Sarampo

Informações para o cidadão e profissionais de saúde


 

O sarampo é uma doença viral aguda, infecto-contagiosa, altamente transmissível que atinge com mais severidade populações de baixo nível sócio-econômico.

Rhazes, médico persa, no século X, publicou a primeira descrição clínica do sarampo. Foi no início do século XVII que ocorreu a primeira descrição em separado do sarampo, da varíola e da escarlatina. O sarampo foi, durante séculos, uma das maiores doenças epidêmicas, especialmente em crianças, representando uma das maiores causas da morbimortalidade infantil em todo o mundo.

Atualmente, a situação mudou graças à implementação de políticas intensivas de vigilância, prevenção, controle e melhoria das condições de nutrição da população.

Situação da doença no Brasil

No Brasil, o sarampo é uma doença de notificação compulsória desde 1968. Na década de 70, as epidemias chegaram a acometer de dois milhões a três milhões de crianças. Até 1992, o País enfrentou dez epidemias, sendo uma a cada dois anos, em média. A última grande epidemia ocorreu em 1997, com aproximadamente 50 mil casos. Após a implantação do Plano de Erradicação do Sarampo, em 1999, o número de casos autóctones confirmados foi reduzido de 908 para zero em 2001. Em 2000, ocorreu o ultimo surto de sarampo no País, no Acre, com 15 casos. Em novembro do mesmo ano foi registrado o último caso autóctone, em Mato Grosso do Sul.

O controle da doença também diminuiu o número de óbitos por sarampo. Em 1980, ocorreram 3.236 mortes. Em 1999, foram notificados os últimos dois óbitos por sarampo no País, graças à interrupção do ciclo de transmissão da doença, que por sua vez foi uma decorrência da melhoria dos níveis de vacinação da população brasileira.

Nos últimos anos, foram confirmados 10 casos da doença no País, todos importados ou como conseqüência de importação, sendo que desde o ano 2000, mais de 97% dos casos notificados de sarampo foram descartados com base em diagnóstico laboratorial, indicando uma boa especificidade do sistema de vigilância epidemiológica da doença no País. Foram notificados casos suspeitos de sarampo em Belém do Pará em 2011, com confirmação de 1 (um) caso e isolamento de uma cepa originalmente importada da Europa e África.

Em 2011, até a presente data, a Vigilância Epidemiológica do Município de São Paulo captou 11 casos confirmados, dos quais 10 fazem parte de um agregado ocorrido em duas escolas, ou seja, os casos são comunicantes entre si. Destes, 4 são crianças menores de 1 ano, e, portanto, não vacinados. Conforme preconizado, foram adotadas todas as medidas de controle, e foram realizadas as ações de bloqueio vacinal com o objetivo de interromper a propagação da doença.

Sintomas

O contágio do sarampo acontece através de secreções respiratórias. Os indivíduos expostos podem adquirir as infecções através de gotículas veiculadas por tosse ou espirro, por via aérea.
O vírus se instala na mucosa do nariz e dos seios para se reproduzir e depois para ir para a corrente sanguínea.
A indisposição que antecede a doença tem duração de três a cinco dias e caracterizam-se por: febre alta, mal estar, coriza, conjuntivite, tosse e falta de apetite. Nesse período podem ser observadas na face interna das bochechas as manchas brancas (Koplik) que são características da doença.
O exantema maculopapular (manchas vermelhas na pele) inicia-se na região retroauricular, espalhando-se para a face, pescoço, membros superiores, tronco e membros inferiores. A febre persiste com o aparecimento do exantema.
No terceiro dia, o exantema tende a esmaecer, apresentando descamação fina com desaparecimento da febre, sendo a sua persistência sugestiva de complicação.
A diarréia é ocorrência freqüente em crianças com baixo nível sócio-econômico. O período de incubação, geralmente, é de oito a doze dias.
A transmissão inicia-se antes do aparecimento da doença e perdura até o quarto dia após o aparecimento da erupção.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e deve ser confirmado por exame de sangue.

Complicações

As complicações mais comuns são: otite média aguda; pneumonia bacteriana; laringite e laringotraqueíte; manifestações neurológicas-raras; doenças cardíacas, miocardite, pericardite; panencefalite esclerosante subaguda; complicação rara que acomete o sistema nervoso central após sete anos da doença.

Tratamento

O tratamento do sarampo é sintomático e podem ser utilizados antitérmicos, hidratação oral, terapia nutricional com incentivo ao aleitamento materno e higiene adequada dos olhos, pele e vias aéreas superiores.
As complicações bacterianas do sarampo devem ser tratadas especificamente, com antibióticos adequados para cada quadro clínico e, se possível, com identificação do agente etiológico.

Prevenção

A vacina anti-sarampo é eficaz em cerca de 97% dos casos. Deve ser aplicada em duas doses a partir de um ano de vida da criança. Exceção feita às mulheres grávidas e aos indivíduos imunossuprimidos, adultos que não foram vacinados e não tiveram a doença na infância também devem tomar a vacina.
As reações à vacina são: febre, coriza e/ou tosse leve, exantema que pode ocorrer entre o 4º e 12º dia em 20% dos vacinados.
• Não se descuide do programa de vacinação de seus filhos. A vacina contra o sarampo é a melhor forma de evitar a doença que pode ser grave, especialmente se elas estiverem debilitadas;
• Procure saber a causa da doença de crianças que convivem com seus filhos;
• Não deixe de procurar atendimento médico se aparecerem manchas avermelhadas na pele de sua criança, mesmo que ela tenha sido vacinada contra o sarampo;
• Verifique se você teve a doença na infância ou tomou a vacina quando criança. Em caso de dúvida é melhor procurar um centro de vacinação.

 

Clique para visualizar:

Informe Técnico sobre Sarampo e Rubéola - 2017

 

Informações Históricas:

Alerta contra o Sarampo - Jogos Olímpicos

Alerta Sarampo - 2011