A Galeria Prestes Maia

Passagem da Praça do Patriarca ao vale do Anhangabaú já foi um dos endereços mais concorridos da cidade

 

Vista da entrada da Galeria Prestes Maia para Praça do Patriarca
Crédito da imagem: KWR2

Poucas pessoas, que hoje atravessam a Praça do Patriarca rumo ao Vale do Anhangabaú pela Galeria Prestes Maia, sabem que ela abrigou grandes eventos artístico-culturais e já foi um dos endereços mais concorridos da cidade.

Essa exuberante galeria, com paredes e colunas revestidas de mármore, possui três níveis interligados por escadarias e escadas rolantes. Aliás, foi um dos primeiros locais a utilizar escadas rolantes na cidade de São Paulo, inauguradas em 1955 pelo prefeito William Salem.

Sua história tem início com a construção do “novo” Viaduto do Chá em 1938. O arquiteto responsável pela obra, Elisiário Bahiana, já previa o aproveitamento das estruturas internas das duas extremidades do viaduto, sugerindo a construção de dois prédios ocupados por salões de usos diversos. As obras da Galeria foram iniciadas em 1939 e finalizadas em 1941. Em 1940, ela era inaugurada pelo prefeito Francisco Prestes Maia.

Enfeitam a Galeria, Graça I e Graça II, esculturas do modernista Victor Brecheret posicionadas no primeiro lance de escadas recepcionando os passantes. Entre o segundo e o terceiro pavimento, à esquerda de quem desce, há uma réplica em bronze de Moisés, de Michelangelo, feita pelo Liceu de Artes e Ofício. À frente de uma das entradas do Salão Almeida Júnior, encontra-se um busto em bronze homenageando o pintor paulista, Laurindo Galante.

O Salão Almeida Júnior, a partir de 1940, foi palco de um dos principais eventos artísticos realizados na cidade, o Salão Paulista de Belas Artes, que teve a participação de renomados artistas plásticos como Amadeo Zani, Ricardo Cippichia e a modernista Anita Malfatti.

Em 1965, ganhou o nome de Galeria Prestes Maia por decreto do então prefeito José Vicente Faria Lima, homenageando o ex-prefeito que falecera no mês de abril do mesmo ano.

Assim como toda a área central, a Galeria Prestes Maia passou por uma fase de degradação que se agravou a partir de meados da década de 70, quando abrigou postos de órgãos públicos, perdendo a sua feição original de espaço dedicado às artes.

Esse processo de deterioração do espaço só começou a ser revertido em meados da década de 90. Incluída no projeto que previa a revitalização do Centro, e especificamente da Praça do Patriarca, a galeria passou por reformas estruturais. Em 1996, o prefeito Paulo Maluf assinou um termo de comodato que cedia a Galeria Prestes Maia ao Museu de Arte de São Paulo (MASP).
Em 2000, estava oficialmente inaugurado o projeto MASP-Centro, em uma solenidade que marcava o retorno das Graças à galeria, após uma permanência de sete anos no Museu Brasileiro de Escultura (MUBE).

Reconhecendo sua importância para a cidade, em 1992 o Conpresp tombou a Galeria Prestes Maia considerada área de excepcional interesse histórico e arquitetônico, o que determinou a sua preservação integral.

Maurício Rodrigues Pinto