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O Acervo Fotográfico

A relevância deste acervo para São Paulo é singular. Este patrimônio ilustra o processo do desenvolvimento urbanístico da cidade ao longo dos últimos 150 anos, e possibilita resgatar dados visuais muitas vezes únicos para a compreensão de nossa história, geografia, sociedade, política e cidadania. Quando somados às informações textuais e documentais de outras fontes, os raríssimos exemplares das primeiras cenas da paisagem urbana paulista pertencentes a este acervo, a exemplo das coleções Militão Augusto de Azevedo e Guilherme Gaensly iluminam o imaginário do nosso passado, cujos elementos materiais estão praticamente extintos na atualidade. A observação das coleções do século XX, como Aurélio Becherini e B. J. Duarte auxilia o entendimento dos projetos que desenharam nossa atual configuração urbana, especialmente na região central e nos bairros periféricos daquela época, ilustrando também as modificações na cultura, sociedade e economia. Nas coleções Ivo Justino e Márcia Alves, encontramos os registros visuais das intervenções urbanas da metrópole atual, sobretudo nos bairros das zonas oeste e leste, além de um detalhado estudo sobre as comunidades paulistanas.

A origem deste acervo está relacionada a dois personagens. Washington Luís Pereira de Sousa, prefeito de São Paulo entre 1914 e 1919, primeiro político que percebeu a necessidade de registrar a rápida transformação da cidade na virada do século, incentivando a publicação do Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, e o fotógrafo Aurélio Becherini, que atuou como editor ddeste projeto, atribuição que envolveu a aquisição de fotografias de Militão Augusto de Azevedo e Guilherme Gaensly, além de imagens de sua própria autoria, para ilustrar o álbum. Somam-se também, na gestão Fábio Prado (1934 a 1938), os nomes de Mário de Andrade, Paulo Duarte e Benedito Junqueira Duarte, responsáveis pela aquisição e resgate da coleção que, após a publicação do livro, foi guardada nos porões do Palacete Prates, sede da prefeitura neste período.

Coube a Benedito Junqueira Duarte as primeiras ações de conservação que garantiram a salvaguarda da coleção de negativos de vidro até nossos dias. Na década de 1940, Duarte executou a identificação das imagens do século XIX recorrendo ao apoio de Nuto Sant’Anna e de outros estudiosos da história paulistana, muitas vezes registrando ricas informações descritivas do passado da cidade às fichas catalográficas. Também é de sua autoria o extraordinário plano de documentação urbana executado juntamente com sua equipe até a década de 1950.