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Área Técnica de Saúde da Criança e do Adolescente

Atendimento às Crianças com Alergia ao Leite de Vaca

A alergia ao leite de vaca tem sido uma hipótese diagnóstica aventada cada vez mais freqüentemente em nosso meio. Trata-se de um assunto que merece atualização técnica dada à diversidade de manifestações clínicas que podem levar ao superdiagnóstico e como conseqüência à introdução de dietas e privações alimentares desnecessárias.

Existe uma predisposição individual de reações indesejáveis após a ingestão de determinados alimentos, que são denominadas “Reações Adversas aos Alimentos – RAA” . Essas reações resultam de diferentes mecanismos e podem ser classificadas como:

Definição e Prevalência

A alergia à proteína do leite de vaca é resultante da sensibilização do indivíduo a uma ou mais proteínas do leite de vaca. Essas proteínas são absorvidas através da mucosa intestinal permeável, desencadeando assim uma reação imunológica.

A introdução precoce do leite de vaca, como substituto do leite humano, é um dos fatores que pode levar a essa doença.

Considerando-se as alergias alimentares de modo geral, sua prevalência nos três primeiros anos de vida está em torno de 6%. Quando se estuda especificamente a alergia ao leite de vaca, estima-se que 2,5% dos recém-nascidos terão reação de hipersensibilidade ao leite de vaca no primeiro ano de vida.

O período de tempo em que o indivíduo permanecerá alérgico também é uma incerteza. Existem trabalhos nos quais se demonstra que 50% das crianças deixam de ser alérgicas ao leite já no primeiro ano de vida; 70% por volta dos dois anos e 85% até os três anos de idade.

Manifestações Clínicas

As manifestações da alergia ao leite de vaca são muito variáveis podendo acometer vários órgãos, sendo a pele, o trato digestivo e o trato respiratório, os mais envolvidos. Os principais sinais e sintomas resultantes da alergia alimentar são:

Pele:

Gastrointestinal:

Respiratório:

Cardiovascular:

Diagnóstico

O diagnóstico deve ser feito com base em:

1 - Anamnese completa, na qual se valoriza a história alimentar da criança, principalmente o momento da introdução do alérgeno em questão. Tentar resgatar com a família se os sintomas coincidem com a introdução do leite de vaca. Valorizar os antecedentes da criança quanto à presença de outras alergias. Investigar alergia em outros membros da família.

2 - Exame físico: pode evidenciar anemia, lesões de pele e outros sinais conforme as manifestações clínicas predominantes

3 - Exames laboratoriais: a solicitação de exames laboratoriais depende do mecanismo envolvido.

A abordagem sistematizada de cada criança, envolvendo as várias etapas de avaliação, possibilitará o diagnóstico de alergia alimentar.

Considerações Finais

Dada a diversidade de sinais e sintomas presentes na alergia ao leite de vaca, existem inúmeras dificuldades para o seu diagnóstico. A alergia ao leite de vaca é uma das entidades clínicas a ser considerada em certas situações, porém, existem outras patologias de maior prevalência que cursam com manifestações clínicas semelhantes e que não podem ser esquecidas, como a Intolerância a Lactose.

Após episódios de diarréia persistente, a intolerância à lactose pode se instalar, sendo necessário, de início, diminuir o aporte de lactose e acompanhar a resposta clínica. Essa situação é muitas vezes interpretada, desde o primeiro momento, como alergia ao leite de vaca. No entanto, faz-se necessário diferenciar as duas entidades antes do encaminhamento ao especialista.

A alergia ao leite de vaca continua sendo um grande desafio na prática pediátrica. Frente à suspeita clínica dessa entidade, a família deverá procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência para que a criança seja avaliada e, se necessário, encaminhada para o ambulatório de alergia do Hospital Municipal Menino Jesus.


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Nosso e-mail: criancadolescente@prefeitura.sp.gov.br

Consulte:

Portaria SMS.G Nº 98/04