14/12/2015 18h01

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Saúde lança sistema que permite consulta ao estoque das farmácias da Rede Municipal

População poderá acessar dados via site ou aplicativo para celular

O objetivo, além de facilitar o acesso aos medicamentos, é conferir transparência à gestão e facilitar a vida do cidadão. Aplicativo também facilitará o trabalho dos profissionais que cuidam das farmácias das unidades

 

Por Ivony Lessa
Foto: Edson Hatakeyama

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) lançou, nesta segunda-feira (14), o Aqui Tem Remédio – Mais Saúde na Cidade. Trata-se de uma ferramenta de busca georreferenciada desenvolvida para auxiliar a população a encontrar em quais unidades do serviço público municipal de saúde se encontram os medicamentos buscados. A partir de agora, os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) municipal poderão encontrar, com praticidade, informações rápidas sobre a disponibilidade e a localização dos medicamentos, além de ter informações sobre como chegar às unidades. Clique aqui

A partir do aprimoramento do sistema logístico, foi possível desenvolver a ferramenta de uso para a população em apenas dois meses, com um Grupo de Trabalho de 20 pessoas. O objetivo, além de facilitar o acesso aos medicamentos, é conferir transparência à gestão e facilitar a vida do cidadão, que não precisará mais se deslocar até a unidade para saber se há ou não o remédio. O aplicativo também facilitará o trabalho dos profissionais que cuidam das farmácias das unidades.

O pessoal das unidades de saúde e das respectivas farmácias poderão utilizar essa nova ferramenta para encontrar medicamentos em unidades próximas. Isso vai garantir a melhor e mais rápida prestação de serviço à população e, consequentemente, maior tranquilidade no dia a dia de cada unidade da rede.

Farmácias da rede municipal

A maior parte dos medicamentos está disponível em todas as farmácias da Rede de Saúde Municipal e não possui condições específicas de prescrição e entrega. Todavia, há remédios que exigem o cumprimento de regras próprias (uso exclusivo em determinadas condições clínicas, prescrição por médico especialista, preenchimento de formulários, etc.), há aqueles que somente estão disponíveis em unidades de referência de condições específicas e outros que são reservados para uso interno nas unidades. Os dois últimos tipos não aparecem no aplicativo e no site, que disponibiliza 279 tipos de medicamentos.

A seleção de medicamentos distribuídos pela SMS à população obedece às diretrizes da Política Nacional de Medicamentos e baseia-se nas prioridades nacionais e municipais de saúde, bem como na segurança, na eficácia terapêutica comprovada, na qualidade e na disponibilidade dos produtos.

Logística de Medicamentos e Insumos

O processo logístico de uma Rede de Saúde Municipal composta por 976 unidades espalhadas em um território de 1.509 Km2 – maior que o de 24 países no mundo - e que deve atender, potencialmente, cerca de 11 milhões de habitantes – sendo o 79º “país” mais populoso do mundo.

As 566 farmácias da Prefeitura de São Paulo são responsáveis por entregar 279 tipos de medicamentos, dispensando cerca de 28 milhões de receitas por ano – há 10 anos, em 2005, esse número era de 9.660.547. Entre medicamentos para dispensação, medicamentos para uso interno nas unidades de saúde e insumos em geral - luvas, aventais, etc –, a logística da SMS para Atenção Básica e Especializada movimenta 1.200 tipos de itens. Por ano, a logística da Secretaria transporta cerca de 2 bilhões de unidades de insumos e medicamentos, totalizando um valor de R$345 milhões em 2015, até novembro.

O núcleo duro dessas operações é a Central de Distribuição de Medicamentos e Correlatos (CDMEC), que fica no bairro do Jaguaré. Em um espaço de 13mil m², dez galpões armazenam todos os insumos, guardando diariamente cerca de R$ 90 milhões em produtos que chegam e saem quase ininterruptamente. Diariamente, 38 veículos climatizados circulam de 6h até 16h por toda a cidade.

Em cada viagem, cada veículo se dirige a uma unidade específica; ou seja, eles são carregados exatamente com o estoque solicitado por cada local. Se uma UBS precisa de duas caixas de fraldas e três blisters de carbonato de cálcio, é precisamente isso que será levado e conferido pelos profissionais locais. Essa quantidade é calculada com base no consumo médio da unidade: consumo (por 8 dias úteis) – estoque (atual da unidade) = abastecimento que será levado.

Os três galpões refrigerados contêm diariamente cerca de 7.400 m³ de medicamentos, enquanto os demais insumos ocupam 7 galpões, em 17.600 m³. Para se ter uma ideia, a cada mês a cidade distribui, a partir da CDMEC, 2.400 m³ de fraldas geriátricas – o equivalente ao volume de uma piscina olímpica. Diariamente são dispensados 2 m³ do antissecretor Omeprazol, o medicamento mais utilizado no Município de São Paulo. Até o último dia 30 de setembro, 1.031.080 paulistanos utilizaram este fármaco, totalizando 144.647.316 comprimidos e R$6.645.174 de custos.

Com o crescimento da rede, dos itens dispensados, e a necessidade de melhorar o serviço para que a população tenha acesso efetivo aos medicamentos de forma cada vez mais constante, a logística representa um desafio permanente, que vem sendo enfrentado pela Prefeitura com soluções inovadoras.

As melhorias no sistema logístico e burocrático se traduzem em diminuição de custos – de até R$ 44,610 milhões potenciais para serem gastos na logística em 2015 até outubro, segundo um contrato flexível, a Prefeitura gastou apenas R$ 40,231 milhões. Foram economizados R$4,379 milhões para o Município, conferindo maior rapidez ao abastecimento das unidades e consequente maior acesso do cidadão aos medicamentos – entre junho e novembro deste ano, já houve uma queda de 65% nas queixas com relação à falta de medicamentos oferecidos pela Prefeitura na Ouvidoria Municipal.

Aprimoramento do Sistema

O sistema de entrega just in time, quando o suprimento chega já na hora ou próximo da hora de ser encaminhado para a unidade, permite que o estoque na CDMEC tenha sido reduzido em outubro, por exemplo, de 11.250 pallets para 9.900. Isso foi possível porque o tempo de reabastecimento diminuiu – o reabastecimento às unidades já foi mensal e passou a quinzenal; agora, funciona a cada 8 dias úteis e deve passar a semanal, já havendo um piloto para testar o novo sistema em cinco unidades.

Sistema informático

O sistema informático também foi aperfeiçoado para diminuir a burocracia e a dependência do papel. Agora, as unidades dão entrada no estoque recebido automaticamente, pelo sistema informático. Um processo que há cerca de um ano exigia que os funcionários introduzissem manualmente na plataforma todos os produtos recebidos com seus enormes códigos numéricos, demorando até 3 dias, agora só necessita de um clique de confirmação no computador, uma vez que tudo já é pré-definido na plataforma do sistema logístico. Essa automação serve tanto para as entradas quanto para as saídas.

Além de agilizar o processo, a margem para erros foi drasticamente diminuída, possibilitando à SMS monitorar com precisão o que é efetivamente utilizado pela Rede. Essa precisão é o que permite que as entregas sejam menores e mais frequentes, já que os estoques das próprias unidades agora serão reduzidos de 20 dias para uma semana, liberando espaço e facilitando a organização local.

Esta maior precisão quanto ao consumo real das unidades também permitiu que a Prefeitura fizesse, pela primeira vez em 2015, um planejamento anual de compras de insumos e medicamentos. Para 2016, além de analisar históricos de estoque e consumo, esse planejamento anual incluirá também histórico e projeção de preços dos produtos.

O planejamento, além de possibilitar uma melhor visão aos gestores, permite que se reduzam as compras emergenciais, ou seja, feitas sem os procedimentos normais de licitação e quando há situação crítica de desabastecimento. Em 2015, a porcentagem de compras emergenciais foi de apenas 3%.

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