LITERATURA DE CORDEL NA BIBLIOTECA BELMONTE

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Literatura de Cordel

A literatura popular em versos conhecida como literatura de cordel, assim denominada devido ao costume de expor folhetos pendurados em barbantes, teve suas origens relacionadas ao hábito milenar de contar histórias. Segundo Câmara Cascudo, a prática de manter a memória de fatos através da utilização do canto poético é fórmula universal, encontrada no Brasil desde o século XVI.

Estudiosos consideram que a literatura de cordel, em seu formato escrito, teve início no Brasil em 1870 através dos colonizadores e desenvolveu-se principalmente na região nordeste entre os estados da Bahia e do Maranhão.

O patrono da literatura de cordel é Leandro Gomes de Barros, autor de mais de mil títulos. Há também outros autores pioneiros como João Melchíades Ferreira da Silva, Cuíca de Santo Amaro e Rodolfo Coelho Cavalcante.

É curioso ainda ressaltar que formas semelhantes ao cordel brasileiro podem ser encontradas nas Américas como, por exemplo, o "corrido" no México, na Argentina, Nicarágua e no Peru e o "contrapuento", semelhante à peleja ou desafio, também encontrado no México. Na Argentina são encontradas "hojas ou pliegos sueltos", que lembram os cordéis, e o "payador", que equivale ao nosso cantador.

Embora caracterizado pela forte presença da oralidade em seu texto e forma, o cordel é necessariamente impresso, distinguindo-se de outras formas de poesia oral, como pelejas e desafios cantados pelos contadores repentistas. Apresentado no formato de folheto de 16.5x12cm, variando entre 24, 32 ou 64 páginas, o cordel tem capa em papel colorido impresso em preto com uma xilogravura. Contém ainda dados de identificação e miolo em papel jornal podendo apresentar ilustrações por matrizes xilográficas ou em metal. A métrica do cordel pode ser encontrada em formato de quadras, sextilhas, septilhas, décimas ou martelo, quando uma torrente de rimas "martela" o ouvinte/leitor sem parar.

Já foram apontados mais de 30 gêneros diferentes de cordel com temas tradicionais, fatos circunstanciais e cantorias e pelejas - quando o poema é composto oralmente e a partir de repentes e improvisos, sendo depois recolhido e impresso em folhetos, não necessariamente pelo autor original. O cordelista utiliza a linguagem popular, tom informal e humorístico. Além desses atrativos, os folhetos também possuem um preço baixo.

Atualmente a produção brasileira de literatura de cordel conta com mais de trinta mil títulos de folhetos e cerca de dois mil autores classificados, embora seja em boa parte desconhecida do grande público e pouco divulgada.

Essa forma de expressão atraiu o interesse de folcloristas como Mário de Andrade, Luís da Câmara Cascudo e Orígenes Lessa e influenciou poetas e escritores como João Cabral de Mello Neto, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa. O poeta matuto Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa de Assaré (1909-2002), uma das mais importantes expressões da literatura de cordel no Brasil, chegou a ser inclusive agraciado com o título de "doutor honoris causa" por universidades brasileiras e teve sua obra estudada na França e na Inglaterra.

O cordel pode ser definido como gênero que está no limiar entre a oralidade e a escrita, onde cantadores e cordelistas funcionam como instrumentos do pensamento coletivo e das manifestações entre grupos sociais representativos da cultura popular brasileira.

 

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