O edifício

Biblioteca Mário de Andrade

Em 1936, o diretor da Divisão de Bibliotecas, Rubens Borba de Morais, dá início à concretização de um sonho: a construção de um prédio que abrigaria adequadamente a grande biblioteca central de São Paulo. Em 4 de maio de 1936, conforme Ato 1078, o prefeito Fábio Prado libera recursos para a compra do imóvel situado à Rua Xavier de Toledo, esquina da rua São Luiz, para nele ser construído o edifício. Posteriormente, outros terrenos do entorno são desapropriados para dar lugar à biblioteca e à futura praça.

Os trabalhos de construção do edifício se estendem até 1942. O prefeito, engenheiro, faz algumas interferências no projeto original de Jacques Pilon – como a troca de pilares laterais da torre por colunas centrais, que reduzem em um terço o espaço de armazenamento de acervo. Além disso, abandona a ideia original de se fazerem alicerces para mais duas torres que seriam construídas futuramente. Para Rubens Borba de Morais, essa decisão inviabiliza definitivamente uma futura ampliação do espaço de acervo.

Há quem afirme que a preocupação de Prestes Maia quanto às obras da biblioteca prendia-se ao fato de estar ela localizada na esquina da Rua São Luís, via pública onde passaria o anel de irradiação, que imaginara circundando o velho Centro. (...) O prefeito, juntamente com Ulhôa Cintra, há anos projetara seu plano urbanístico e era o urbanismo que mais o preocupava.

A necessidade de ampliação da área de acervo da Biblioteca, prevista por Rubens Borba de Morais, logo se torna visível. Por essa razão, já em 1965, parte da coleção de periódicos tem de ser transferida para o prédio da Biblioteca de Santo Amaro por falta de espaço na torre da Mário de Andrade..

Em 1968, durante a gestão de Noemi do Val Penteado (1968-1974) como diretora da biblioteca, uma comissão composta pela Diretora e especialistas - Regina Carneiro, Carlos Henrique Bahiana e Gunter A. R. Sarfet - emitiu parecer que visava a sanar o já grave problema de espaço. Esse parecer era favorável à construção da segunda torre da Biblioteca, à desapropriação de terreno para a construção de novo prédio como prolongamento do edifício existente e à construção de novo prédio para abrigar livros de arte, jornais e revistas. Em resposta ao parecer da Comissão, o então secretário de Educação e Cultura, Paulo Nathanael Pereira de Souza, expede ofício ao prefeito, aprovando o primeiro item do parecer e abandonando os dois últimos.

Entretanto, embora empenhada na expansão da Biblioteca Mário de Andrade, Noemi do Val Penteado, agora como diretora do Departamento de Bibliotecas Públicas, abandona, em 1970, a ideia de construir a segunda torre, em função da decisão do Prefeito de construir em área localizada entre a Rua Vergueiro e a Avenida 23 de Maio, grande edifício para a Biblioteca Pública de São Paulo.

Esse projeto, que chega a ser chamado de Biblioteca Metropolitana de São Paulo e até de Biblioteca Mário de Andrade Vergueiro, sofre, nos anos seguintes, uma série de alterações e acaba por dar origem ao Centro Cultural São Paulo, inaugurado em 1982.

Com isso, na década de 1970, a reforma da Biblioteca Mário de Andrade, limita-se à adequação do edifício quanto a necessidades de segurança e infraestrutura. Ganha-se espaço, pois, em 1975, sua Seção Circulante deixa o prédio para ser instalada na Praça Roosevelt.

Na década de 1990, já na gestão da prefeita Luiza Erundina, com Marilena Chauí à testa da Secretária de Cultura e Lúcia Neíza Pereira da Silva (1990-1995) como diretora da biblioteca, inicia-se uma nova reforma, sob a responsabilidade da arquiteta Silvana Santopaolo, que tinha como objetivos a solução dos problemas físicos do edifício, sua adequação espacial às novas atividades e novos usos, além da recuperação da beleza e funcionalidade originais do prédio.

Não resulta, portanto, dessa reforma, a ampliação do espaço para a guarda de acervo. Vale lembrar que, com a construção do Centro Cultural São Paulo anos antes, parte considerável dos livros da Mário fora transferida para a Biblioteca que fora criada no novo edifício, à Rua Vergueiro.

As necessidades de reparos no edifício e o esgotamento da área de acervo voltaram a se manifestar fortemente nos anos 2000. Durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, encomendou-se um projeto de intervenção arquitetônica ao arquiteto Fábio Penteado. O projeto, bastante ousado, sugeria a construção de quatro subsolos junto à Rua da Consolação, os quais serviriam à expansão do depósito de livros.

Conforme notícia veiculada na Folha de S. Paulo, em 7 de junho de 2004,

 “A falta de espaço é um dos problemas que a intervenção do arquiteto Fábio Penteado, orçada em R$ 21 milhões, propõe-se a resolver. Ao lado disso e dos modernos recursos tecnológicos que protegerão e organizarão o acervo, prevê também novos fluxos de utilização para o lugar: espaços de convivência, cafés e a integração com a também revitalizada Praça Dom José Gaspar”.

Embora o jornal Folha de S. Paulo já mencione o início das negociações com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para o financiamento integral da obra, o projeto de Fábio Penteado não foi levado a cabo.

Em 2006, no bojo de um grande programa de revitalização do centro, que recebeu financiamento do BID, a Biblioteca Mário de Andrade é contemplada com um plano integrado de modernização e restauro desenvolvido pelo escritório Piratininga Arquitetos Associados. Em 30 de março desse mesmo ano, a Secretaria Municipal de Cultura obtém da Secretaria de Estado da Cultura permissão de uso do prédio do antigo IPESP – Instituto de Previdência do Estado de São Paulo – como anexo da Biblioteca Mário de Andrade – resultado de negociações que se haviam iniciado em abril de 2003.

As obras do edifício principal são iniciadas em 2007, com Gilberto Kassab como prefeito, Carlos Augusto Calil à frente da Secretaria Municipal de Cultura e Luís Francisco da Silva Carvalho Filho na diretoria da biblioteca. O projeto prevê o retorno ao edifício principal de parte do acervo que, por conta da ausência de espaço na Biblioteca Mário de Andrade, acabara se dispersando para outros espaços do Sistema Municipal de Bibliotecas, particularmente o acervo de periódicos (jornais e revistas) e a Circulante, então funcionando na Chácara Lane, na Rua da Consolação.

A Circulante ocupa parte do térreo do edifício principal e possui entrada própria pela Avenida São Luís. Nesta mesma entrada é possível ter acesso a Sala de Estudos, Área de Convivência e Jardim Contemplativo, que são ambientes livres para estudo e leitura. Na Área de Convivência e no Jardim eventualmente também são realizadas atividades culturais.

A reforma do Anexo teve início em dezembro de 2009 e foi finalizada no segundo semestre de 2012. O prédio, de 16 andares, está localizado à Rua Bráulio Gomes n.139 e é destinado à Hemeroteca. Ali está armazenada a coleção retrospectiva de jornais e revistas de assuntos gerais, bem como o acervo de microfilmes, a coleção ONU e o Arquivo Histórico, e em 2015 recebeu também a Sala de Atualidades para leitura de periódicos atuais que antes funcionava na Sala Jeronymo Azevedo no prédio principal. Três andares destinam-se a atendimento ao público.