Leishmaniose Visceral Americana

 

 

Leishmania sp, forma amastigota em macrófagos de fígado
(Fonte: Atlas de parasitologia Clínica Viqar Zaman, 1979)

 

 

 

 

O que é?

Doença generalizada também conhecida como Calazar, de evolução crônica, causada pelo protozoário Leishmania (Leishmania) infantum chagasi. É uma doença grave, podendo atingir, principalmente, crianças e adultos jovens e, quando não tratada, pode levar à morte. Acomete também mamíferos domésticos e silvestres.

 

Transmissão

Através da picada da fêmea do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi em alguns municípios do Estado do Mato Grosso do Sul. A fêmea, ao exercer o hematofagismo, inocula as formas promastigotas


Tratamento

Apenas cerca de 30% das pessoas infectadas manifestam alguns sintomas da Leishmaniose Visceral Americana (LVA) e, neste caso, há tratamento. O cão é o principal reservatório doméstico do parasita em ambiente urbano

Diagnóstico Laboratorial

1. Pesquisa de anticorpos em soro
Humano:
  • Imunofluorescência Indireta (IFI): detecta anticorpos IgG e IgM. Apresenta alta sensibilidade, mas não distingue as duas leishmanioses (visceral e tegumentar).
Animal:


  • No cão: Leishmaniose Visceral Canina

            o Teste rápido (DPP): ensaio imunocromatográfico utilizado como método de triagem
            

            o Ensaio imunoenzimático (ELISA): método confirmatório


  • Outros animais: Imunofluorescência Indireta (IFI): detecta anticorpos totais. Apresenta alta sensibilidade, mas não distingue as duas leishmanioses (visceral e tegumentar).
Resultado: 24 a 48 horas.
 

 

2. Demonstração do Parasita:

  •  Exame Microscópico Direto: detecta a presença de formas amastigotas do parasita em fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea de amostras humana e animal. Resultado: 24 a 48 horas.
  •  Isolamento do Parasita: A partir de fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea de amostras humana e animal, em meio de cultura acelular com posterior identificação e caracterização. Resultado: 30 dias.

 

 

3. PCR

  • Detecta a presença de DNA de Leishmania spp. em fragmentos de fígado, baço, aspirados de linfonodo e medula óssea de amostras humana e animal e em espécimes de flebotomíneos. Resultado: 07 dias.

 

Interpretação

O diagnóstico da LVA deve ser clínico, epidemiológico e laboratorial. Na imunofluorescência consideram-se reagentes amostras com títulos iguais ou superiores a 80. O isolamento do parasita na cultura confirma casos de leishmaniose. No caso de PCR positivo será realizado sequenciamento para identificação da espécie de Leishmania.


Prevenção

  •   Uso de mecanismos de proteção individual (repelentes, telas em portas e janelas, camisas de mangas compridas e calças, meias e sapatos);
  •   Manter abrigos de animais (galinheiros, chiqueiros, etc) distantes das residências;
  •   Controle de reservatórios domésticos;
  •   Controle vetorial nas áreas intra e peridomicílio;
  •   Medidas educativas (por ex: acondicionamento e destino adequado do lixo orgânico).
 

Envio Correto de Material

  • Material
    • Soro (1ml);
    • Sangue (5ml);
    • Fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea, em tubo com cerca de 0,5ml de solução fisiológica estéril;
    • Fêmeas de flebotomíneos.

 

  • Conservação/Transporte
    • Soro: refrigerado ou congelado;
    • Sangue: refrigerado;
    • Fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea, refrigerado até 24 horas após coleta;
    • Espécimes: pool de até 50 fêmeas de mesma espécie capturadas no mesmo local e período, imersas em álcool 70%.

 

Observação: A punção e os fragmentos não devem ser congelados.