International, com sua primeira edição no Brasil em 2008.

A OMS adotou o termo “Envelhecimento Ativo” como um processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas.¹

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, segundo dados do IBGE, as projeções para 2050 seguem com duas vezes mais idosos do que crianças até 5 anos de idade. Na cidade de São Paulo, as pessoas com mais de 60 anos já representam mais de 10% da população. Esse crescimento sinaliza para uma reflexão na conquista e nos desafios para a garantia de direito e para um envelhecimento mais saudável e digno.

Além da saúde, outros fatores interferem nesse processo de envelhecimento e na qualidade de vida dessas pessoas. Fatores sociais, econômicos e o próprio ambiente externo são determinantes. O envelhecimento segue de forma heterogênea, pois se de um lado temos muitas pessoas idosas reorganizando suas vidas após a aposentadoria, com novos projetos, não se pode ignorar que é uma etapa de vida na qual mudanças fisiológicas se impõem provocando perdas funcionais visíveis. Atividades de vida diária (autocuidado) e atividades de vida prática (locomoção, lazer) podem sofrer algum prejuízo em termos de ritmo ou eficiência. A diminuição da capacidade funcional no decorrer da longevidade pode ser fator que expõe o idoso a múltiplas vulnerabilidades, incluindo as quedas.

O relatório Global da OMS sobre prevenção de Quedas para a pessoa idosa relata que a frequência das quedas em pessoas acima de 65 anos é de aproximadamente 28% a 35%, aumentando uma proporção para 32% a 42% para a faixa etária com mais de 70 anos2.

Segundo a Sociedade de Brasileira de Geriatria e Gerontologia, as causas da queda são multifatoriais. Os fatores extrínsecos, como os ambientais, são uma das principais causas das quedas, como exemplo: piso escorregadio, sapatos inadequados, tapetes, certas, calçadas sem manutenção, etc. Os fatores intrínsecos estão relacionados ao próprio individuo que cai: doenças, interações medicamentosas, alterações sensoriais (como perda visual e auditiva). A Política Nacional do Idoso (Lei nº 8. 842, de 04 de janeiro de 1994)3 e o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003)4 reforçam a importância de implementar ações de prevenções e cuidado integral à pessoa idosa.

Buscando contribuir para a proteção integral da saúde da pessoa idosa, analisamos as notificações realizadas pelos serviços de saúde do município de São Paulo, de quedas do período de 2009 a 2014 registradas no Sistema de Informação para a Vigilância de Violências e Acidentes – SIVVA, da Secretaria Municipal de Saúde / Coordedoria de Vigilância em Saúde – COVISA. Trata-se de um informe aos profissionais de saúde, para a população em geral e para os órgãos públicos e privados como forma de sensibilização para a gravidade da situação.

Do total de casos de acidentes e violências notificados neste período, 10,4% (n=45.546/438.282) ocorreram na faixa etária igual ou acima de 60 anos. Do total de acidentes (queda, afogamento, arma branca, arma de fogo, choque elétrico, deslizamento/inundação, fogo/incêndio, intoxicação/envenenamento, mordedura, outras queimaduras, sufocação) ocorridos em idosos no período avaliado (n=31.831), a queda foi a principal causa, representando 93,9% (n=29.884).
Avaliando essas quedas, observamos que o sexo feminino é sempre o mais frequente, em todas as faixas etárias (62,5%). Não nos esqueçamos que o sexo feminino predomina na população desta idade, chegando a proporção de quase 2 mulheres para cada homem acima dos 80 anos; também é importante frisar que o sexo feminino é mais vulnerável a perda da massa muscular e a osteoporose que ocorre na terceira idade.
Do total de casos notificados de queda, 80,2% tiveram alta dos serviços, porém, a qualidade de vida e a sobrevida após o evento não foram avaliados. Caracterizando a queda, em 65,6% dos casos ocorreram do mesmo nível (queda da própria altura), mas com um percentual de informação em branco de 22,8% e 9,3% não especificada, conforme tabela 1.

 

Infelizmente, para a informação sobre o local de ocorrência da queda em idosos, a informação apresentou-se como ignorada em 44,77% dos casos notificados, conforme tabela 2. Com isso, a análise deste quesito fica prejudicada, demonstrando necessidade de melhoria na investigação e preenchimento adequado da ficha de notificação deste evento.

 

 Por se tratar de um evento subnotificado, podemos não conhecer uma boa parte dos casos, que muitas vezes não buscam atendimento médico. Por isso, reforçamos a necessidade de melhor investigação e adequado preenchimento da ficha de notificação deste agravo, para que possamos detalhar melhor o perfil das quedas em idosos e prevenir sua ocorrência.
A prevenção das quedas em idosos está relacionada à mudança comportamental, atividade física, alimentação e ambiente. Portanto, ao pensarmos em envelhecimento saudável, a intervenção deve ser multiprofissional e intersetorial, integrando políticas públicas, medidas preventivas e práticas.

A RAS Idoso (Rede de Atenção à Saúde do Idoso), da SMS – SP, tem estabelecido novos enfoques, orientações e protocolos para o atendimento deste público. É nosso papel, oferecer atenção integral específica a este grupo vulnerável, atuando na assistência, prevenção e na promoção da saúde.

1 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/envelhecimento_ativo.pdf
2 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/relatorio_prevencao_quedas_velhice
3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8842.htm
4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.741.htm
5 Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo - SMS/SP , Coordenadoria de Vigilância em Saúde – COVISA, Centro de Controle de Doenças – CCD, Doenças e Agravos Não Transmissíveis – DANT.