Teatro na Mário

Ciclo de Teatro Contemporâneo na Biblioteca Mário de Andrade, com doze montagens de diferentes companhias paulistas e sete conferências.

Curadoria: Alvaro Machado

De 2 de junho a 9 de dezembro de 2017


Auditório Rubens Borba de Moraes da Biblioteca Municipal Mário de Andrade – Rua da Consolação, 94, centro, São Paulo.

Lotação: 170 lugares. As senhas começarão a ser distribuídas 1 hora antes do início das atividades.

Rua da Consolação, 94. / Telefone: (11) 3775-0002 / GRÁTIS 



2 de junho, sexta-feira, 19h: Palestra “Afrescos do crânio: Samuel Beckett, dramaturgo e encenador”, por Felipe de Souza

3 e 4 de junho, sábado e domingo, 20h: Peça “Why the horse?”, com Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli, Carolina Splendore e Robson Catalunha

5, 12, 19 e 26 de junho, segundas-feiras, sempre às 19h: Peça “Fim de jogo”, de Samuel Beckett, com Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas

17 de junho, sábado, 20h: Peça musical “O meu lado homem: Um cabaré d'escárnio com Hilda Hilst”, com Luís Mármora, Lincoln Antônio (piano) e Simone Julian (sopros)

7 de julho, sexta-feira, 19h: Palestra “José Agrippino de Paula: Escritor, cineasta, guru da tropicália”, por Felipe de Moraes, com participações especiais de Sérgio Mamberti e José Roberto Aguilar

3, 10 e 17 de julho, segundas-feiras, 19h: Peça musical “Entrevista com Stela do Patrocínio”, com Georgette Fadel, Lincoln Antônio e Juliana Amaral

14 de julho, sexta-feira, 19h: Palestra “Arte, escrita literária e loucura”, com Gustavo Henrique Dionísio

22 de julho, sábado, 20h: Peça “Fim de jogo”, de Samuel Becket, com Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas

24 e 31 de julho, segundas-feiras, 19h: Peça “A morte de Ivan Ilicht”, de Cácia Goulart e Edmilson Cordeiro, a partir da obra de Liev Tolstói

28 de julho, sexta-feira, 19h: Palestra “Tolstói e o novo homem russo do século XX”, por Gutemberg Medeiros

7, 14, 21 e 28 de agosto, segundas-feiras, 19h: Peça “Paranoia”, de Marcelo Drummond, sobre poemas de Roberto Piva

18 de agosto, sexta-feira, 19h: Palestra “Corpo, gênero e sexualidade no teatro brasileiro: do movimento feminista e conquistas LGBT à teoria Queer”, com Ferdinando Martins

4, 11, 18 e 25 de setembro, segundas-feiras, 19h: Peça “Cindy”, de Gabriel Miziara  - Espetáculo inédito, estreia na Biblioteca Mário de Andrade

2, 9, 16 e 23 de outubro, segundas-feiras, 19h: Peça “Das cinzas”, de Samuel Beckett, com Aury Porto e presença em vídeos e áudios da bailarina Renné Gumiel (1913-2006)

28 de outubro, sábado, 20h; 30 de outubro, segunda-feira, 19h: Peça “Experimento H”, da Cia. do Latão, sobre contos de Truman Capote, com Helena Albergaria, Kiko do Valle e Rogério Bandeira

3 de novembro, sexta-feira, 19h: Palestra “Gertrude Stein, Alice Toklas, feminismo e vanguardas dos anos 1920 e 1930”, por Gabriela Longman

6, 13, 20 e 27 de novembro, segundas-feiras, 19h: Peça “Alice, ou retrato de mulher que cozinha ao fundo”, com Nicole Cordery

17 de novembro, sexta-feira, 19h: Palestra-exibição “Fotografia no teatro”, com a fotógrafa Lenise Pinheiro

4 e 11 de dezembro, segundas-feiras, 19h: Peça “Manuela”, da Cia. do Feijão

8 de dezembro, sexta-feira, 19h: Palestra “Clarice Lispector, 40 anos de legado literário”, com Eucanaã Ferraz

7, 8 e 9 de dezembro, quinta, sexta e sábado, 20h: Musical Teatral “Outra hora da estrela”, com Jussara Silveira, Eucanaã Ferraz e banda



LITERATURA, TEATRO, ANTITEATRALIDADE E PERFORMANCE

O teatro não estava entre as seis artes consagradas ao tempo em que o cinema tornou-se a “sétima”. No final do século XIX, as artes teatrais eram classificadas sob a rubrica Literatura. Porém, ao mesmo tempo em que a arte cinematográfica era inventada, poetas, músicos e artistas plásticos tomavam de assalto a Europa e o mundo com conceitos e estéticas que, aplicadas imediatamente ao teatro, iram emancipá-lo à modernidade, plasmando características e procedimentos que informam ainda hoje essa expressão. Quebrava-se, então, o paradigma da teatralidade exagerada ou super-impostada, como praticado, por exemplo, na Comédie-Française. Ditas antiteatrais, as  novas teatralidades foram sugeridas, exemplarmente, pelo poeta e crítico literário Stéphane Mallarmé e pelo compositor Richard Wagner, ambos ligados ao movimento simbolista, mas sem conexão entre si. O escritor francês propôs o “teatro do verbo” e a “cena mental”, enquanto o músico alemão lançava o conceito de “teatro total” que, ao  promover fusão dos diversos meios expressivos, magnificou materialidades cênicas.

Assim, o experimento dessas antiteatralidades no interior do próprio teatro colocou definitivamente a representação sob suspeita e derivou em criadores como Maurice Maeterlinck, Gertrude Stein e Antonin Artaud, que por sua vez alimentaram encenadores-inventores capazes de dar corpo às suas ideias, como Victor Garcia e Bob Wilson – para ficar em dois exemplos bastante reconhecíveis no Brasil. Ao propor à cena materialidades e literalidades, esses diretores erigiram “polifonias significantes” (na formulação de Roland Barthes) de enorme potência. À parte abandonar a grandiloquência do “fingidor” de palco e a metamorfose do ator em personagem, passaram a mobilizar recursos de espaço, luz e movimento, bem como da palavra concreta e poética. De outro lado, em suas óperas, Wagner inaugurava o primado do encenador como senhor absoluto do espetáculo e “explodia” a representação, pelo acréscimo de camadas de qualidades gestuais, mímicas e musicais.

O arquiteto e encenador suíço Adolphe Appia, o teatrólogo inglês Edward Gordon Craig e o ator e encenador Vsevolod Meyerhold, este junto ao formalismo russo dos anos 1920 e 1930, bem como, duas décadas mais tarde, o teórico e diretor polonês Tadeusz Kantor, conduziram as artes cênicas a novos patamares de reteatralização. Paradoxalmente, a explicitação que conferiram à teatralidade e a ênfase na “inevitabilidade da forma” submeteram o espectador a experiências de distanciamento em relação a recursos familiares ao próprio teatro, desnudando-lhe sua artificialidade e catapultando-o da plateia ao interior do espaço cênico.

No ciclo teatral de montagens e palestras idealizado para o período de junho a novembro 2017 no auditório da Biblioteca Mário de Andrade – palco de tantas leituras dramáticas e encenações desde que o crítico e sociólogo Sérgio Milliet assumiu a direção da casa, em 1943 –, desfilam as principais vertentes das artes cênicas a partir da modernidade, conforme sumarizado acima. Fazendo, porém, a cobra morder o próprio rabo, os espetáculos programados referem-se, cada um à sua maneira, à criação literária, em registros de espelhamento, atomização ou mesmo negação da mesma, a exemplo das peças do irlandês Samuel Beckett programadas. Nesse repertório, a forma livro constitui, pois, pedra de toque para atos cênicos situados já no espectro contemporâneo da performatividade, à qual os frequentadores da Mário de Andrade irão integrar-se, com múltiplas e novas inscrições na curva da experiência e do conhecimento partilhados.

Por Alvaro Machado (a partir do ensaio “Teatralidade e Performatividade na Cena Contemporânea”, da professora, dramaturga e pesquisadora Sílvia Fernandes, Revista “Repertório”, Salvador, 2011)

 


Confira a seguir as sinopses de todas as atrações do ciclo:

2 de junho, sexta-feira, 19h:

Palestra “Afrescos do crânio: Samuel Beckett, dramaturgo e encenador”, por Felipe de Souza

A trajetória da obra teatral de Samuel Beckett, iniciando com comentários acerca das chamadas major plays ("Fim de Jogo", que será apresentada neste mês de junho na Biblioteca; "Esperando Godot"; "A Última Gravação de Krapp"; e "Dias Felizes"), passando pelas peças radiofônicas (como "Cinzas", a ser levada em palco em outubro, neste ciclo), e finalmente abordando os chamados dramatículos, com ênfase em "Passos" e "Improviso de Ohio". Será abordada, ainda, a trajetória de Samuel Beckett como encenador teatral, desde seu contato inicial com encenadores com os quais atuou como conselheiro, até seu posterior trabalho como encenador de algumas de suas principais peças no Schiller-Theater berlinense..

Ator, diretor e pesquisador, Felipe de Souza é graduado em Artes Cênicas pela ECA-USP, mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, pela PUC-SP e doutorando em Teoria Literária pelo Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), sob a orientação de Fábio de Souza Andrade. Felipe é membro do Grupo de Pesquisa Estudos sobre Samuel Beckett (USP/CNPq) e exerceu docência na Escola de Arte Dramática (EAD/USP), no Teatro Escola Macunaíma e na Escola de Teatro Recriarte. Encenou obras de autores como Qorpo Santo, Samuel Beckett, Eugène Ionesco, Jean Genet, Fernando Arrabal, Bernard-Marie Koltès e Ésquilo. De Beckett, dirigiu “Esperando Godot”, “A “Última Gravação de Krapp” e “Primeiro Amor” (adaptação teatral desta novela). 90 minutos, Indicação: livre.

 

3 e 4 de junho, sábado e domingo, 20h:

Peça “Why the horse?”, com Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli, Carolina Splendore e Robson Catalunha

Direção: Maria Alice Vergueiro

Morrer em cena. Esse foi o ponto de partida para a criação de “Why The Horse?”. Instigada pelo tema da morte e reconhecendo seu próprio e natural receio diante do fim, bem como a força artística que envolve, Maria Alice Vergueiro convocou seus parceiros do grupo Pândega para a criação de um espetáculo em que pudesse ensaiar seu derradeiro momento. Um último ensaio, um mergulho nesta temática ao mesmo tempo tão pessoal e universal, cerne do imaginário grotesco, tão caro ao histórico teatral de Maria Alice, que na última década converteu-se, a partir da Internet, em musa do underground paulistano. Em formato de happening, a montagem tem muito de sua linguagem baseada no trabalho de Alejandro Jodorowsky, um dos cineastas contemporâneos preferidos da atriz, além de fazer referência a “Fim de Jogo”, peça de Samuel Beckett, autor bastante presente na trajetória de Maria Alice, assim como a escritora Hilda Hilst, que também aparece em “Why The Horse?”.

Idealização: Grupo Pândega de Teatro/ Direção: Maria Alice Vergueiro/ Dramaturgia: Fábio Furtado/ Cenografia: J. C. Serroni/ Desenho de luz: Guilherme Bonfanti/  Figurino: Telumi Hellen/  Direção de movimento: Alexandre Magno/  Direção musical: Otávio Ortega/ Assistente de direção: Pedro Monticelli/ Elenco: Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli, Carolina Splendore, Robson Catalunha e Otávio Ortega/ Direção de Produção: Carla Estefan/ Direção de cena: Elisete Jeremias/ Operação de luz: Marcela Katzin/ Operação de Som e Vídeo - Fabrício Cardial/ Camareira: Maria Cícera.  Duração – 45 minutos. Gênero: Drama. Indicado para maiores de 16 anos.

 

5, 12, 19 e 26 de junho, segundas-feiras, 19h:

Peça “Fim de jogo”, de SAMUEL BECKETT, com Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas

Idealização e atuação: Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas

Direção: Isabel Teixeira

Montagem concebida em 2016 para celebrar 60 anos de trajetória do ator e diretor Renato Borghi. Na peça de Beckett, o velho Hamm (Borghi) está cego e paralítico. Seu parceiro Clov (Seixas) tem uma estranha enfermidade que o impede de sentar-se. Junto deles, habitam outros dois mutilados, Nagg (Adriano Borghi) e Nell (Maria de Castro Borghi), pais de Hamm. Os quatro personagens dividem um abrigo, refugiados de uma terra devastada que Clov espia com uma luneta através de pequenas janelas. Não há pistas sobre que espécie de apocalipse criou tamanha desolação. No jogo da sobrevivência, Hamm dá as ordens, enquanto Clov cuida da cozinha e outras questões de ordem prática. A peça começa quando o jogo se aproxima do fim.

Autor: Samuel Beckett / Tradução: Fábio Rigatto de Souza Andrade. / Elenco: Renato Borghi (Hamm) /Elcio Nogueira Seixas (Clov) Maria de Castro Borghi (Nell) / Adriano Borghi (Nagg) / Direção: Isabel Teixeira / Direção de Arte: Karlla Girotto / Iluminação: Alessandra Domingues / Trilha Sonora: Aline Meyer / Diretor Assistente e “O Ponto”: Lucas Brandão / Assistência de Direção de Arte: Gabriela Cherubini / Assistência de Iluminação: Laiza Menegassi / Direção de palco: Tiago Moro / Realização: Teatro Promíscuo. Duração: 80 minutos. 14 anos

 

17 de junho, sábado, 20h:

Peça “O meu lado homem: Um cabaré d'escárnio com Hilda Hilst”, com Lincoln Antônio (piano) e Simone Julian (sopros)

Concepção e interpretação – Luís Mármora

Apresentação comemorativa da Parada LGBT de São Paulo (18 de junho).

Com exposição de foto-retratos de Hilda Hilst dos anos 1950, de autoria de Fredi Kleeman, do acervo da Biblioteca Mário de Andrade (Saguão do andar Térreo).

Musical baseado na obra “Cartas de um Sedutor”, da escritora paulista Hilda Hilst (1930-2004). O espetáculo mostra Sápata Magáli, um(a) literato(a) cujo nome é inspirado no crítico teatral Sábato Magaldi. Ele é mostrado como apresentador de um cabaré decadente, com banda ao vivo e repertório musical variado, incluindo composições originais de Rafael Castro e Luiz Gayotto. De salto alto, barba e cílios postiços, o personagem é uma figura híbrida, transgênero de vocação pornográfica (como a obra de Hilst na qual se inspira) e, claro, altamente poético. Um show man que relembra fatos de sua vida, canta e provoca a plateia.

Texto: Hilda Hilst (“Cartas de um Sedutor”). Concepção e Interpretação: Luís Mármora. Direção Artística: Marcelo Romagnoli. Direção Musical: Luiz Gayotto. Adaptação e Roteiro: Luís Mármora, Luiz Gayotto e Marcelo Romagnoli. Músicos: Lincoln Antônio e Simone Julian (sopros). Iluminação: Marcelo Romagnoli. Figurino: Marichilene Artsevskis. Espaço Cênico: Nerone Prandi, Marcelo Romagnoli e Luís Mármora. Produção e Realização: Marmorhaus Produções Culturais. 90 minutos. 14 anos.

 

7 de julho, sexta-feira, 19h:

Palestra “José Agrippino de Paula: Escritor, cineasta, guru da Tropicália, 50 anos de Panamérica”, por Felipe de Moraes, participações especiais de Sérgio Mamberti e José Roberto Aguilar.

O evento inclui exibição do curta-metragem O céu sobre a água, de José Agrippino de Paula, com a bailarina Maria Esther Stockler, falecida em 2006), e depoimentos do ator e gestor cultural Sérgio Mamberti e do pintor, artista multimídia e performer José Roberto Aguilar.

Homenagem ao escritor paulistano José Agrippino de Paula (1937-2007), no mês em que são lembrados os 80 anos de seu nascimento, bem como dez anos de morte e cinquenta da publicação de seu principal livro, “Panamérica” (1967), obra que é reputada por Caetano Veloso, Tom Zé, Jorge Mautner e Os Mutantes como uma das inspirações para o movimento Tropicália, cujos 50 anos também são comemorados neste ano.

O autor, que nos anos 1960 integrou o Grupo Kaos, com o compositor e escritor Jorge Mautner e o artista plástico José Roberto Aguilar, também foi encenador de peças históricas do movimento da contracultura brasileira, como “O Rito do Amor Selvagem” e “Tarzan III.o  Mundo”. Agrippino também assinou filmes como o clássico do cinema underground paulistano “Hitler III.o Mundo” (1968), obra a ser abordada, no evento da BMA, por Felipe de Moraes, teórico da Literatura e estudioso da obra do multiartista. Também será projetado o curta-metragem “O Céu Sobre a Água” (1972-78, 20 min.). Também presentes, o ator Sérgio Mamberti (que irá relembrar o exílio do escritor, junto à sua companheira, a bailarina e coreógrafa Maria Esther Stockler, em Londres e na África, após 1968) e o pintor e performer José Roberto Aguilar (que recordará a participação de Agrippino no grupo Kaos, junto a ele e a Jorge Mautner).

Felipe de Moraes é graduado em História pela Universidade de São Paulo e bacharel em Letras pela FFLCH-USP. Mestre e Doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP. Foi professor no Serviço Social da Industria e um dos curadores da VI Jornada Brasileira de Cinema Silencioso da Cinemateca (2012). É autor da apresentação da edição brasileira “Léxico do Drama Moderno e Contemporâneo” (ed. Cosac Naify, 2014), obra de referência em estudos teatrais. 180 minutos. 16 anos.

 

3, 10 e 17 de julho, segundas-feiras, 19h:

Peça “Entrevista com Stela do Patrocínio”, com Georgette Fadel, Lincoln Antônio e Juliana Amaral

Direção: Georgette Fadel e Lincoln Antônio

Stella do Patrocínio (1941-1997) foi  uma poetisa brasileira negra. Contam-se em 2017 vinte anos de sua morte. Quase como uma ópera, a peça reproduz uma entrevista concedida por Stela a uma psicóloga estagiária, na colônia para doentes psiquiátricos Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde a artista ficou internada por muitos anos. Na peça, a própria escritora reconta sua trajetória até ir parar nesse hospital: como se formou, como é seu cotidiano e quais são seus sonhos e desejos. A gravação original dessa histórica entrevista também foi transformada em um livro, organizado pela filósofa Viviane Mosé e publicado em 2001 (“Reino dos bichos e dos animais é o meu nome”, Azougue Editorial). Os direitos autorais sobre a obra de Stela encontram-se sob a proteção do Museu Bispo do Rosário.

Música de Lincoln Antonio, sobre falas de Stela do Patrocínio / Com Georgette Fadel (Stela do Patrocínio), Juliana Amaral (Entrevistadora) e Lincoln Antonio (piano) / Luz: Julia Zakia / Figurinos: Silvana Marcondes / Direção geral: Georgette Fadel e Lincoln Antonio / Produção: Núcleo do Cientista – Cooperativa Paulista de Teatro. Duração: 70 minutos. Idade recomendada: 12 anos.

 

14 de julho, sexta-feira, 19h:

Palestra “Arte, escrita literária e loucura”, com Gustavo Henrique Dionísio

São objeto de análise as relações entre a arte e a chamada “loucura”, de pacientes de instituições psiquiátricas diagnosticados como esquizofrênicos. A palestra abordará, ainda, a expressão oral poética de Stela do Patrocínio (1941-1997), paciente da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro (tema do espetáculo “Entrevista com Stela do Patrocínio”, em julho na Mário de Andrade), bem como as telas e desenhos de vários pacientes sob os cuidados da doutora Nise da Silveira (1905-1999), na segunda metade do século XX, também no Rio de Janeiro.

Gustavo Henrique Dionísio possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2002), Mestrado (2004) e Doutorado (2010) em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, com estágios na Pitié-Salpetrière e na École de Hautes Études en Sciences Sociales (Paris-França). Atualmente é professor-assistente doutor do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade Estadual Paulista (FCL-UNESP), em nível de Graduação e Pós-Graduação (mestrado e doutorado), e vice-supervisor do Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada Betti Katzenstein da mesma universidade.


22 de julho, sábado, 20h:

Peça “Fim de jogo”, de Samuel Beckett, com Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas

Idealização e atuação: Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas

Direção: Isabel Teixeira

Montagem concebida em 2016 para celebrar 60 anos de trajetória do ator e diretor Renato Borghi. Na peça de Beckett, o velho Hamm (Borghi) está cego e paralítico. Seu parceiro Clov (Seixas) tem uma estranha enfermidade que o impede de sentar-se. Junto deles, habitam outros dois mutilados, Nagg (Adriano Borghi) e Nell (Maria de Castro Borghi), pais de Hamm. Os quatro personagens dividem um abrigo, refugiados de uma terra devastada que Clov espia com uma luneta através de pequenas janelas. Não há pistas sobre que espécie de apocalipse criou tamanha desolação. No jogo da sobrevivência, Hamm dá as ordens, enquanto Clov cuida da cozinha e outras questões de ordem prática. A peça começa quando o jogo se aproxima do fim.

Autor: Samuel Beckett / Tradução: Fábio Rigatto de Souza Andrade. / Elenco: Renato Borghi (Hamm) /Elcio Nogueira Seixas (Clov) Maria de Castro Borghi (Nell) / Adriano Borghi (Nagg) / Direção: Isabel Teixeira / Direção de Arte: Karlla Girotto / Iluminação: Alessandra Domingues / Trilha Sonora: Aline Meyer / Diretor Assistente e “O Ponto”: Lucas Brandão / Assistência de Direção de Arte: Gabriela Cherubini / Assistência de Iluminação: Laiza Menegassi / Direção de palco: Tiago Moro / Realização: Teatro Promíscuo. Duração: 80 minutos. 14 anos


24 e 31 de julho, segundas-feiras, 19h:

Peça “A morte de Ivan Ilicht”, de Cácia Goulart e Edmilson Cordeiro, a partir da obra de Liev Tolstoi

Direção e interpretação: Cácia Goulart

Da obra-prima de Liev Tolstoi, polêmica ainda nos dias de hoje em virtude do seu caráter político e metafísico, A Morte de Ivan Ilitch coloca em cena o homem reificado, produto da generalização burocrática, das cartas marcadas dos pequenos poderes burgueses, do caruncho do cotidiano familiar e amoroso, e da extenuante e ao mesmo tempo luminosa meditação sobre a culpa e a morte. Segunda a russóloga Elena Vássina, “uma cativante encenação da genial novela, com perfeito domínio da tessitura dramática do texto e uma profundidade psicológica ímpar, que consegue recriar no palco a história arquetípica da vida humana (...), numa revelação epifânica da eternidade”. A montagem recebeu duas indicações ao Prêmio Shell de Teatro, nas categorias “atriz” e “iluminação” (de Lúcia Chediek).

De: Liev Tolstói. Adaptação e Dramaturgia: Edmilson Cordeiro e Cácia Goulart, a partir da tradução de Boris Schnaiderman. Direção e atuação: Cácia Goulart. Assistente de direção: Inês Aranha. Cenografia: André Cortez. Desenho de luz: Lúcia Chedieck. Música original:  Marcelo Pellegrini. Figurinos/Visagismo: Marina Reis. Fotografia: Cacá Bernardes. Operador de luz: Rodrigo Palmieri. Operador de som: André Grynwask. Realização: Núcleo Caixa Preta. A partir de 14 anos / Duração: 90 minutos.

 

28 de julho, sexta-feira, 19h:

Palestra “Tolstói e o novo homem russo do século XX”, por Gutemberg Medeiros

A novela “A Morte de Ivan Ilitich”, de Liév Tolstoi (1828-1910), publicada em 1886, considerada o testamento literário do grande escritor russo (um monólogo baseado no livro estará em cartaz em julho na Mário de Andrade) é analisada no panorama da chamada “idade do ouro” da Literatura Russa. No Brasil, o texto foi traduzido por Carlos Lacerda, Boris Schnaiderman e Irineu Franco Perpétuo. O palestrante lembrará, ainda, a influência que a novela exerceu sobre escritores brasileiros, entre eles Hilda Hilst.

Gutemberg Araújo de Medeiros cursa pós-doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC/SP sob supervisão da professora dra. Jerusa Pires Ferreira. Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Católica de Santos (1990), mestrado em Ciências da Comunicação pela USP (1999) e doutorado em Ciências da Comunicação pela USP (2009). Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Editoração e Teoria e Ética do Jornalismo, atuando nos temas de memória e cultura, história e memória, história da editoração, história do jornalismo brasileiro e a interação do jornalismo com outros campos de conhecimento ou atuação. O seu campo de pesquisa tem foco na produção de crônicas ou metajornalismo de escritores e jornalistas como Dostoiévski, Tchekhov, Machado de Assis, Lima Barreto, João do Rio, Olavo Bilac, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Rosário Fusco, Nelson Rodrigues, Antonio Maria, Hilda Hilst entre outros.

 

7, 14, 21 e 28 de agosto, segundas-feiras, 19h:

Peça “Paranoia”, de Marcelo Drummond, sobre poemas de Roberto Piva

Direção e interpretação de Marcelo Drummond, com intervenções ao vivo de Igor Marotti (vídeo) e Zé Pi (música)

Monólogo com poemas e textos do poeta paulistano Roberto Piva (1937-2010), em maioria de seu famoso livro “Paranoia” (ed. Massao Ohno, 1968, com fotos de Wesley Duke Lee, reeditado por Instituto Moreira Salles, 2000), sobre o cotidiano do centro da cidade de São Paulo nos anos 1960, em lugares como a Avenida São Luiz e a Praça da República. Mário de Andrade, Antonin Artaud e Federico García Lorca também são rememorados na barafunda do viver na metrópole paulista em ebulição.

Direção geral e atuação: Marcelo Drummond / Trilha sonora: Zé Pi / Luz: Luana Della Crist / Desenho e operação de som: Rodox / Efeitos (laser): Fabio Stasiak / Direção de arte: Sonia Ushiyama / Direção de cena: Otto Barros / Cinema ao vivo: Igor Marotti (diretor de fotografia, câmera) e Pedro Salim (projeções ao vivo) / Técnico de som: Rodox e Felipe Gatti / Produção Executiva: Anderson Puchetti /Produção: Ederson Barroso e Kael Studart.

 

18 de agosto, sexta-feira, 19h:

Palestra “Corpo, gênero e sexualidade no teatro brasileiro: do movimento feminista e conquistas LGBT à teoria Queer”, com Ferdinando Martins

O professor do Departamento de Teatro da ECA-USP Ferdinando Martins utiliza exemplos literários e dramatúrgicos a partir do final do século XIX para abordagens do feminismo e da história dos direitos homossexuais e transgêneros, até o surgimento, nos anos 1980, da Teoria Queer, que situa a identidade de gênero sexual como um constructo social e que afirma não existirem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, mas antes formas socialmente variáveis de desempenho sexual.

Ferdinando Martins integra o corpo docente do Departamento de Teatro da Escola de Comunicações e Artes da USP. É doutor em Sociologia pela ECA-USP e diretor do Teatro da USP (TUSP). Coordenador do Convênio de Cooperação Cultural entre a USP e a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Pesquisador do Laboratório de Informações e Memória do Departamento de Artes Cênicas da USP.


4, 11, 18 e 25 de setembro, segundas-feiras, 19h:

Peça “Cindy”, de Gabriel Miziara  - Espetáculo inédito, estreia na Biblioteca Mário de Andrade

Interpretação: Gabriel Miziara. Direção: Marcelo Lazzaratto.

Espetáculo nascido de pesquisa do autor em torno de escritores e escritoras homossexuais. Walt Withman, Oscar Wilde, Caio Fernando Abreu, Gore Vidal, Thomas Mann, Virginia Woolf, Elisabeth Bishop, João do Rio, Tennessee Williams, Marguerite Yourcenar e Anäis Nin são alguns dos autores que servem de base para a dramaturgia.  O amor é um tema vasto, quase não há obra escrita em que ele não seja um dos motores fundamentais da ação. Através das lentes destes escritores, podemos observar o quanto a orientação sexual não-majoritária, assumida ou reprimida, é determinante para um novo olhar sobre o amor, visto que este nasce de um conflito do artista, seja consigo mesmo, seja com a sociedade que o circunda.

Idealização e Interpretação: Gabriel Miziara / Direção e Iluminação: Marcelo Lazzaratto / Figurino: Isabela Telles / Direção Vocal Interpretativa: Lucia Gayotto / Direção de Produção: André Canto. /Produção: Canto Produções. Duração: aproximadamente 80 minutos. Sugerido para maiores de 14 anos.

 

2, 9, 16 e 23 de outubro, segundas-feiras, 19h:

Peça “Das cinzas”, de Samuel Beckett, com Aury Porto e presença em vídeos e áudios da bailarina Renné Gumiel (1913-2006)

Direção e interpretação: Aury Porto 

“Das Cinzas” é invocação da presença da bailarina e atriz Renée Gumiel (1913-2006). A montagem revela o ator em uma das principais dimensões de sua arte, enquanto elo de ligação entre os corpos presentes e os seres ausentes. Como um médium, o ator torna-se canal entre o aqui/agora e o além. No texto, concebido a partir da peça radiofônica “Cinzas”, de Samuel Beckett, a personagem Ada (Renée Gumiel) está morta e Henry (Aury Porto), o marido, tenta comunicar-se com seu pai morto, chamando-o para uma conversa. Depois de se exasperar com a presença muda de seu pai, Henry chama o espírito de Ada, que lembra ao marido a antiga vida familiar e fala-lhe do inevitável destino humano.

Renée Gumiel comparece em projeções e falas que deixou gravadas quando interpretou a mesma personagem entre janeiro e março de 2006 no Sesc Pinheiros, seis meses antes de sua morte em setembro de 2006, quando contava 92 anos.

A partir do texto “Cinzas”, de Samuel Beckett. Tradução: Beto Mainieri. Direção: Aury Porto. Elenco: Renée Gumiel (voz e projeção) / Aury Porto (ao vivo) / Paulo César Peréio, Danilo Tomic, Sofia Tomic (vozes);  Sonoplastia e Operação de Som: Ivan Garro. Iluminação e Operação de luz: Ricardo Morañez. Espaço Cênico: Aury Porto. Figurino: Beto Mainieri. Vídeos: Gabriel Fernandes, Marília Halla e Oswaldo Sant’Anna. Edição e Operação do vídeo: Gabriel Fernandes. Produção: Bia Fonseca. Realização: mundana companhia

 

28 de outubro, sábado, 20h; 30 de outubro, segunda-feira, 19h:


Peça “Experimento H”, da Cia. do Latão, sobre contos de Truman Capote, com Helena Albergaria, Kiko do Valle e Rogério Bandeira.

Dramaturgia: Helena Albergaria. Direção: Sérgio de Carvalho.

A partir de contos do escritor norte-americano Truman Capote (1924-1984), um dos criadores do new journalism, a peça contrasta jornadas de pessoas comuns, como uma faxineira-diarista habituada a fumar marijuana durante o trabalho, com as de ícones cinematográficos como Marilyn Monroe.

Inspirado em textos de Truman Capote. Concepção: Helena Albergaria. Direção: Sérgio de Carvalho.Com Helena Albergaria, Kiko do Valle e Rogério Bandeira. Música: Cau Karam. Cenário e figurinos: Simone Mina. Iluminação: Silviane Ticher. Cenotecnia: Valdeniro Paes. Colaboradores da primeira montagem: Beatriz Bittencourt e Rodrigo Bolzan. Assistência de direção: Maria Lívia Góes. Produção: João Pissarra.

 

3 de novembro, sexta-feira, 19h:

Palestra “Gertrude Stein, Alice Toklas, feminismo e vanguardas dos anos 1920 e 1930”, por Gabriela Longman 

Sobre as trajetórias da escritora, poeta e feminista Gertrude Stein (1874-1946) e de sua companheira Alice B. Toklas, também escritora. Elas formaram um casal de 1907 até a morte de Stein. Além de recapitular a colaboração delas em trabalhos literários e na vida cotidiana, na culturalmente efervescente Paris dos anos 1920 e 1930, durante a eclosão das vanguardas modernistas, a pesquisadora aborda a condição feminina à época e a posição contraditoriamente submissa de Alice no interior da relação.

Jornalista e pesquisadora em cultura e artes, Gabriela Longman é autora do livro Grafite-Labirintos do Olhar (BEI Editora, 2017). Possui graduação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2005) e mestrado em Théories et Pratiques du Langage et des Arts na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS-Paris, 2009). É doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

 

6, 13, 20 e 27 de novembro, segundas-feiras, 19h:

Peça “Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo”, com Nicole Cordery

Dramaturgia: Marina Corazza. Direção: Malú Bazán. Interpretação: Nicole Cordery.

A peça parte de duas importantes referências literárias: The Alice B. Toklas Cookbook, escrito por Alice, e “A autobiografia de Alice B. Toklas”, escrita pela poeta norte-americana da vanguarda concretista Gertrude Stein (18741946). No primeiro livro, Alice, companheira de Stein já doente, descreve as receitas culinárias servidas em um dos endereços mais badalados da Paris dos anos 1920. Em meio às receitas, de forma prosaica e autêntica, Alice revela fatos e anedotas de sua vida ao lado de Stein e lembra a efervescência cultural que ajudaram a provocar. Já o segundo tornou-se o livro mais conhecido de Gertrude, no qual escreve a “autobiografia” de sua companheira. Ao assumir a voz de Alice, Gertrude conquista a popularidade literária que tanto almejava, de forma a ampliar o alcance de suas pesquisas literárias na direção de uma estética cubista na literatura. Mas e a própria Alice: quem era? O que vivia?

Dramaturgia: Marina Corazza / Direção: Malú Bazán / Atriz: Nicole Cordery / Cenários e figurinos: Anne Cerutti / Iluminação: Nelson Ferreira / Trilha sonora: Rui Barossi e Pedro Canales /Apoio vocal: Lucia Gayotto. Duração: 70 minutos. Sugerido para maiores de 14 anos.

 

4 e 11 de dezembro, segundas-feiras, 19h:

Peça “Manuela”, da Cia. do Feijão. Concepção e dramaturgia: Vera Lamy

A premiada Cia.do Feijão, de São Paulo, concebeu um espetáculo sobre a cultura modernista brasileira e centrou sua narrativa no objeto mais precioso da casa de Mário de Andrade, a máquina de escrever que ele apelidava “Manuela”. O nome era homenagem ao amigo Manuel Bandeira. É desse objeto o ponto de vista da narrativa: em meio a reflexões de companheira, convida o espectador a uma viagem pela vida de seu dono, a partir de sua poesia e correspondência intensas.

Realização: Cia. do Feijão. Concepção e dramaturgia: Vera Lamy. Direção musical e trilha original: Lincoln Antônio. Em cena: Lincoln Antônio e Vera Lamy.

Preparação corporal: José Romero. Preparação vocal: Rodrigo Mercadante. Orientação literária: Iná Camargo Costa. Orientação dramatúrgica: Milton Morales Filho. Cenografia: Pedro Pires . Figurinos: Anahí Asa. Iluminação: Zernesto Pessoa e Rafael Araújo. Produção executiva: Vera Lamy, Bel Soares e Fernanda Haucke

 

9 de dezembro, sábado, 16h:

Palestra “Clarice Lispector, 40 anos de legado literário”, por Eucanaã Ferraz

Clarice Lispector faleceu há 40 anos no Rio de Janeiro. O professor de literatura e poeta carioca Eucanaã Ferraz – ganhador do Prêmio Portugal Telecom de Poesia e do Prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Biblioteca Nacional – fala do legado da escritora à Literatura Brasileira.

 

7, 8 e 9 de dezembro, quinta, sexta e sábado, 20h:

Musical Teatral “Outra hora da estrela”, com Jussara Silveira, Eucanaã Ferraz e banda.

Espetáculo em memória dos 40 Anos da Morte de Clarice Lispector, e quarenta anos da publicação de “A HORA DA ESTRELA”. 

Na criação do professor de literatura e poeta carioca Eucanaã Ferraz”, o roteiro elabora recorte criterioso no corpus da obra de Lispector e agrega a interpretação em vivo do melhor cancioneiro popular brasileiro dos últimos cinquenta anos. As composições escolhidas por Ferraz  ecoam as próprias bases da literatura de Clarice Lispector e da novela “A Hora da Estrela”, a gerar forma espiral na qual o universo poético da MPB remete à prosa da autora brasileira e vice-versa. O espetáculo encontra na perfeita afinação e na dramaticidade interpretativa de Jussara Silveira, em seu gestual contido e ao mesmo tempo intenso, a exata expressão da personagem Macabéa de “A Hora da Estrela”. A presença do ator-narrador em palco funciona como contraponto, a remeter ao trabalho solitário do escritor e à sua fisicalidade confinada.

“Outra Hora da Estrela”. Direção e roteiro: Eucanaã Ferraz, sobre a novela “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. Intérprete: Jussara Silveira. Narrador: Eucanaã Ferraz. Com Muri Costa (violão), Sacha Amback (piano) e Marcelo Costa (percussão). Produção executiva: Christiane Amback.  Produção: Circus Produções. Duração: 90 minutos. Sugerido a maiores de 14 anos.