05/05/2017 14h02

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Complexo Boracea: mais de mil histórias pra contar



Foto: Wagner Origines/SMADS
Por Marcos Gabriel

O Complexo Boracea abriga sete Centros de Acolhida (CA) e, junto a eles, mais de mil histórias para contar, todas elas repletas de coragem, determinação, esperança, fé e acontecimento. O espaço, existente há 12 anos, abriga diversos grupos sociais em vulnerabilidade social.

Cada um dos sete centros de acolhida do local trabalha com metodologias e abordagens diferentes, a fim de proporcionar conforto e atenção e atender as necessidades dos beneficiários.

O Centro de Acolhida Barra Funda I, por exemplo, abriga homens a partir dos 18 anos. ‘’Atualmente nós abrigamos 200 convenientes. Esses homens têm alimentações variadas, palestras e atendimentos socioassistenciais’’, afirma Joaquina Alves, gerente de serviço do Barra Funda I.

Em datas comemorativas e eventos especiais, os conviventes são recepcionados por festas e comemorações. ‘’Em dias de aniversário, nós fornecemos o bolo, refrigerantes, doces e salgados. Durante datas comemorativas, como Páscoa e Natal, os convenientes desenham e escrevem sobre o tema’’, finaliza Joaquina.

O Barra Funda II tem o dobro de beneficiários, atendidos por cinco assistentes sociais e uma psicóloga. ‘’Aqui temos várias oficinas interessantes, como futebol, cine-pipoca, debates, futebol e música, além de uma máquina de confecção de Havaianas para os beneficiários. Dentro dessas atividades, conseguimos parcerias com cursos de costura de bolsas’’, conta Bárbara Neritha, assistente técnica do serviço.

O centro de acolhida passou por uma bela reforma recentemente e hoje o refeitório e os dormitórios estão muito mais aconchegantes para receber os convenientes. ‘’Hoje eles têm uma realidade totalmente diferente. Antes eram 100 homens por quarto, hoje são 20 a 30, o que gera muito mais tranquilidade e privacidade", detalha a assistente técnica. Além disso, os convenientes estão sendo inscritos aos poucos no programa Trabalho Novo, com o objetivo de conseguir oportunidades de trabalho.

Marco Antônio Gomes, 61 anos , vive há mais de dois anos no serviço. "Estou sendo acolhido e recebendo oportunidades. Embora na minha idade seja um pouco mais complicado conseguir um emprego, não paro de lutar. Quando não estou aqui no centro, estou com a minha família’’.

O terceiro centro de acolhida, chamado de Núcleo Boracea, acomoda 400 convenientes, sem diferenças, incluindo LGBT’S. Claudia Meneses, gerente do serviço, conta sobre as atividades que o local oferece. ‘’Aqui nós prestamos vários tipos de serviços. Oferecemos produtos de higiene, como pastas, desodorantes e afins. Disponibilizamos jogos de mesa, informática, rodas de conversa, música, cine-debate, tudo isso pra elevar a autoestima dos beneficiários’’. Além disso, o Núcleo Boracea disponibiliza regulamentações de documentos e ligações para familiares.

Jéssica MilkShake, 21 anos, faz parte do Centro de Referência da Diversidade (CRD), na República, e permaneceu no Núcleo Boracea por oito meses: ‘’Antes eu fumava de tudo. Entrei aqui e minha rotina durante esse tempo era normal. Acordava, tomava café e fazia minhas necessidades. Depois de oito meses, fizeram um contato com minha família por um trabalho de retorno familiar, e agora eu saí e vivo minha própria vida.’’

O Núcleo Boracea lançará, em breve, um serviço de elétrica para os beneficiários, já que o mercado de trabalho nos dias de hoje exige cada vez mais a mão de obra.

Outro equipamento do complexo é o Centro de Acolhida Especial (CAE). Ele abriga 90 beneficiários, sendo 30 homens e 60 mulheres. Marisa Barbosa, gerente de serviço afirma que "o objetivo é abrigar pessoas com deficiência física ou problemas psicológicos. Não é um serviço aberto, então, as pessoas que estão aqui vêm por indicações do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)’’. Além de assistentes sociais, auxiliares de enfermagem, cozinheiros e técnicos especializados, o CAE possui nutricionista para realizar refeições específicas para os beneficiários.

O Centro de Acolhida para idosos também está presente no Complexo Boracea, abrigando no total 60 convenientes. Todos eles têm uma atenção redobrada, recebendo apoio psicológico e médico. O Rede Nova Vida, acolhe 150 pessoas durante o dia e 150 durante a noite, enquanto o Oficina Boracea realiza diversas atividades durante as semanas, como missa e produções artísticas.

Contudo, podemos dizer que o Complexo Boracea não é somente um simples conjunto de centros de acolhida, mas sim o cenário de histórias de vida variadas. Cada um desses locais acolhe pessoas com problemáticas diferentes, proporcionando muito amor, carinho, dedicação e força de vontade. Todos os dias são realizadas três mil refeições, oficinas e atividades.

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