Dicas de Leitura - Revelando o verde e amarelo do Arco-íris

Raul Pompeia, Adolfo Caminha, Lygia Fagundes Telles, Mário de Andrade, Aloísio de Azevedo, Lúcio Cardoso, Guimarães Rosa, Caio Fenando Abreu, Plínio Marcos, Chico Buarque de Holanda e Machado De Assis são os autores que participam da revelação verde e amarela de nosso arco-íris.

Na sequência do tema LGBT, as Dicas de Leitura de outubro ressaltam os tons verde e amarelo ao revelar o arco-íris na produção literária brasileira. Para destacar essas cores, servimo-nos de produções literárias do século XIX como O Ateneu (1888), O Cortiço (1890) e Bom-crioulo (1895), romances que abrem caminho a inúmeras personagens que ganham vida em obras do século XX, entre elas Diadorim e Riobaldo (Grande Sertão: veredas), Letícia (Ciranda de Pedra), Veludo (Navalha na Carne), Timóteo (Crônica da Casa Assassinada) e também das personagens que povoam três contos da coletânea Morangos Mofados de Caio Fernando Abreu: Sargento Garcia, Aqueles Dois e Terça-feira Gorda. Merece destaque também o conto Pilades e Orestes da coletânea Relíquias da Casa Velha (Machado de Assis) e Frederico Paciência da coletânea Contos Novos (Mário de Andrade). Boa leitura!

Dicas de leitura - Destacando o verde e amarelo do arco-íris

O Ateneu - Raul Pompeia
Sérgio é enviado para um colégio interno renomado no Rio de Janeiro: o Ateneu. Comandado pelo diretor Aristarco, o colégio mantém regras rígidas e princípios da aristocracia da época. Em um mundo completamente distinto do seu, Sérgio tem contato com aproveitadores que se passam por protetores, além de atitudes como a ganância e a prepotência. Em diversos momentos do livro há uma forte ambientação homoerótica, como quando Sérgio descreve as relações de amizades com seus amigos como uma relação íntima e uma intenção amorosa.

Bom Crioulo - Adolfo Caminha

Considerado por alguns como o primeiro romance homossexual na literatura ocidental, conta a história de Amaro, um escravo foragido que se alista na Marinha e se torna um soldado exemplar. Recebe o apelido de Bom Crioulo por ser forte e muito educado. Quando conhece Aleixo, um aprendiz com quem se envolve sexualmente, seu ânimo muda. Os dois chegam ao Rio de Janeiro e D. Carolina arranja um quarto para eles se instalarem em sua pensão, onde levam uma vida matrimonial secreta. Amaro é transferido para outro navio e os dois se separam. Na sua ausência, D. Carolina seduz Aleixo. Bom Crioulo, ansioso para rever o amante, desobedece a ordens superiores, atraca no porto do Rio e se dirige à pensão, porém Aleixo não aparece durante toda a noite, o que desperta desconfianças e ciúmes em Amaro.  

Ciranda de Pedra - Lygia Fagundes Telles
Laura e Natércio se separam. Nesse processo de separação, Otávia e Bruna permanecem com o pai, enquanto Virgínia fica com a mãe e vai morar na casa de Daniel (médico de sua mãe). Laura passa a ter toda atenção financeira e psicológica de Daniel ao adoecer. Virgínia, porém, continua a visitar o pai, mas não consegue manter um bom relacionamento com as irmãs e os colegas delas (Letícia, Afonso e Conrado). Após a morte de Laura e Daniel, Virgínia pede para ser internada em um colégio de freiras. Ao se formar, volta para a casa do pai mais amadurecida e descobre vários segredos de suas irmãs e colegas, entre os quais o de Letícia, uma tenista premiada que se interessava afetivamente apenas por mulheres.

Contos Novos - Mário de Andrade
A obra reúne nove narrativas curtas compostas ao longo da vida do autor, por meio das quais o escritor mostra a vivência urbana, retirando seus personagens das camadas médias da sociedade paulistana (Essas narrativas só vieram a ser publicadas após sua morte). Uma delas é “Frederico Paciência”, onde o autor assume a voz de uma das personagens e narra a amizade desmedida de adolescência entre Juca e Frederico Paciência, uma relação afetiva marcada por jogos expressos em gestos, olhares e ciúmes entre os dois jovens.

O Cortiço - Aloísio de Azevedo

Romance naturalista do brasileiro Aluísio Azevedo publicado em 1890 que denuncia a exploração e as péssimas condições de vida dos moradores das estalagens ou dos cortiços cariocas do final do século XIX. É um dos primeiros romances brasileiros que possui representações sociais da diversidade sexual e de gênero, apresentando Albino, um sujeito afeminado que vive entre as mulheres, Leandra, conhecida no cortiço como “Machona”, e Léonie que nutre uma intensa afeição por Pombinha e protagoniza uma cena de sedução e amor com ela.

Crônica da Casa Assassinada - Lúcio Cardoso
História de uma família em declínio social e moral, com relatos de suas próprias personagens: cartas, diários, memórias, confissões e depoimentos, cujos temas centrais são o adultério, incesto, a loucura e a decadência. Entre as personagens há Timóteo, prisioneiro em seu quarto e em sua loucura, que se veste com farrapos de roupas femininas e jóias, para atingir a vital libertação com a destruição dos falsos alicerces da família.

Grande Sertão: veredas - Guimarães Rosa

Riobaldo recebe uma visita em sua fazenda e conta a história de sua vida. Suas memórias vão desde sua infância até as aventuras que o levaram a se tornar um jagunço. Riobaldo atravessa a vastidão do sertão ao lado de Diadorim, jagunço por quem desenvolve um amor impossível.

Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu

Livro de contos estruturado em duas partes: "O Mofo", constituída de nove contos que contemplam a ditadura militar, a repressão à liberdade e o direito de opinião; e "Os Morangos", também composta de nove contos, onde o autor mostra que há solução para os traumas impostos pelas circunstâncias sociais e fornece um fio de esperança às personagens. O homoerotismo está presente em três deles: “Sargento Garcia”, que narra a iniciação sexual de um jovem por um oficial do exército; “Terça-feira gorda” que usa a história da atração sexual entre homens como mola propulsora para a narrativa; e “Aqueles dois”, cuja história de afeto e carinho entre homens questiona os padrões vigentes de uma sociedade preconceituosa e implacável na defesa de sua moral.

Navalha na Carne - Plínio Marcos

Peça teatral que narra a história da prostituta Neusa Sueli que divide um quarto sórdido com Vado, seu cafetão, em um hotel onde trabalha o faxineiro Veludo, homossexual assumido. O trio se relaciona de forma violenta e, quando o lucro da noite anterior desaparece da gaveta onde Neusa Sueli havia guardado, começam os conflitos, seguidos de pancadaria física e verbal com momentos de muita tensão sexual.

Ópera do Malandro - Chico Buarque de Holanda
Peça teatral do gênero musical que se passa na década de 1940, tendo como pano de fundo a legalidade do jogo, a prostituição e o contrabando. Um cafetão de nome Duran se passa por um grande comerciante, e sua mulher Vitória por uma cafetina que na realidade vive da comercialização do corpo. A sua filha Teresinha é apaixonada por Max Overseas, que vive de golpes e conchavos com o chefe de polícia Chaves. As outras personagens são as prostitutas, apresentadas como vendedoras de uma butique, e a singela travesti Geni, redentora que salva a cidade de ser destruída pelo forasteiro do zepelim prateado.

Relíquias da Casa Velha - Machado De Assis

Último livro organizado por Machado de Assis, reunindo contos onde expõe as relíquias de um tempo passado, vivido e testemunhado por ele. O conto “Pílades e Orestes” apresenta a relação afetiva assimétrica entre dois homens, um deles rico herdeiro de grande fortuna e o outro um esforçado advogado.


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