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Departamento do Patrimônio Histórico


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Largo da Memória, porta de entrada da São Paulo antiga

Coluna Ladeira da Memória

O largo e a ladeira da Memória em 1862. (Coleção MCSP/DPH/SMC/PMSP, Militão Augusto de Azevedo.)

Milhares de pessoas passam diariamente pelo largo da Memória, no centro de São Paulo, sem saber que seu obelisco é o monumento mais antigo da cidade e que o local preserva um pedaço importante da história da capital. No começo do século XIX, o largo da Memória, localizado no início da rua da Palha, atual rua 7 de Abril, era ponto de reunião dos moradores da cidade e caminho obrigatório dos viajantes que paravam para encher os seus cantis na água da bica ali existente. Em agosto de 1814, o governo encarregou o engenheiro Daniel Pedro Müller da construção da estrada do Piques, para facilitar a comunicação entre São Paulo e o interior.
Além da estrada do Piques, Müller propôs a formação de um largo, a partir do alargamento das ladeiras do Piques e da Palha, e a construção de um chafariz, tudo complementado por um obelisco "à memória do zelo do bem público" demonstrado pelo governo. O largo, que ficou conhecido como “largo da Memória”, ficava nos limites da chamada "cidade nova", do outro lado do ribeirão Anhangabaú; confluência de caminhos, porta de entrada do núcleo urbano, numa época em que as tropas de burros cumpriam importante papel no transporte de cargas e mercadorias. Pelo chafariz, os moradores das imediações se abasteciam de água potável e os animais se refaziam das longas caminhadas.

Construído em pedra de cantaria pelo mestre pedreiro Vicente Gomes Pereira, o obelisco emergia de uma bacia de alvenaria com grades de ferro, que servia como reservatório da água vinda do Tanque Reúno, atual praça da Bandeira, formado pelo represamento do córrego Saracura. O chafariz foi retirado do largo em 1872. Nessa época, a estrada de ferro transferiu para as imediações da Estação da Luz o papel de "porta de entrada" da cidade, antes representado pelo largo: as antigas tropas foram perdendo sua importância, até serem totalmente substituídas pelo trem.

Obelisco e Largo da Memória em 2006. (Acervo Preservação/DPH/SMC. Chico Saragiotto.).

Em 1919, nos preparativos das comemorações do Centenário da Independência, o arquiteto Victor Dubugras e o artista plástico José Wasth Rodrigues elaboraram um projeto de reforma do largo da Memória, dotando-o de um novo chafariz e de um pórtico com azulejos, exibindo uma cena do antigo largo. Completavam a intervenção escadarias em pedra e azulejos decorativos com o brasão da cidade, escolhido por concurso público, vencido pela parceria Guilherme de Almeida e Wasth Rodrigues em 1917.

O largo foi protegido no começo da década de 1970 pelo município (Z8-200-083), tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) em 1975, no início da construção do Metrô Anhangabaú, e tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) em 1991. Atualmente, está em andamento a adoção do obelisco pelo programa "Adote Uma Obra Artística", parcerias entre Prefeitura e empresas privadas.

 

Diário Oficial da Cidade de São Paulo. 6. mai. 2005, Ano 50, n.84, p. III.
Texto elaborado por Ana Winther, Helenice Diamante, Denise Trani e Fátima Antunes. Revisto em 31.8.2010.